domingo, 7 de maio de 2023

Crimeia: A história da guerra que redesenhou o mapa da Europa no século XIX - Orlando Figes


A história da guerra que redesenhou o mapa da Europa no século XIX. Do autor de Uma história cultural da Rússia.

A Guerra da Crimeia, anterior à Primeira Guerra Mundial, foi o maior conflito do século XIX. No entanto, há poucas obras que se dediquem a detalhar essa história, eclipsada pelas duas guerras mundiais que ocorreram em seguida. Em Crimeia, o renomado historiador Orlando Figes se baseia em fontes russas, francesas, otomanas e britânicas para fornecer um relato completo e preencher essa lacuna.

O autor narra os detalhes de uma guerra trágica, motivada pela crença fervorosa e populista, por parte do tsar Nicolau I e de seus ministros, de que era dever da Rússia governar todos os cristãos ortodoxos e controlar a Terra Santa. Após uma contenda com líderes religiosos otomanos em 1853, tropas russas invadiram uma área disputada na atual Romênia, fazendo com que a desavença da Grã-Bretanha e da Turquia com a Rússia atingisse o ponto de ebulição. A opinião francesa era menos apaixonada, mas os anseios de Napoleão III pela glória militar eram fortes o bastante para incentivar sua participação no confronto.

O extraordinário conflito inflamou a rivalidade entre a Rússia e o Império Otomano em relação aos Bálcãs, desestabilizou as relações entre as potências europeias e acendeu uma fagulha para a Primeira Guerra Mundial. Tendo praticamente redesenhado o mapa da Europa e causado a morte de incontáveis militares e civis, a Guerra da Crimeia foi travada com tecnologia industrial e marcada por soldados entrincheirados na neve, cirurgiões atuando no campo de batalha, cobertura da imprensa por intermédio de repórteres correspondentes e a fanática e assombrada figura do tsar Nicolau I.

Por meio de um relato lúcido, vívido e sensível, em Crimeia, Orlando Figes lança luz sobre os fatores geopolíticos, culturais e religiosos que moldaram o envolvimento de cada potência nessa contenda.

domingo, 30 de abril de 2023

Cine Pipoca #027


Olá pensadores, na coluna de hoje selecionei alguns dos melhores longas que prometem estourar as bilheterias e outros recordes. Veja!



Cavaleiros do Zodíaco traz a saga de Saint Seiya para a tela grande em live-action pela primeira vez. Seiya, um obstinado adolescente de rua, passa seu tempo lutando por dinheiro enquanto procura por sua irmã sequestrada. Quando uma de suas lutas displicentemente explora poderes místicos que ele nunca soube que tinha, Seiya se vê lançado em um mundo de santos guerreiros, treinamento mágico antigo e uma deusa reencarnada que precisa de sua proteção. Se ele quiser sobreviver, precisará abraçar seu destino e sacrificar tudo para ocupar seu lugar de direito entre os Cavaleiros do Zodíaco.



Uma nova versão do clássico filme de Alexandre Dumas, em que o jovem D'Artagnan sonha em se tornar um mosqueteiro. Para alcançar seu objetivo, ele tem a ajuda de Athos, Porthos e Aramis, que, juntos, farão de tudo para defender o trono francês.



O famoso grupo de desajustados está bastante diferente nos dias de hoje. Peter Quill, que ainda está a recuperar da perda de Gamora, tem que reunir a sua equipa para defender o universo e proteger um dos seus. Uma missão que, se não for concluída com sucesso, pode levar ao fim dos Guardiões como os conhecemos. Um filme de James Gunn.

 

Dom Toretto e sua família devem lidar com o adversário mais letal que já enfrentaram. Alimentada pela vingança, uma ameaça terrível emerge das sombras do passado para destruir o mundo de Dom e todos que ele ama.



Ariel é uma sereia princesa de dezesseis anos de idade insatisfeita com a vida no fundo do mar e curiosa sobre o mundo na terra. Ela se apaixona por um príncipe humano e faz um acordo com a bruxa do mar para transformar-se em humana.

