domingo, 17 de fevereiro de 2019

Viajando pelas Série #013 - Diablero

Embora a campanha de divulgação tenha focado muito mais no protagonista desta produção mexicana, a nova série da Netflix é capaz de agradar um amplo público aficionado por séries sobrenaturais, apresentando uma mitologia envolvente e personagens divertidos de se acompanhar.

A série traz um mundo onde os anjos desistiram da humanidade, e os demônios andam corriqueiramente entre nós. Humanos dedicados a impedir que estes demônios façam mal à sociedade são chamados de Diableros, representados pelo personagem Elvis (Horacio Garcia Rojas), que traz muitos dos elementos típicos deste estereótipo de “caçador”, e procura conquistar a afeição do espectador com sua personalidade inconsequente e seu charme cafajeste (Nada muito novo por aqui).

Sem muita enrolação, a temporada logo apresenta os outros
personagens que farão parte do grupo principal de “caçadores”, integrando-os em uma dinâmica de grupo perfeitamente funcional para o andamento da trama, de maneira orgânica, e dando o devido destaque a cada membro do grupo para que os personagens possam ser reconhecidos pelo espectador além de suas meras funções. Uckermann, por sua vez, interpreta o padre Ventura, um candidato a bispo que se vê distanciado da igreja após descobrir que a filha raptada de uma amiga é, na verdade, sua filha também.

Durante toda a trama, percebe-se como a história expressa uma completa descrença da religião e dos morais estabelecidos pela igreja. Condizente com a ideia de anjos que abandonaram a humanidade, os personagens não possuem nenhum respeito ou admiração pelas instituições religiosas, e dispensam vários comentários de Ventura simplesmente pelo fato dele ser um padre, convicto de suas crenças e tradições. Esta descrença também está presente na criação da antagonista desta temporada: uma freira que quase foi morta por um padre (após este tê-la engravidado), e se voltou para as práticas arcanas.

A fé (ou melhor, a falta de) é um tema recorrente em Diablero, ainda que não seja discutido com muito aprofundamento. Ao invés de discutir seus dilemas religiosos e o embate entre convicções de seus personagens, a série dedica muito mais tempo à exposição de sua mitologia e do universo sobrenatural que aborda, procurando conquistar o mesmo público que assistem séries gênero.

A proposta da série, no entanto, foi executada com algumas inconsistências durante a temporada. Os demônios da série são tratados como “ferramentas”, sempre direcionados por algum personagem, sendo, até mesmo, utilizados como “armas” em uma briga de gaiola ilegal. Suas ameaças são retratadas sempre através do choque visual ou da violência, e como o orçamento da série não é dos maiores, não demora muito até o espectador perder o medo destes antagonistas, diminuindo a atmosfera de tensão que parecia melhor estabelecida nos primeiros episódios (A maneira como Nancy é capaz de controlar estes demônios, por mais divertida que seja, também auxilia nesta quebra de tensão).

Porém, é importante notar como a série parece buscar um equilíbrio entre a tensão/terror e a aventura descompromissada, regada à alívios cômicos e situações absurdas, ainda que nem sempre consiga implementar a melhor estrutura para estas mudanças tonais do roteiro. Parte do humor não funciona por contradizer o ambiente da cena, e algumas das sequências mais assustadoras acabam não tendo a antecipação necessária. Este conflito tonal nunca chega a ser incomodamente discrepante, mas também impede que alguns episódios atinjam todo o seu potencial.

Diablero traz cenas de ação e terror que devem agradar a parte menos comprometida do público. A caracterização dos demônios lembra, em parte, a abordagem visualmente desconcertante da franquia “Evil Dead”, e evidencia ainda mais a proposta da série de manter uma certa descontração. Para fãs do gênero, há um entusiasmo perceptível na produção de algumas sequências um pouco mais mirabolantes, que mantém o ritmo dos episódios fluindo com eficiência.

E pensando sobre o futuro de Diablero, anjos continuam sendo um ponto interessante desta história, mas a maneira como são retratados pelo final da temporada é pouco instigante. Outros ganchos como o “Conclave” e o destino do filho de Keta (Fátima Molina), pelo menos, deixam espaço o suficiente para que os fãs teorizem à vontade, enquanto esperam uma segunda temporada que (eu acredito) estaria muito melhor estabelecida e consciente de suas intenções, pronta para expandir ainda mais este universo e proporcionar uma escala ainda mais envolvente para novas tramas.

