sábado, 5 de março de 2022

China: O socialismo do século XXI - Elias Jabbour, Alberto Gabriele


Escrito para o público geral, o livro China: o socialismo do século XXI é um meticuloso trabalho teórico e estatístico de Elias Jabbour e Alberto Gabriele. A obra analisa a República Popular da China, gigante que se tornou, nas últimas duas décadas, a locomotiva do sistema econômico mundial. Afinal, o que é o socialismo chinês? É possível afirmar que difere do capitalismo tal qual o conhecemos até aqui, embora ainda seja prematuro defini-lo como alternativa consolidada.

Com uma postura crítica, os autores não desconsideram a complexidade da China e fogem de preconceitos ideológicos como enquadrar o país como mais um fracasso socialista ou, na via oposta, como um paraíso do comunismo realizado. Oferecem ao leitor uma abordagem materialista, que analisa a peculiaridade das relações de propriedade e das ferramentas de planejamento/projetamento vigentes no país. Tudo isso para apontar seu papel crucial como alternativa realista à anarquia do capital.

A obra apresenta um país que conseguiu, durante décadas, alcançar uma das taxas de crescimentos mais estáveis da história, passando de um dos mais pobres do mundo a segunda economia do planeta e que possui vasta base industrial e científica, sem ignorar que o sistema socioeconômico chinês também carrega contradições sérias que precisam ser analisadas e criticadas.

Silvio Almeida, que assina a quarta capa, afirma que "o livro de Elias Jabbour e Alberto Gabriele é um trabalho corajoso. E aqui não se trata de exaltar um aspecto moral, externo à obra. A coragem a que me refiro é um atributo essencial às grandes empreitadas intelectuais que objetivam iniciar um debate público e orientado pela ciência em torno de temas fundamentais. É com esse propósito que os autores enfrentam o desafio de analisar a formação econômico-social da China e os sentidos do socialismo. É um livro que tende a tornar-se ponto incontornável nas discussões sobre as singularidades da economia chinesa e, por consequência, das possibilidades de ressignificação do socialismo”.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Os Melhores Filmes e Series para Assistir com Pipoca



Olá pessoal, para esse feriadão preparei seleção de filmes e séries de arrasar. Começando com:

Projeto Adam


Adam volta no tempo, a fim de fazer uma parceria com sua versão de 13 anos. Sua missão? Confrontar o pai falecido e salvar o mundo.

Elvis de Baz Luhrmann


O filme aborda a vida e a música de Elvis Presley sob o prisma da sua tumultuada relação com seu empresário enigmático, o coronel Tom Parker. A história mergulha na complexa dinâmica entre Presley e Parker, que se estendeu por mais de 20 anos, desde a ascensão de Presley à fama até seu estrelato sem precedentes, tendo como pano de fundo a evolução da paisagem cultural e a perda da inocência na América. Dessa forma, no centro dessa jornada está uma das pessoas mais importantes e influentes na vida de Elvis, Priscilla Presley.

Belfast



Na Irlanda do Norte dos anos 60, um menino de 9 anos experimenta o amor, a alegria e a perda. Em meio a conflitos políticos e sociais, o garoto tenta encontrar um lugar seguro para sonhar enquanto sua família busca uma vida melhor.

Bridgerton 2ª temporada



Quando uma nova família chega à cidade, Anthony acredita que finalmente achou uma candidata à altura: Edwina. O problema é que a personagem vem acompanhada por sua irmã mais velha, Kate que desconfia das verdadeiras intenções do futuro cunhado.

Formula 1: Drive Survive 4ª temporada



Drive to Survive está de volta! A série documental produzida pela plataforma de streaming Netflix e que se tornou um enorme sucesso também para a Fórmula 1 nos últimos anos retorna para a quarta temporada no próximo dia 11 de março. Desta vez, os dez novos episódios vão retratar a intensa temporada 2022

Inventando Anna


A Netflix conta a história real de uma vigarista russa que usou toda a sua autoconfiança e habilidades de manipulação para enganar não só pessoas da alta sociedade de Nova York, como hotéis e instituições financeiras.


sábado, 19 de fevereiro de 2022

A Caçada: Como Derrubamos Pablo Escobar - Steve Murphy e Javier F. Peña


Nas décadas de 1980 e 1990, o impiedoso cartel de Medellín, liderado pelo traficante colombiano Pablo Escobar, foi responsável pelo tráfico de toneladas de cocaína para a América do Norte e a Europa. A Colômbia se tornou uma zona de guerra enquanto os sicarios do narcotraficante assassinavam sem misericórdia milhares de pessoas — concorrentes, policiais e civis — para garantir que Pablo Escobar continuasse sendo o barão das drogas da Colômbia.

