domingo, 10 de julho de 2022
Cine Pipoca #024
sábado, 2 de julho de 2022
A fome vermelha: A guerra de Stalin na Ucrânia - Anne Applebaum
Devastador e definitivo, A fome vermelha captura o horror em que consistiu homens e mulheres animalizando-se para sobreviver a um mal sem precedentes.
Em 1929, Stalin lançou uma política de coletivização de agricultura - na prática, uma segunda Revolução Russa - que expulsou milhões de camponeses de suas terras e os levou a fazendas coletivas. O resultado foi uma fome assassina, a mais letal na história da Europa. Pelo menos 5 milhões de pessoas morreram entre 1931 e 1933 na União Soviética. Porém, em vez de enviar auxílio, o Estado soviético fez uso daquela barbárie para se livrar de um problema político: mais de 3 milhões de mortos eram ucranianos, que pereceram não por serem vítimas acidentais de uma política catastrófica, mas porque o Estado trabalhou deliberadamente para exterminá-los.
Neste livro perturbador, Anne Applebaum prova o que há muito se suspeitava: após uma série de rebeliões nas províncias, Stalin buscou ativamente eliminar o campesinato ucraniano. O Estado fechou as fronteiras da República e confiscou toda a comida disponível. A fome se espalhou rapidamente, e as pessoas se resignaram a comer qualquer tipo de coisa: grama, cascas de árvore, cães, cadáveres.
Mas a fome foi apenas metade da história. Enquanto camponeses morriam no interior, a polícia secreta soviética lançava simultaneamente um ataque contra as elites intelectuais e políticas ucranianas. À medida que a fome se alastrava, uma campanha de calúnias e de repressão foi desencadeada contra os intelectuais, professores, curadores de museus, escritores, artistas, clérigos, teólogos, funcionários públicos e burocratas da Ucrânia.
Esses dois desenvolvimentos - a Holodomor, no inverno e primavera de 1933, e as perseguições às classes política e intelectual ucranianas nos meses que se seguiram - desaguaram na sovietização da Ucrânia, na destruição da ideia de nacionalidade ucraniana e na neutralização de qualquer desafio ucraniano à unidade soviética.
No momento que a Rússia, sucessora da União Soviética, coloca a independência da Ucrânia na mira mais uma vez, A fome vermelha relata, em detalhes, um dos maiores crimes de Stalin e suas consequências até os dias atuais - uma obra que ilumina a compreensão histórica de ímpetos que fundamentam as ameaças à ordem política do século XXI.
sábado, 25 de junho de 2022
A Natureza da Terra-Média - J.R.R. Tolkien
A Natureza da Terra-média conta com material inédito e traz os numerosos escritos tardios (c. 1959–73). A obra trata da natureza da Terra-média em ambos os principais sentidos da palavra: tanto metafísico quanto natural e histórico. Ela promete responder a algumas das principais perguntas feitas pelos fãs e estudiosos do assunto, desde tema gerais, como quais raças poderiam ter barbas, como era a geografia de Númenor e Gondor e quais os costumes desses povos, até temas complexos e profundos, como a imortalidade élfica e a natureza dos Valar.
sábado, 18 de junho de 2022
O naufrágio das civilizações - Amin Maalouf
Os Estados Unidos, embora continuem sendo a única superpotência, estão perdendo toda a autoridade moral. A Europa, que ofereceu aos seus povos e ao resto da humanidade o projeto mais ambicioso e reconfortante do nosso tempo - a União Europeia -, está desmoronando. O mundo árabe-muçulmano mergulha numa crise profunda, agravada por um islamismo cada vez mais radical. As tensões socioculturais, em grande parte fomentadas pelas ondas nacionalistas, nunca foram tão exacerbadas. Grandes nações "emergentes" ou "renascidas", como a China, a Índia e a Rússia, irrompem no palco mundial numa atmosfera nociva, na qual reina a lei do mais forte e do cada um por si. Sem falar das graves ameaças, intensificadas pela aventura ultraliberalista, que pesam sobre o planeta (devastação do meio ambiente, abismo social, pandemias) e só podem ser enfrentadas por meio da cooperação global.