Você também poderá gostar de: Cine Pipoca 26.

domingo, 23 de abril de 2023

Joana D'arc: Garota, guerreira, herege e santa - Katherine J. Chen


Um épico emocionante, triunfo da ficção histórica, releitura feminista de uma mulher notável ― e extraordinariamente real ―, que deixou uma marca profunda na História.

1421. A França parece prestes a perder a guerra contra a Inglaterra. Enquanto o país se afunda na lama de batalhas sangrentas, o povo passa fome... e o rei permanece escondido.

Desse caos surge uma jovem capaz de mudar o rumo da guerra e liderar os franceses à vitória. E o nome dessa garota imprudente, obstinada e brilhante – uma heroína improvável – ecoará através dos séculos: a guerreira, a herética, a santa Joana D’Arc.

Nas mãos de Katherine J. Chen, o mito e a lenda de Joana D’Arc ganham vida neste romance fruto de meticulosa pesquisa. Sua vida é narrada, com maestria, desde a infância repleta tanto de alegria quanto de violência até a ascensão meteórica ao posto de líder do exército francês no fim da Guerra de Cem Anos, em meio aos perigos nos campos de batalha e às ainda mais traiçoeiras intrigas da corte.

“A Joana D’Arc de Katherine J. Chen não é uma donzela piedosa, mas uma guerreira forte, mestre em estratégia e logística de guerra; e, sim, ela realmente arrancou uma flecha do próprio pescoço.” – Margaret Atwood, autora de O conto da Aia

“Um romance glorioso e arrebatador... Ricamente imaginado, comovente e inspirador.” – Jennifer Saint, autora de Ariadne

“Uma releitura pagã e uma celebração feminista da vida de Joana D’Arc, transformando a lendária santa em uma jovem imperfeita, mas justamente por isso verdadeira.” – USA Today

Autora

Katherine J. Chen é uma escritora norte-americana. Possui trabalhos publicados em meios como The New York Times, Los Angeles Review of Books e Literary Hub, além da coletânea de ficção científica Stories from Suffragette City. É autora do best-seller Mary B. É mestre em Belas-Artes pela universidade de Boston, nos EUA, onde também trabalhou como professora e pesquisadora, recebendo o Florence Engel Randall Fiction Prize.

domingo, 16 de abril de 2023

O Hacker de Hong Kong - Chan Ho-kei

Após uma infância difícil, a bibliotecária Nga-Yee teve de aprender a enfrentar a vida ao lado da irmã mais nova, Siu-Man. Pela primeira vez desde a morte dos pais, elas começam a viver com certa estabilidade. Certo dia, ao voltar do trabalho, Nga-Yee se depara com uma multidão diante de seu prédio, e nada poderia tê-la preparado para aquela cena: cercado pela polícia e pelos pedestres, está o corpo de Siu-Man. A jovem pulou do vigésimo segundo andar. Sem conseguir acreditar na hipótese de suicídio, Nga-Yee se lança em uma perturbadora investigação pelo submundo de Hong Kong. Aos poucos, algumas peças vão se encaixando para explicar a tragédia, enquanto outros mistérios despontam: viagens de metrô, acusações na internet, cyberbullying. E é esse caminho tortuoso que leva Nga-Yee a N, um homem sombrio que pode ser a peça-chave em sua busca por respostas ― e também sua única chance de fazer justiça.

Opinião

A obra traz uma miscelânea de temas que vão se interligando para formar um intrincado e ágil suspense desses pra devorar as páginas – e o livro é um belo calhamaço de quase quinhentas páginas. Mas isso pouco importa. A partir do momento em que o jogo de vingança dessa história prender a sua atenção, você nem vai se dar conta da quantidade de páginas lidas.

A primeira grande característica dessa obra é o bom uso da tecnologia para a construção do suspense. O hacker que dá título ao livro, conhecido como N, é um personagem incomum, meio anti-herói, mas detentor de conhecimentos que acessam qualquer dispositivo em qualquer lugar. Ao longo da história vamos acompanhar diferentes tecnologias e macetes para hackear, se infiltrar, roubar dados, filmar ambientes e empurrar personagens para as mais diferentes reações.