Esta primeira temporada de Diableros cai em algumas armadilhas narrativas, e nem sempre consegue corresponder sua ambição. Eu por exemplo assisti a série mais por onde ela foi ambientada, México, país onde a crença em assuntos sobrenaturais são um mundo a parte.




















segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Livro A Classe Média no Espelho - Jessé Souza


Em A classe média no espelho, ele desconstrói os maiores mitos que procuram perpetuar o desconhecimento da classe média sobre si mesma. O primeiro é o de que sua definição é determinada exclusivamente pela renda. Jessé vai além das teorias sociais que se baseiam apenas na esfera do dinheiro e do poder em direção a uma análise mais profunda das ideias e dos valores morais dessa parcela da população. O segundo mito é a concepção cultural do brasileiro "vira-lata", inferior, emotivo e corrupto por natureza – mentiras que a elite e seus intelectuais inventaram para melhor doutrinar e manipular a classe média. Jessé reconstrói a história dessa classe no mundo e no Brasil, e reflete sobre a posição que ela assume na relação com a elite e as classes populares no país. Assim, ele mostra como é possível compreender as fontes de seu comportamento prático e as origens de seus princípios. O livro conta com um imenso e rico material, resultado de centenas de entrevistas realizadas com pessoas das mais variadas frações da classe média entre 2015 e 2018, em diversas cidades brasileiras. O objetivo é criar um espelho no qual as visões de mundo mais características dessa classe social possam ser vistas de um modo novo e desafiador. Não se pede do leitor qualquer conhecimento prévio, apenas coragem para olhar para si mesmo despido de preconceitos – o verdadeiro pressuposto de qualquer aprendizado real.


Em sua primeira obra inédita depois do sucesso de A elite do atraso, de 2017, Jessé Souza se dedica a compreender a classe média brasileira. Com o mesmo estilo claro e acessível, mas sem fazer concessões à superficialidade, ele agora apresenta uma visão original e inovadora dessa classe fundamental da sociedade.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Livro A Justiça a Qualquer Preço - John Grisham


Mark, Todd e Zola ingressaram na faculdade de Direito porque queriam mudar o mundo e torná-lo um lugar melhor. Fizeram empréstimos altíssimos para pagar uma instituição de ponta e agora, cursando o último semestre, descobrem que os formandos raramente passam no exame da Ordem dos Advogados e, muito menos, conseguem bons empregos. Quando ficam sabendo que a universidade pertence a um obscuro operador de investimentos de alto risco que, por acaso, também é dono de um banco especializado em empréstimos estudantis, os três se dão conta de que caíram no grande golpe das faculdades de Direito. Então eles começam a bolar uma forma de se livrar da dívida esmagadora, desmascarar o banco e o esquema fraudulento e ainda ganhar alguns trocados no caminho. Mas, para isso, precisam abandonar a faculdade, fingir que são habilitados a exercer a profissão e entrar em uma batalha contra um bilionário e o FBI.

Arranje uma poltrona bem confortável, porque você não vai conseguir largar Justiça a qualquer preço.


"Grisham atinge sua melhor forma quando usa seu senso de humor sarcástico para tratar a ética por vezes questionável do Direito e dos bancos." – USA Today

"Uma história escrita com inteligência. Gratificante e bem realista. Bravo!" – The Washington Post

domingo, 27 de janeiro de 2019

Museu do Vídeo Game Itinerante - RJ


Exposição altamente nostálgica, ver todo seu passado em consoles que vai de Atari aos Playstations de hoje. Para os mais antigos o Brown Box (1967), uma verdadeira volta no tempo. Vamos conferir!!

Um dos mais visitados eventos de videogames do país inicia sua temporada 2019 no Rio de Janeiro, que vai de 12 de janeiro a 3 de fevereiro, no Shopping Nova América. Com entrada franca e aberta ao público, serão mais de 300 consoles de todas as gerações em exposições, dezenas de consoles antigos para jogar, além de trazer Palco Just Dance, simuladores de corridas, torneios de jogos antigos e atuais, controles gigantes e as áreas PlayStation VR, Nintendo Switch e XBOX ONE X. 