Com uma renda de bilhões de dólares, ele subornou políticos e autoridades policiais, virando um herói para as comunidades mais pobres ao construir casas e centros esportivos. Tornou-se quase intocável, apesar dos esforços da Polícia Nacional da Colômbia para capturá-lo. Mas Escobar também era um dos criminosos mais procurados dos Estados Unidos, e a DEA estava determinada a vê-lo pagar por seus crimes. Os agentes Steve Murphy e Javier F. Peña foram designados para o Bloque de Búsqueda, a força-tarefa colombiano-americana criada para dar fim ao reinado de terror do narcotraficante.

Durante dezoito meses, entre julho de 1992 e dezembro de 1993, Steve e Javier viveram e trabalharam ao lado das autoridades colombianas, sempre na mira dos sicarios, já que Pablo Escobar oferecia US$300.000 pela cabeça de cada um. Sem se abater, eles se expuseram aos riscos e perigos, minando incansável e implacavelmente os recursos e aliados do narcotraficante, destruindo seu império e, fazendo com que ele operasse na clandestinidade e fugisse de seus inimigos em ambos os lados da lei.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Comentando Sobre o filme "Morte no Nilo"


O suspense “Morte no Nilo” é baseado no livro homônimo de Agatha Christie. Após adaptar a obra “Assassinato no Expresso do Oriente”, o diretor Kenneth Branagh desenvolve mais uma narrativa baseada na obra da autora e também interpreta uma importante figura na trama: Hercule Poirot, o detetive principal dos romances policiais.

Dessa vez, a história é centrada em Linnet Ridgeway, uma mulher rica, graciosa, encantadora que herdou uma fortuna de seus pais. A trama envolve seu relacionamento com o Simon Doyle, o ex-noivo de sua melhor amiga Jackie De Bellefort, durante a viagem para a Lua de Mel. Com diversos personagens misteriosos e correlacionados, todos se tornam suspeitos após um assassinato no meio da viagem. Apenas uma pessoa é capaz de solucionar o caso: o detetive Hercule Poirot, personagem clássico das obras de Agatha Christie.

A narrativa do filme instiga o público a prestar atenção em cada detalhe pela riqueza de conteúdo e a grande quantidade de personagens diferentes. As primeiras cenas abrem margem para uma contextualização da vida de Poirot e após uma representação de seu passado em preto e branco, o longa segue com a história do novo caso do detetive envolvendo a vida de Linnet.

Para essa representação, a paisagem do Egito é explorada tal como sua cultura, que são o palco das férias do detetive. O que a princípio parece um momento de descanso, se torna uma cena de um local suspeito, misterioso em meio a uma nova cena de investigação. Em contribuição com essa estética, a trilha sonora colabora efetivamente criando um ambiente sedutor e intrigante.

Há uma certa ousadia na tentativa de representar a história de época em paisagens excêntricas, com o ambiente propício aos acontecimentos daquele período. Para isso, em boa parte do filme o jogo de imagens enriquecem esse quadro visual, como os figurinos em cada ocasião e a fotografia da produção. No entanto, essa ousadia se excede em alguns detalhes e o famoso “fundo verde” fica explícito em certos momentos, como a dinâmica dos atores durante a representação das pirâmides.

A atriz Gal Gadot interpreta a principal Linnet e entrega na atuação os detalhes e a estrutura que compõe perfeitamente a personagem. Entretanto, há um grande destaque para Emma Mackey que dá vida a antagonista Jackie. A atriz consegue expressar de maneira surpreendente o drama vivido pela personagem, apenas por suas expressões físicas é possível reconhecer a vingança explícita de Jackie.

Outro destaque em “Morte no Nilo” é a personagem Salome Otterbourne, interpretada por Sophie Okonedo. No filme Salome apresenta características mais interessantes que a personagem do livro. Ela se torna uma mulher forte, instigante e que atrai atenção de todos pelo seu talento. A atuação de Sophie consegue entregar ao público grande admiração por Salome.

