segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Tudo o que rolou na Flin 2026.


FLIN 2026: Niterói vira território das palavras

Entre os dias 13 e 16 de agosto, Niterói recebeu mais uma edição da Festa Literária Internacional (FLIN), ocupando o Reserva Cultural, com programação totalmente gratuita. O tema desta edição foi "Territórios das Palavras", uma homenagem à antropóloga, filósofa e ativista mineira Lélia Gonzalez (1935-1994), uma das vozes mais importantes do pensamento crítico brasileiro sobre raça e gênero.

A organização beirou a perfeição com mais de 60 horas de programação distribuídas em quatro palcos, com expectativa de reunir cerca de 30 mil pessoas ao longo do evento.

A lista de convidados deu à FLIN um caráter único. Passaram pelo Reserva Cultural nomes como Emicida, Ana Maria Gonçalves, Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Jeferson Tenório, Lilia Schwarcz, Ana Maria Machado, Ruy Castro, Cidinha da Silva, Luiz Antonio Simas e Tatiana Salem Levy, além de vozes internacionais como o angolano Ondjaki e o também angolano Valter Hugo Mãe — este último com o livro mais vendido da última Flip. Criadores de conteúdo e comunicadores também tiveram espaço garantido, caso de Jout Jout, Déia Freitas e Gabi Oliveira, sinal de que a festa literária dialoga com formatos além do livro impresso.

Literatura, política e cultura pop lado a lado

Um dos traços marcantes da FLIN 2026 foi misturar debates literários com discussões sobre política, futebol, memória e comunicação. Miriam Leitão participou de uma conversa sobre os novos suportes para escrita e leitura, enquanto o jornalista esportivo Juca Kfouri também esteve na programação. No sábado (15), o prefeito Rodrigo Neves debateu ao lado do cientista político Christian Lynch os rumos políticos do Rio de Janeiro, num painel batizado de "Fusão Autoritária e o Futuro do Estado do Rio de Janeiro".

A programação infantil, batizada de "Nikitinhos", também teve destaque desde a abertura, com a peça "O Diário de João e Maria", da Cia. Jukah de Teatro — um reforço de que a festa pensou em públicos de todas as idades.

Por que isso importa para quem escreve

Para quem está construindo uma carreira como autora — como é o meu caso —, eventos como a FLIN são um lembrete valioso de que a literatura brasileira contemporânea está cada vez mais porosa: ela conversa com podcasts, YouTube, música e debates públicos, e não fica restrita ao circuito tradicional de lançamentos e feiras de grandes editoras. Ver autoras independentes, criadoras de conteúdo e vozes de fora do eixo Rio-São Paulo dividindo palco com nomes consagrados é um sinal de que também há espaço para quem está começando agora — inclusive vindo do universo dos livros digitais e plataformas como Wattpad e Tapas.

Fica o convite: se você é de Niterói ou região, vale acompanhar as próximas edições de perto — e, quem sabe, um dia estar do outro lado do palco.

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