A exposição totalmente interativa resgata quatro décadas de história da evolução dos videogames. De acordo com o curador do Museu do Videogame, Cleidson Lima, entre as relíquias estão o primeiro console fabricado no mundo, o Magnavox Odyssey, de 1972; o Atari Pong (primeiro console doméstico da Atari), de 1976; Fairchild Channel F, de 1976
(primeiro console a usar cartuchos de jogos); o Telejogo Philco Ford, de 1977 (o primeiro vídeo game fabricado no Brasil); o Nintendo Virtual Boy, de 1995 (primeiro a rodar jogos 3D); o Vectrex, de 1982 (console com jogos vetoriais que já vinha com monitor); o Microvision (primeiro portátil a usar cartucho), de 1979 e o R.O.B (robozinho lançado juntamente com o Nintendo 8 bits, em 1985). Não esquecendo o Brown Box de 1967, que fato foi o primeiro Protótipo criado por Ralph Baer.

Um dos diferenciais do Museu do Videogame Itinerante é que, além de conhecer consoles e jogos raros, os visitantes também podem jogar em alguns videogames que fizeram história, tais como o Telejogo Philco-Ford, Atari 2600 , Odyssey, Nintendinho 8 bits, Master System, Mega Drive, Sega CD, Super Nintendo, Neo Geo, Panasonic 3DO, Turbografx, Nintendo 64, Game Cube, Sega Dreamcast, Xbox, Playstation 1, PlayStation 2, entre outros. 

Além das ilhas de antigos, o Museu do Videogame Itinerante também tem espaço para as novas gerações de consoles. Os visitantes poderão conhecer e jogar lançamentos da PlayStation em totens multimídia com PlayStation 4 já conhecidos nos grandes eventos de games no Brasil e no exterior. Além disso, é possível também pilotar supermáquinas em cockpits para PS4 que trazem gráficos como se estivesse em uma pista real. 


Outra área de destaque será a do PlayStation VR, na qual os visitantes poderão experimentar, gratuitamente, a nova tecnologia de realidade virtual para os consoles PlayStation 4. Para os amantes da Nintendo, o evento contará também com a área do Switch, novo console da companhia japonesa que será uma mistura de console e portátil. Os visitantes também poderão conhecer e jogar no novo console da Microsoft: o XBOX ONE X.

Para aqueles que curtem dançar e suar a camisa, tem outra atração no evento será o palco Just Dance. Nele, o jogador é desafiado a imitar os mesmos movimentos de dançarinos profissionais virtuais e, assim, alcançar a melhor pontuação no ranking do evento. Os mais bem colocados poderão, inclusive, participar do concurso Just Dance, da Ubisoft, e faturar brindes e prêmios.
Um dos momentos mais aguardados será o concurso de Cosplay, atividade em que as pessoas se caracterizam e interpretam seus personagens preferidos de anime (animações japonesas), mangá (quadrinhos japoneses) ou videogames.


domingo, 20 de janeiro de 2019

Viajando pelas Séries #012 - The Good Doctor.


The good doctor é uma série estrelada por Freddie Highmore como Shaun Murphy, um jovem médico recém-formado, com síndrome de Asperger e traços de savantismo e faz parte da equipe de residentes do San Jose St. Bonaventure Hospital. Antonia Thomas, Nicholas González, Beau Garrett, Hill Harper, Richard Schiff e Tamlyn Tomita também estrelam o programa. A série recebeu o compromisso de colocar um piloto na ABC depois que a proposta não avançou na CBS Television Studios em 2015; A primeira temporada de 'The Good Doctor foi encomendada e estreou em outubro de 2017. Em 3 de outubro de 2017, a ABC uma segunda temporada completa com 18 episódios. A maioria das cenas da série é filmada em Vancouver, no Canadá. The Good Doctor começou a ser transmitido pela ABC a partir de 25 de setembro de 2017. A série recebeu múltiplas críticas positivas, com elogios ao desempenho de Highmore e altos índices de audiência. Em março de 2018, a ABC renovou a série para uma segunda temporada, que estreou em 24 de setembro de 2018.

Série de televisão dramática americana baseada na série homônima sul-coreana de 2013, que foi exaustivamente premiada. O ator Daniel Dae Kim, ao visitar o seu país de origem, assistiu alguns episódios e acabou comprando os direitos da série. Dae fez a proposta de um piloto para a CBS, enquanto trabalhava na emissora em 2015. Mas a emissora acabou rejeitando o projeto da série. Com a rejeição do projeto, Kim recomprou os direitos da série e a ofereceu para diversas emissoras e produtoras. Eventualmente, a ABC aceitou a proposta e comprou os direitos. Durante a pré produção da série David Shore, criador do drama médico da Fox, House foi contratado para desenvolver a série. O programa é produzido pela Sony Pictures Television e pela ABC Studios, em associação com as produtoras Shore Z Productions, 3AD e Entermedia. David Shore serve como o showrunner e Daniel Dae Kim é um produtor executivo da série.