Comparação com o livro “Morte no Nilo”

Ao falar de adaptações, há sempre ressalvas no conteúdo. Nem sempre as produções audiovisuais conseguem seguir fielmente as obras literárias. No caso de “Morte no Nilo”, os pequenos detalhes modificados para o longa, não alteram a construção do roteiro e ao terminar a história, os fãs de Agatha Christie ficam satisfeitos com a releitura.


São pequenas circunstâncias que no filme são apresentadas de maneira diferente, mas no geral, o longa conecta bem as cenas com as descrições feitas durante o livro. Há diferenças na estética e descrição dos personagens, que conseguiram se tornar superiores quando adaptadas ao cinema. Como a própria escolha de Gal Gadot no papel principal.

No mais, “Morte no Nilo” é um filme rico em detalhes, com uma estética encantadora e apesar de certa ousadia nas figuras, atende bem a intenção proposta. O longa é uma boa adaptação da obra de Christie e surpreende o telespectador com o enredo desvendado por Hercule Poirot, que se torna o ápice da história, conectando todos os pontos e resolvendo cada brecha solta.



sábado, 5 de fevereiro de 2022

Mara: Uma Mulher que Amava Mussolini - Ritanna Armeni


Nascida em 1920, Mara tem 13 anos quando esta história começa. Ela vive em Roma, seu pai é lojista e sua mãe, dona de casa. Sua melhor amiga, Nadia, uma fascista convicta, leva Mara para ouvir Mussolini na Piazza Venezia sem o conhecimento de seus pais. Mara é uma menina como tantas outras, gosta de ler e sonha ser escritora ou jornalista quando crescer. Alimenta muitos sonhos e esperanças: estudar literatura latina e tornar-se bonita e independente como sua tia Luisa, com seus pequenos chapéus e seu caminhar rápido e confiante. O futuro parece ao seu alcance, seguro sob os olhos do Duce, cujo retrato é exibido entre duas poltronas em sua sala de estar. Isto é o que Mara pensa de Benito Mussolini, assim como muitos outros italianos que se apressam a ficar sob a varanda na Piazza Venezia. Até que a dúvida se instale, produzindo pequenas rachaduras, abrindo feridas e alterando o destino individual e coletivo. Narrando as histórias das mulheres, seu desejo de liberdade, emancipação, revolução, mas também amor, ternura, família, conhecimento e plenitude: é aqui que reside o verdadeiro talento de Ritanna Armeni.

Obra que promete trazer a luz a primeira dama do maior fascista de todos os tempo.

sábado, 29 de janeiro de 2022

THE END OF THE COLD WAR (O FIM DA GUERRA FRIA) - ROBERT SERVICE


A Guerra Fria parecia um elemento permanente na política global e, até seu desfecho, nenhum político ocidental ou soviético previu que o impasse entre as duas superpotências - após décadas de luta por todos os aspectos de segurança, política, economia e ideias - terminaria em suas vidas. Mesmo depois de março de 1985, quando Mikhail Gorbachëv se tornou o líder da União Soviética, não estava predeterminado que o Armagedom nuclear global poderia ou seria evitado pacificamente. 

Mas apenas quatro anos depois, o Muro de Berlim foi desmantelado e a perestroika se espalhou por todo o antigo bloco soviético. Foi uma mudança radical na história mundial, que resultou na dissolução da União Soviética. Com base em pesquisas de arquivo pioneiras, a nova e emocionante investigação de Robert Service sobre os anos finais da Guerra Fria aponta as surpreendentes relações entre o presidente Ronald Reagan e Mikhail Gorbachëv, o secretário de Estado George Shultz e o último ministro das Relações Exteriores da URSS, Eduard Shevardnadze, que encontrou um maneira de cooperar em tempos de mudanças extraordinárias em todo o mundo. A história é de pressão americana e declínio soviético de longo prazo e estiramento excessivo. O Fim da Guerra Fria mostra como aquele pequeno e habilidoso grupo de estadistas estava determinado a acabar com a Guerra Fria em seu turno. No processo, eles transformaram irreversivelmente o cenário geopolítico global.