Outro ponto é que o livro tem uma narrativa muito ágil, fazendo jus à classificação de thriller de ação. Nós somos jogados em uma brincadeira de gato e rato para desvendar um mistério e depois colocar em jogo um plano de vingança. Isso acontece em duas tramas aparentemente distintas, mas que lá na etapa final vão se unir e trazer um belo de um plot twist desses que deixam os leitores entusiasmados com o quanto foram enganados. Chan Ho-Kei soube trabalhar suas histórias de um jeito que não conseguimos em nenhum momento captar a menor sombra de onde é que elas vão se unir.

Chan Ho-Kei vai esfregar na cara dos leitores o quanto o comportamento protegido por trás das telas pode alterar fatos e destruir vidas. A manipulação que a internet permite é algo que talvez nenhum de nós faça a menor ideia do quão grande e perigoso é. As cenas que se passam a partir de fóruns em um site facilmente vão nos lembrar o que vemos dia a dia no Twitter, por exemplo. Há personagens prontos para julgar, emitir opiniões ou instigar os outros a qualquer coisa. Até mesmo renunciar à vida.

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Onde Estão as Flores? - Ilko Minev


Licco Razan é um velho vivido que quer contar a sua história para que a família entenda toda uma trajetória que começou na distante Bulgária, passou pela Turquia e foi se enraizar na Amazônia.

Ilko Minev, um imigrante que foi exilado político na Bélgica antes de vir para o Brasil e que sentiu na pele a ação terrível de um regime totalitário, além das dificuldades de fazer sua uma terra com hábitos e costumes tão diferentes, utiliza-se de uma mistura de elementos históricos com uma narrativa muito rica e fluida para criar Onde estão as flores?

Traçando um panorama histórico da Europa, neste livro Minev descreve o até então inédito salvamento dos 50 mil judeus búlgaros, dando detalhes do fluxo migratório dos judeus para a pouco habitada Região Norte do Brasil e defendendo sem ideologismo um mundo sem guerras.

O título do livro é inspirado na canção “Where have all the flowers gone?”, eternizada por Marlene Dietrich e que se tornou uma espécie de hino contra as guerras.

Também poderá gostar de: Nas Pegadas da Alemoa - Ilko Minev.

domingo, 2 de abril de 2023

Sussurros: A vida privada na Rússia de Stalin - Orlando Figes


O livro conta os bastidores de um dos mais importantes momentos políticos dos tempos modernos. E entra no território inexplorado das vidas privadas durante aqueles anos terríveis.

Sussurros revela as histórias ocultas de famílias soviéticas comuns que viveram sob a tirania de Stalin. Muitos livros descrevem os aspectos externos desse período - as prisões e os julgamentos, as escravizações e os assassinatos no Gulag -, mas este é o primeiro a explorar com profundidade sua influência na vida de quem sofreu as opressões stalinistas. 

Como o povo soviético conduzia sua vida privada durante o governo de Stalin? O que as pessoas realmente pensavam e sentiam? Que tipo de cotidiano era possível nos apartamentos comunais abarrotados, onde quartos eram divididos por uma família inteira - às vezes até por mais de uma - e as conversas podiam ser ouvidas no cômodo ao lado? O que significava a vida privada quando o Estado controlava quase todos os aspectos dela por meio da legislação, da vigilância e da ideologia?

A esfera moral familiar é o principal território de Orlando Figes. O autor explora como esses núcleos reagiam às várias pressões do regime soviético. E não foram poucos os afetados pelo terror: estimativas mostram que cerca de 25 milhões de pessoas foram reprimidas pelo regime soviético entre 1928, quando Stalin assumiu a liderança do partido, e 1953, ano da morte do ditador e do fim de seu reino de horror.