Sinopse
A série mostra Shaun Murphy, jovem cirurgião com síndrome de Asperger, originário de uma pequena cidade onde teve uma infância problemática. Ele se desloca para se juntar ao prestigioso departamento de cirurgia do Hospital San Jose St. Bonaventure, onde ele usa seus talentos para salvar vidas e desafiar o ceticismo de seus colegas. Ele é auxiliado por seu mentor e bom amigo, Aaron Glassman.

Recepção de crítica
Freddie Highmore recebeu o reconhecimento de prêmios que o ignorou há muito e injustamente. ..." Bradley sente que o desempenho de Highmore foi "a chave central "para o enorme sucesso do programa e, embora a série tenha revisões mornas, a maioria dos críticos elogiou o trabalho de Highmore. Vanity Fair

Em sua maior parte, o drama é um "melodrama hospitalar com ciência médica renomada", um toque de romance intrapessoal e sentimentalismo sem vergonha." Discutir os principais personagens do Dr. Aaron Glassman (Richard Schiff) e do Dr. Shaun Murphy (Freddie Highmore), no entanto, Poniewozik escreve que "o Sr. Schiff é convincente no papel e o Sr. Highmore é impressionante no dele." James Poniewozik - New York Times.


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domingo, 6 de janeiro de 2019

Livro Fogo & Sangue - Volume 1 por George R. R. Martin


A arrebatadora história dos Targaryen ganha vida neste novo livro de George R.R. Martin, autor de As Crônicas de Gelo e Fogo, série que inspirou a adaptação de sucesso da HBO, "Game of Thrones".

Séculos antes dos eventos de A guerra dos tronos, a Casa Targaryen - única família de senhores dos dragões a sobreviver à Destruição de Valíria - tomou residência em Pedra do Dragão. A história de Fogo e sangue começa com o lendário Aegon, o Conquistador, criador do Trono de Ferro, e segue narrando as gerações de Targaryen que lutaram para manter o assento, até a guerra civil que quase destruiu sua dinastia.
O que realmente aconteceu durante a Dança dos Dragões? Por que era tão perigoso visitar Valíria depois da Destruição? Quais foram os piores crimes de Maegor, o Cruel? Essas são algumas das questões respondidas neste livro essencial, relatadas por um sábio meistre da Cidadela.
Ricamente ilustrado com mais de oitenta imagens assinadas pelo artista Doug Wheatley, Fogo e sangue dará aos leitores uma nova e completa visão da fascinante história de Westeros - um livro imperdível para os fãs do autor.


Leia um trecho do livro aqui.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

O Fim da Internet - Artigo 13.


Oi gente, foi aprovada uma lei na União Europeia de põe em risco a liberdade expressão e todas plataformas digitais não só na Europa, mas no mundo inteiro. Confira Atentamente o vídeo abaixo!





Tempos sombrios avirão até para web. Preprem-se!

domingo, 25 de novembro de 2018

Livro Como as Democracias Morrem - Daniel Ziblatt e Steven Levitsky


Sinopse:
Uma análise crua e perturbadora do fim das democracias em todo o mundo Democracias tradicionais entram em colapso? Essa é a questão que Steven Levitsky e Daniel Ziblatt - dois conceituados professores de Harvard - respondem ao discutir o modo como a eleição de Donald Trump se tornou possível. Para isso comparam o caso de Trump com exemplos históricos de rompimento da democracia nos últimos cem anos: da ascensão de Hitler e Mussolini nos anos 1930 à atual onda populista de extrema-direita na Europa, passando pelas ditaduras militares da América Latina dos anos 1970. E alertam: a democracia atualmente não termina com uma ruptura violenta nos moldes de uma revolução ou de um golpe militar; agora, a escalada do autoritarismo se dá com o enfraquecimento lento e constante de instituições críticas - como o judiciário e a imprensa - e a erosão gradual de normas políticas de longa data. Sucesso de público e de crítica nos Estados Unidos e na Europa, esta é uma obra fundamental para o momento conturbado que vivemos no Brasil e em boa parte do mundo e um guia indispensável para manter e recuperar democracias ameaçadas.