Autoritário, convincente e meticulosamente pesquisado, esta é a história política no seu melhor.

sábado, 22 de janeiro de 2022

Nas pegadas da Alemoa - Ilko Minev


Descobrimos que nos arquivos federais em Berlim está guardado um documento antes secreto, com o título “Guayana-Projekt”, no qual o especialista em Amazônia e Untersturmführer da SS, Schulz-Kampfhenkel, recomenda explicitamente a invasão e a conquista da Guiana Francesa. Para ele, não era aceitável que a Inglaterra tivesse a Guiana, com sua capital Georgetown; que a Holanda fosse dona do Suriname; nem que os franceses possuíssem a Guiana Francesa, com sua capital Caiena, enquanto a Alemanha não tinha nenhuma base naquela região tão estratégica e rica em minerais. “A tomada das Guianas é uma questão de primeira importância por razões político-estratégicas e coloniais”, afirma ele. Em carta ao Reichsführer da SS, Heinrich Himmler, de 26 de abril 1940, Kampfhenkel dá ainda a receita para a fácil conquista daqueles territórios: a aliança com os indígenas e o aproveitamento das boas relações com o Brasil, cujo presidente, Getúlio Vargas, segundo ele, seria admirador de Hitler e de Mussolini.

sábado, 15 de janeiro de 2022

Antifrágil: Coisas que se Beneficiam com Caos - Nassim Nicholas Taleb



Em A lógica do Cisne Negro, Taleb demonstrou que acontecimentos altamente improváveis e imprevisíveis dominam a nossa existência. Em Antifrágil, o autor confere um novo conceito à incerteza, tornando-a desejável e até mesmo necessária.
Assim como ficamos fisicamente mais fortes quando submetidos à tensão, muitas coisas se beneficiam do estresse, da desordem e da volatilidade. O que Taleb identificou e chama de antifrágil não só tira proveito do caos, como precisa dele para sobreviver e florescer. O antifrágil está além do resiliente e do robusto. Estes resistem a choques e permanecem os mesmos; o antifrágil, por sua vez, se torna cada vez melhor. Além disso, ele é imune a erros de previsão e está protegido de eventos adversos.
Extremamente ambicioso e multidisciplinar, Antifrágil é sobre como se comportar ― e prosperar ― em um mundo cheio de imprevistos. Erudita e espirituosa, a mensagem de Taleb é revolucionária: o que não é antifrágil certamente sucumbirá.

“Mudou a minha visão de como o mundo funciona.” ― Daniel Kahneman, prêmio Nobel de economia e autor de Rápido e devagar

“Ambicioso e provocador... Extremamente divertido.” ― The Economist

“A voz mais profética de todos os tempos. Taleb é um filósofo genuinamente importante. Alguém capaz de mudar a maneira como enxergamos a estrutura do mundo somente com a força, originalidade e veracidade de suas ideias.” ― GQ

“Modificou o pensamento moderno.” ― The Times (Londres)

Sobre o autor

Nascido no Líbano, iniciou sua carreira como trader de derivativos em Wall Street. Após 21 anos nesse mercado e com vários milhões de dólares na conta, em 2006, mudou de carreira para se tornar um estudioso, pesquisador matemático e filósofo.

Taleb desdenha publicamente dos modelos promovidos pelo setor financeiro. Ele possui MBA em Wharton e um PhD da Universidade de Paris, mas acredita que a academia produz insights que estão muito distantes das realidades do mundo, e que diplomas acadêmicos são, em grande parte, apenas para as pessoas se exibirem.

sábado, 8 de janeiro de 2022

Cine Pipoca #022


Em 2022, a industria cinematográfica vem com tudo! Os principais studios estão apostando que esse séra o ano voltar em definitivo, após dois anos reféns do stream e estreia adiadas. Vamos conferir o que Hollywood nos preparou!

Durante suas férias no Egito, Hercule Poirot precisa investigar o assassinato de uma jovem herdeira, um crime que aconteceu a bordo de uma embarcação no Nilo. Um crime, muitos suspeitos. Um visual deslumbrante, luxuoso e com muito mistério que desperta a curiosidade.

Baseado em uma das séries de videogame mais vendidas e aclamadas pela crítica de todos os tempos, Uncharted: Fora do Mapa apresenta ao público o jovem e esperto Nathan Drake mostra sua primeira aventura de caça ao tesouro com seu sagaz parceiro Victor "Sully" Sullivan. Em uma aventura épica repleta de ação que se estende por todo o mundo, os dois partem em uma perigosa busca pelo "maior tesouro nunca encontrado", enquanto rastreiam pistas que podem levar ao paradeiro do irmão há muito perdido de Nathan.