A obra é fundamentado em centenas de documentos (cartas, diários, documentos pessoais, memórias, fotografias e objetos) escondidos até recentemente por sobreviventes do terror de Stalin em gavetas e sob colchões em casas espalhadas pela Rússia. Em cada família, foram feitas longas entrevistas com os parentes mais velhos, capazes de explicar o contexto dos documentos e situá-los na história não contada. Esses materiais foram reunidos em um arquivo especial, que representa uma das maiores coleções de documentos sobre a vida privada no período de Stalin.

Um vasto retrato panorâmico de uma sociedade em que todos falavam em sussurros - seja para proteger suas famílias e amigos, ou para informá-los -, Sussurros é um relato emocionante sobre vidas vividas em tempos impossíveis.

domingo, 26 de março de 2023

Bilionários Nazistas - David de Jong


Um livro inquietante que reconstitui os mecanismos de violência e corrupção que estão na origem da riqueza de várias das dinastias empresariais mais poderosas do mundo. Bilionários nazistas é uma prova de que o resgate da memória histórica sobre esse sinistro período continua relevante e necessário.

A história do nazismo na Alemanha é inseparável das biografias dos industriais e financistas que ajudaram Adolf Hitler a conquistar o poder absoluto e lucraram milhões com as atrocidades do Terceiro Reich – são nomes como os Von Finck, Porsche, Oetker e Quandt. Aduladores e inescrupulosos, eles ampliaram seus impérios através do roubo de propriedades judaicas e da exploração do trabalho forçado de vítimas da barbárie nazista, além da fabricação de armas e munições. 

A brandura do julgamento de seus crimes no pós-guerra possibilitou a continuidade de suas dinastias empresariais, cujos herdeiros acumulam fortunas e administram marcas mundialmente famosas até hoje, como Volkswagen, Dr. Oetker, BMW e Allianz. E por que, depois de tantas décadas, eles ainda estão fazendo tão pouco para reconhecer os crimes de seus antepassados?

Debruçado sobre milhares de documentos e fontes originais, além de abrangentes pesquisas historiográficas, o jornalista e historiador David de Jong – holandês de origem judaica – disseca as origens obscuras das fortunas multiplicadas a ferro e fogo entre 1933 e 1945. Neste livro, seu trabalho de estreia, o autor faz um chamado ao resgate da memória do genocídio nazista, tarefa primordial em tempos de ressurgência do extremismo antidemocrático.

Opinião

A Segunda Guerra Mundial é, provavelmente, o evento histórico sobre o qual mais se escreveu em todos os tempos. Existem inúmeros relatos das sangrentas batalhas pela Europa, assim como há documentos sobre as atrocidades contra os judeus e as festas pela vitória dos aliados. Há um tema, porém, que sempre permaneceu nas sombras, seja pela dificuldade em obter fontes confiáveis ou pelo receio de envolver conglomerados poderosíssimos. Estamos falando do financiamento privado do nazismo, injeção de dinheiro que tornou mais eficaz a máquina de propaganda de Joseph Goebbels, levando Adolf Hitler ao poder – e o mantendo por lá firme e forte, mesmo após a escalada extremista do regime. Em Bilionários Nazistas, livro corajoso e historicamente bem fundamentado, o repórter investigativo holandês David de Jong revela como as dinastias mais ricas da Alemanha acumularam fortunas e poderes incalculáveis graças ao apoio ao Terceiro Reich.

A estratégia era clara: os empresários expropriavam companhias judaicas concorrentes e eram beneficiados com o uso de trabalhadores escravos vindos de países como Ucrânia e Polônia. Em troca, investiam em áreas que abasteciam a guerra, como a indústria automobilística, do aço e do setor químico. De Jong expõe ainda como a conivência dos EUA permitiu que esses bilionários escapassem de seus crimes praticamente sem punição, mantendo-se relevantes até hoje na economia mundial.