"Foi a partir da minha terra natal que as trevas começaram a tomar conta do mundo. Essa última frase... eu teria hesitado em escrevê-la há alguns anos, com impressão de ter extrapolado, de forma grosseira minha própria experiência e a de meus próximos. Hoje, contudo, não há mais dúvidas de que as convulsões que agitam o planeta estão diretamente ligadas ás que balançaram o mundo árabe nas últimas década." (trecho do livro)
A guerra árabe-israelense de junho de 1967
“Desse ponto de vista, seria mais adequado comparar a derrota árabe ao desastre da França em junho de 1940. Seu exército, apesar de ainda coroado com o prestígio de ter vencido a Primeira Guerra Mundial vinte e dois anos antes, desmoronou extremamente rápido ante a ofensiva alemã. As estradas encheram-se de refugiados, Paris foi ocupada, depois, o país inteiro. O sentimento da nação de ter sido nocauteada, humilhada, violada, só se dissiparia por ocasião da Libertação, quatro anos mais tarde. Aí está, justamente, a grande diferença entre 1967 e esses dois episódios da Segunda Guerra Mundial. Ao contrário dos americanos e dos franceses, os árabes ficaram atolados na derrota e jamais recuperaram a confiança em si mesmos. No momento em que escrevo estas linhas, quase meio século já se passou, e as coisas não melhoraram. Pode-se dizer, mesmo, que elas não param de se agravar. Em vez de se curar e cicatrizar, as feridas infeccionaram, e é o mundo inteiro que sofre as consequências.”
Século XX
“Quando tento fazer o balanço do século XX, tenho a impressão de que foi o palco de duas ‘famílias’ de calamidades: uma provocada pelo comunismo, outra pelo anticomunismo. À primeira pertencem todos os abusos cometidos em nome do proletariado, do socialismo, da revolução ou do progresso; os episódios foram muitos, dos processos de Moscou e períodos de fome na Ucrânia aos excessos norte-coreanos, passando pelo genocídio cambojano. À segunda ‘família’ pertencem os excessos cometidos em nome da luta contra o bolchevismo. Ali, também, os episódios foram incontáveis – o mais devastador, sem dúvida, tendo sido o cataclismo planetário causado pela ‘peste marrom’ do fascismo e do nazismo. A percepção dos diferentes crimes cometidos passou por várias oscilações. Só quando a Guerra Fria chegou ao fim, com a falência do modelo coletivista e a implosão da União Soviética, passou a ser aceitável zombar do ‘pequeno livro vermelho’, comparar Stálin a Hitler e questionar a imagem de Lenin.”
Desagregação do tecido social
“Quando vemos espalhar-se nas mídias, como ocorre sempre, uma lista das maiores fortunas comparadas ao que possui o resto da humanidade, a coisa não provoca nenhuma reação de ira. Ninguém mais espera um levante dos ‘condenados da terra’ – e seria, aliás, medonho se eles se rebelassem um dia e fizessem tábula rasa do passado, como nos versos da Internacional. Uma revolta assim só poderia terminar num gigantesco banho de sangue e numa orgia de destruição. Não é, com certeza, o que desejam aqueles que cultivam ainda um ideal de progresso, de liberdade, de decência, ou mesmo de igualdade. Se as disparidades de nossos dias são tão preocupantes, não é porque elas arriscam produzir rebeliões planetárias. É porque o desaparecimento da bússola moral que representa o princípio de igualdade contribui, em cada um de nossos países, e para a humanidade inteira, à desagregação do tecido social.”
sábado, 11 de junho de 2022
O Casal que Mora ao Lado - Shari Lapena
Tudo começou em um jantar...
É o aniversário de Graham, e sua esposa, Cynthia, convida os vizinhos, Anne e Marco Conti, para um jantar. Marco acha que isso será bom para a esposa; afinal, ela quase nunca sai de casa desde o nascimento de Cora, há seis meses, e da depressão pós-parto. Porém, no último minuto, a babá telefona avisando que não poderá ficar com a bebê. E Cynthia havia pedido que não levassem a filha. Nada pessoal; ela simplesmente não suporta crianças chorando.
Marco garante que Cora vai ficar bem dormindo em seu berço. Afinal, eles moram na casa ao lado. Podem levar a babá eletrônica e se revezar para dar uma olhada na filha a cada meia hora. Tudo vai dar certo. Anne acha que não é uma boa ideia e, quando vê Marco flertando com Cynthia a noite inteira, tem certeza de que não deveria ter deixado a filha sozinha.
Ao finalmente voltarem para a casa, os dois se deparam com a porta aberta. Quando sobem as escadas, sabem que seu pior medo se tornou realidade: Cora desapareceu. E, ao enfrentarem a pressão da opinião pública e as suspeitas do detetive Rasbach, Anne e Marco se veem em uma teia de mentiras, que traz à tona segredos aterradores.