Passados 25 anos, desde que uma onda de assassinatos brutais chocou a tranquila localidade de Woodsboro, um novo assassino toma o lugar de Ghostface e começa a perseguir um grupo de jovens para desenterrar segredos do passado sombrio da cidade.

Gravemente adoecido com um raro distúrbio sanguíneo e determinado a salvar outros que sofrem do mesmo destino, o Dr. Morbius arrisca tudo numa aposta desesperada. E embora a princípio tudo pareça um sucesso absoluto, surge uma escuridão que se desencadeia dentro dele. O bem superará o mal - ou Morbius sucumbirá aos seus novos e misteriosos desejos? Interpretado por Jared Leto vencedor do Oscar.

Em um dia atípico, uma série de coincidências levam Eduardo a conhecer Mônica em uma festa. Uma curiosidade é despertada entre os dois e, apesar de não serem parecidos, eles se apaixonam perdidamente. Em Brasília, na década de 1980, esse amor precisa amadurecer e aprender a superar as diferenças.

Poderá gostar de: Cine Pipoca #021.

sábado, 1 de janeiro de 2022

Comentando sobre o filme 'Não Olhe para Cima'.


E a Netflix surpreende mais uma vez!
Nessa vez um filme que tinha tudo para ser mais um desperdício de verba e elenco, (e que elenco), mas se provou uma enorme crítica política-social. Leia o texto abaixo:

Em uma era onde a sutileza é dispensada em prol do que é escancarado e dito com todas as letras, Não Olhe para Cima transforma o que seria mundano e pouco inventivo em algo quase genial. O novo trabalho de Adam McKay é uma ode ao fim do mundo como conhecemos – não um básico filme-catástrofe aos moldes de Armageddon ou até Impacto Profundo, mas uma trama regada pela burrice da humanidade.

Burrice talvez seja um termo muito “bruto” para falar das camadas do filme, mas é o mais próximo que temos do que vemos nos noticiários, nas ruas e nas redes sociais. Em frente a uma calamidade capaz de aniquilar toda a espécie, o povo se divide entre quem quer escutar os cientistas e quem vê no negacionismo não apenas um conforto, mas sim a ferramenta política necessária para controlar as massas.

E tudo começa da forma mais simples possível. Nos primeiros minutos, Kate Dibiasky (interpretada por Jennifer Lawrence, excepcional no papel) descobre um meteoro e logo avisa ao seu superior, o Dr. Randall Mindy (que é vivido por Leonardo DiCaprio, em uma performance simples mas eficaz). Os dois começam a fazer as pesquisas e descobrem que o novo corpo celeste está em rota de colisão para a Terra.

O filme só peca no excesso de personagem que no decorrer da trama vai lotando a história e alongando cenas.

Além dos protagonistas, talvez o único que se saia bem é Mark Rylance no papel de Peter Isherwell, um bilionário avoado e excêntrico, que reflete perfeitamente os tiques e surtos da new age de ricaços como Jeff Bezos e Elon Musk. E isso é bem incorporado no filme, exceto quando o próprio roteiro parece esquecer dele durante um bom tempo de duração para apenas resgatá-lo na reta final do longa.


Mas no geral, em meio a risos nervosos e ranger de dentes, o filme consegue divertir através do absurdo de suas situações, até porque vivemos em tempos tão absurdos quanto o que está em tela. Isso gera um sorriso amarelo e um suor frio escorrendo na testa, mas o entretenimento é garantido quando McKay vai até alguns extremos para criticar o status quo da contemporaneidade.

Um exemplo perfeito disso é Riley Bina e DJ Chello (vividos por Ariana Grande e Kid Cudi). Os dois seriam até descartáveis na trama se não estivessem tão afinados em um timing cômico que beira o non-sense – ao mesmo tempo em que isso serve como um breve holofote para a alienação das massas e a necessidade de celebridades e influenciadores que se posicionem, para guiar a manada ao pensamento crítico.

Em seu mais novo filme, Adam McKay prova que consegue ser como era antes – um diretor sincero e direto ao ponto, que não precisa de muito para entreter e divertir, e que também não carrega uma auto-importância descabida. Claro, não é o filme mais genial de todos os tempos, mas a verdade é que o momento atual exige algo muito mais na cara e desconfortável, sem espaço para sutilezas e licenças poéticas.