Observando o cenário político
Em trecho da introdução de Como as democracias morrem, os autores Steven Levitsky e Daniel Ziblatt escrevem que “políticos norte-americanos agora tratam seus rivais como inimigos, intimidam a imprensa livre e ameaçam rejeitar o resultado das eleições”. A observação pode, facilmente, ser transposta para a realidade atual brasileira, sobretudo durante o acirramento da corrida pelo segundo turno das eleições presidenciais, quando o viés autoritário de uma das candidaturas se faz cada vez mais visível. O livro faz parte de uma leva recente de publicações que ajudam o leitor a compreender melhor o cenário político contemporâneo, dentro e fora do país.

E embora o contexto recente dos EUA, a partir da eleição de Trump, seja um dos pontos de partida para a argumentação do recém-lançado livro, a obra analisa evidências de colapso democrático e fortalecimento de movimentos autoritários em outras partes do mundo e outras épocas. O atual presidente norte-americano, aliás, é definido pelos autores como alguém "com aparente pouco compromisso no que diz respeito a direitos constitucionais e dono de claras tendências autoritárias".

Professores de ciência política na Universidade de Harvard, nos EUA, Levitsky e Ziblatt percorrem episódios como a ascensão do nazismo e fascismo na década de 1930, governos militares da América Latina entre os anos 1960 e 1970 etc. Enquanto a maior parte dos casos citados no livro teve atuação direta ou indireta de militares, por via de golpes ou coerção, a dupla de autores dedica atenção especial a governos autoritários postos no poder por meios democráticos.

"A via eleitoral para o colapso é perigosamente enganosa. Com um golpe de estado clássico, como no Chile de Pinochet, a morte da democracia é imediata e evidente para todos", escrevem os autores. "O palácio presidencial arde em chamas. O presidente é morto, aprisionado ou exilado. A Constituição é suspensa ou abandonada", complementam. "Na via eleitoral, nenhuma dessas coisas acontecem", observam, afirmando que, nesse contexto, os governantes eleitos "mantêm um verniz de democracia enquanto correm a sua essência".

Os autoritários eleitos, sugerem Levitsky e Ziblatt, realizam essa movimentação de maneira lenta, com medidas que podem, à primeira vista, serem pertinentes e legais. "São adotadas sob o pretexto de diligenciar algum objetivo público legitimo – e mesmo elogiável –, como combater a corrupção, 'limpar' as eleições, aperfeiçoar a qualidade da democracia ou aumentar a segurança nacional".

Situações de crise econômica ou agravamento de problemas sociais, como tem ocorrido nos últimos anos no Brasil, são propícias ao surgimento de candidatos com viés autoritário, asseguram os autores de Como as democracias morrem. E, com frequência, são figuras populistas, outsiders, como presidentes eleitos na Bolívia, no Equador, no Peru e na Venezuela nas últimas décadas, a exemplo de Alberto Fujimori, Hugo Chávez, Evo Morales, Lucio Gutiérrez e Rafael Correa. "Todos os cinco acabaram enfraquecendo as instituições democráticas".


domingo, 18 de novembro de 2018

Comentando sobre o filme Animais Fantásticos e os Crimes de Grindelwald


Cara que filme! Foi realmente mágico, uma história bem construída e envolvente que prende atenção até o ultimo segundo deixando um gostinho de quero mais para o terceiro filme. Dumbledore e Newt Scamander fazem uma dupla realmente poderosa. Neste longa fica claro a relação entre Dumbledore e Grindelwald e também explica muitas coisas que nos filmes anteriores ficavam meio soltas. Ao meu ver Dumbledore tem quase a mesma relação com Newt que tinha com Harry (se é que vocês me entendem, e adiantando a ordem cronológica das coisas). Foi nostálgico ver Hogwarts erguida décadas antes de ser destruída na batalha entre Harry e Voldermort, ver como a família Lestrange era problemática desde os primeiros descendentes. É interessante observar como as alianças foram formadas em momentos frágeis de cada personagem.

Neste filme, já é possível entender (mesmo de modo amplo) os motivos do comportamento do vilão. Tudo indica que os três longas futuros darão mais chão no que se refere ao que Grindelwald almeja, tais como motivações mais aprofundadas. O fato é que ele sabe muito bem como induzir seus potenciais seguidores a pensarem diferente e seguirem seu raciocínio – por mais que dê apenas um panorama geral da realidade que ele acredita ser a verídica. Ao contrário de Voldemort, que era violento em suas palavras e atos, o Grindelwald de Johnny Depp é tão esperto quanto meticuloso pois sabe exatamente qual será o peso de suas palavras. Sua persuasão pode parecer sutil aos olhos de alguns, mas é bem mais poderosa do que os feitiços que profere.



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