Em O casal que mora ao lado, quarto livro de Shari Lapena, o leitor descobrirá que as pessoas são capazes de qualquer coisa quando estão sob pressão. E que nunca se sabe o que acontece na casa ao lado...
“Pensei que ler um livro de uma tacada só fosse algo muito clichê. Eu me enganei.” (Linwood Barclay)
“Uma história surpreendente que conduzirá o leitor a uma montanha-russa de emoções.” (Tess Gerritsen)
sábado, 4 de junho de 2022
Morte no internato - Lucinda Riley
A morte repentina de um estudante na Escola St. Stephen – um internato na região mais remota de Norfolk – é um acontecimento chocante que seu diretor faz questão de encarar apenas como um acidente infeliz.
Porém, a polícia local não descarta a possibilidade de um crime, e o caso traz de volta à ativa a inspetora Jazmine Hunter. Jazz se afastou da carreira policial em Londres, mas, relutante, concorda em participar da investigação como um favor a seu antigo chefe.
Ao analisar os detalhes da morte de Charlie Cavendish, ela descobre que o garoto fazia bullying com diversos alunos e que alguns tiveram o motivo e a oportunidade de trocar os comprimidos que ele tomava diariamente para controlar a epilepsia.
Para complicar a investigação, outro estudante some e um respeitado acadêmico morre na St. Stephen. Os novos acontecimentos trazem pistas importantes para o caso, mas, quando um dos suspeitos desaparece, Jazz se vê ainda mais enredada em mistérios.
Precisando enfrentar seus demônios pessoais, a inspetora percebe que aquela investigação é a mais desafiadora de sua carreira. O internato esconde segredos mais sombrios do que Jazz jamais poderia ter imaginado...
Obra inédita da aclamada Lucinda Riley, Morte no internato é um romance policial com uma trama instigante e a escrita envolvente que se tornaram marca registrada da autora.
sábado, 28 de maio de 2022
Nunca: O caminho para a guerra começa com um passo em falso - Ken Follett
“À medida que a situação ucraniana piora, fico pensando sobre o romance mais recente de Ken Follett, Nunca. Esse é exatamente o cenário de fim do mundo construído por ele: uma escalada vagarosa mas constante, sem possibilidade de saída." – Stephen King
Toda catástrofe começa com um problema pequeno que não é resolvido
No deserto do Saara, dois agentes de inteligência de elite – um francês e uma americana – arriscam a própria vida enquanto seguem o rastro de um poderoso grupo de extremistas.
Na China, um alto funcionário do governo tenta resistir aos comunistas da velha guarda, que podem estar empurrando o país – e seu aliado militar próximo, a Coreia do Norte – para um caminho sem volta.
Do outro lado do mundo, a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente dos Estados Unidos faz de tudo para lidar diplomaticamente com ataques estrangeiros, comércio ilegal de armas e campanhas de difamação de um adversário populista.
Mas, à medida que pequenos atos de violência se sucedem e começam a ganhar escala, o início de uma nova guerra mundial parece uma certeza. E quando as grandes potências se enredam cada vez mais em uma complexa rede de alianças, a pergunta que se impõe é: quem será capaz de deter o inevitável?
“A Primeira Guerra Mundial foi uma guerra que ninguém queria. Mas os imperadores e os primeiros-ministros foram tomando decisões – lógicas, moderadas –, cada qual dando um pequeno passo em direção ao conflito mais terrível que o mundo já viu. Quando cheguei à conclusão de que tudo foi um trágico acidente, me perguntei: qual a probabilidade de que isso volte a acontecer?” – Ken Follett
sábado, 21 de maio de 2022
Comentando o filme "Klondike - Uma guerra na Ucrânia".
Retratar no cinema uma história que ainda está sendo escrita não costuma criar os melhores filmes. Ao contrário, ela apenas posiciona no centro de “Klondike – A Guerra na Ucrânia” o estopim de um conflito que escalou ao longo de quase dez anos.
Dentro de uma casa, cuja parede da sala é destruída por uma bomba nos primeiros minutos do filme, moram Inka e Tolik. Enquanto eles esperam seu primeiro filho, se veem no meio do conflito entre separatistas pró-russos e o exército ucraniano.
No início, a presença dessa guerra se reflete em alguns incômodos diários, como ter que ceder o carro da família por algumas horas aos separatistas. Porém, quando um desastre aéreo acontece no local, a situação muda.
A diretora baseou o filme no acontecimento de julho de 2014, quando um voo da Malaysia Airlines foi derrubado por separatistas pró-russos na região de Donbass, matando 298 pessoas.
“Foram anos de investigação até descobrirem os culpados”, diz a diretora Maryna Er. “E o assunto sumiu da mídia rapidamente, o que foi assustador pra mim, então, eu resolvi contar essa história do meu jeito”.
Mesmo um longa-metragem não documental pode servir como um documento histórico. Para Miguel Chaia, professor da PUC e cientista político, o cinema é uma forma de participação e compreensão da realidade, sendo a Guerra um dos maiores temas do audiovisual, pois afeta a todos; quem produz o filme e quem o assiste.
“Qual é o grande acontecimento
trágico entendido na sociabilidade, no funcionamento e na
organização de uma sociedade? É a guerra. Ela é permanente”,
diz.
Os conflitos escalam, mas a essência da guerra não muda. Segundo o professor, “Klondike” não perde força ao retratar uma situação que ainda está em andamento porque o filme é mais uma forma de entrar em contato com o assunto, tornando-o mais elucidativo.
“Mesmo que os personagens sejam fictícios, nós estamos vendo uma reincenação da história”.
E Maryna fez questão de mostrá-la, mas refletir sobre ela ao mesmo tempo. Segundo a diretora para fazer um filme anti-guerra é necessário mostrar a guerra de algum jeito. A diretora, porém, deixou de lado a estética clássica de conflitos: explosões a todo momento, jornadas de soldados heroicos, poças de sangue… Ela escolheu o caminho da não-violência e do minimalismo.
“Eu quis trazer uma experiência imersiva da guerra através dos movimentos de câmera e da fotografia”, diz, “quando eu não crio um ambiente expositivo, eu deixo a imaginação do espectador fluir, acredito que seja melhor do que mostrar absolutamente tudo”.
“Esse filme é minha criação contra a guerra e contra a violência, e eu espero que ressoe com quem assiste”, afirma.
Olhar feminino
A personagem principal do filme é Irka, que resiste, ao máximo, enxergar os horrores da guerra. Como se fosse uma pequena rachadura, Irka insiste ao marido que a parede da sala seja consertada após uma bomba detonar a casa, por exemplo.
Ao ordenhar sua vaca, lhe faz um carinho e pergunta se ela ficou assustada com o barulho. Não entende, ou ignora, o porquê do seu carro estar sendo usado por separatistas. Irka tenta ao máximo se dissociar da realidade, até que, sem escapatória, é diretamente afetada por ela.
“Eu vejo muitas “Irkas” por aí, é a clássica mulher ucraniana”, diz a diretora. “São mulheres resistentes, dispostas a proteger sua família e sua própria vida”.
Irka é uma personagem amável, conciliadora, cujo papel principal é mostrar como a guerra, causada por homens, é sempre estúpida.
Maryna compara Irka à própria Ucrânia. Segundo a diretora, um país independente, com a criação da própria cultura, mas cuja história é constantemente interrompida por terceiros.
Fica a reflexão.
sexta-feira, 13 de maio de 2022
A Ilha e o Espelho - Fausto Panicacci
"É como enfrentamos, destemidos, essa indômita aventura que é a vida ― raramente estúpida, por vezes triste, frequentemente insólita, mas sempre surpreendente".
Mandado para Cambridge a trabalho, um brasileiro é subitamente convidado para se juntar a um eclético grupo de amigos, capitaneado por um fotógrafo correspondente de guerra com o qual ele guarda surpreendente semelhança física. O grupo inclui uma psicóloga frustrada, um erudito que fala por aforismos, uma executiva que toca violino e um universitário acusado de plágio.
Paralelamente aos dilemas, às aventuras e ao triângulo amoroso que consomem o protagonista, a atmosfera de sabedoria da cidade é perturbada por atos de violência noturna, cuja autoria é um mistério.
Dialogando com variados ramos da arte, A ilha e o espelho entrelaça memória, empatia, ganância e culpa diante de questões como violência contra a mulher, identidade cultural, xenofobia, meio ambiente e destino dos refugiados. Uma inspiradora história com reflexões sobre o valor da amizade, a multiplicidade de olhares e a dignidade da vida humana.
sexta-feira, 6 de maio de 2022
Cine Pipoca Nº 023
Depois da visita dos ilustres Rei George V e Rainha Mary na casa de campo do Conde de Grantham, a família Crawley tem um novo desafio. Dessa vez, a matriarca Violet Crawley revela a existência de um misterioso romance num passado distante. Para a surpresa de todos, o relacionamento gerou uma herança na forma de uma grande propriedade no Sul da França, para onde os britânicos partirão para uma inesperada e inesquecível experiência.