A cena de abertura é antológica. Três semanas após Hitler chegar ao cargo de chanceler, doze magnatas alemães são convocados para uma reunião na casa de Hermann Göring, então presidente do Reichtag. Entre os presentes estavam Günther Quandt, produtor têxtil convertido em proprietário de fábricas de armas, o milionário do aço Friedrich Flick e o barão August von Finck, do setor financeiro, entre outros. Em seu discurso, Hitler argumentou que, ao bancar sua ascensão, estariam “apoiando a si próprios, suas empresas e suas fortunas”. Ao final da apresentação, o líder alemão deixou a sala e Göring confessou o motivo do encontro: o partido nazista estava quebrado e precisava de dinheiro. “Essa eleição será a última dos próximos dez anos, talvez até dos próximos cem”, afirmou. Todos entenderam o recado. No dia seguinte, 21 de fevereiro de 1933, Joseph Goebbels, cérebro da propaganda nazista, anotou em seu diário: “Göring traz a alegre notícia de que temos três milhões em caixa. Ótimo! O trabalho será divertido, o dinheiro está lá”.

É bom ressaltar que, apesar de alguns desses homens serem nazistas de carteirinha, a maioria deles eram empreendedores oportunistas que se tornaram membros do partido por acreditar que seria um bom negócio. A obra também aborda o processo de “desnazificação” de nomes considerados estratégicos pelo governo de Harry Truman, dos EUA. Quando a Guerra Fria começou, em 1947, a prioridade deixou ser a punição dos alemães e passou a ser a promoção da recuperação econômica do país. Os apoiadores mais radicais do nazismo enfrentaram duras condenações em tribunais como o de Nuremberg, mas outros foram beneficiados para ajudar a conter a expansão da influência da União Soviética. Veio então o plano Marshall, do secretário de Estado George C. Marshall, que ajudou a Alemanha com quinze bilhões de dólares. O país logo voltou a ser uma potência e muitas das empresas que apoiaram Hitler foram perdoadas definitivamente.

Fonte: Istoé.

domingo, 19 de março de 2023

Upstate - James Wood


Alan Querry, um investidor imobiliário bem-sucedido do norte da Inglaterra, tem duas filhas: Vanessa, uma filósofa que vive e leciona em Saratoga Springs, NY, e Helen, executiva de uma gravadora com sede em Londres. As irmãs nunca se recuperaram do divórcio amargo dos pais e da morte precoce da mãe – particularmente com Vanessa, que desde a adolescência era atormentada por crises de depressão. 

Quando sofre uma nova crise, Alan e Helen viajam para Saratoga Springs. Ao longo de seis dias de inverno no norte de Nova York, a família Querry começa a enfrentar os problemas que impulsionam este romance profundo e penetrante. Por que algumas pessoas consideram a vida muito mais difícil do que outras? A felicidade é uma habilidade que pode ser desenvolvida, ou é um feliz acaso do nascimento? A reflexão é útil à felicidade, ou dificulta a sua conquista? Se, como diz o filósofo favorito de Vanessa, "o único empreendimento sério é viver", como devemos viver? Com uma visão humana rica e sutil, repleto de retratos pungentes e muitas vezes engraçados, vívido e com um senso de lugar, Upstate é um romance perspicaz e intensamente comovente.

domingo, 12 de março de 2023

Livre - Virando adulta no fim da história - Lea Ypi


Este livro foi escrito ao longo do período de isolamento provocado pela pandemia de Covid-19. A experiência, ainda que em circunstâncias distintas, remeteu a autora ao lockdown vivido na Albânia, em 1997, em decorrência da guerra civil que sobreveio ao fim do regime socialista. 

Foi assim que nasceu Livre, misto de livro de memórias e teoria política que causou furor ao ser lançado no mundo de língua inglesa em 2021. Nascida na Albânia em 1979, Lea Ypi fala de seus anos de formação num país isolado pelo totalitarismo. Com humor e leveza, Ypi relembra a infância sob o regime socialista, a adoração aos líderes Enver Hoxha e Ióssif Stálin e a presença constante do Partido em todos os aspectos da vida. 

A consciência acerca do regime autoritário em que vivia se dá em paralelo ao processo de abertura política do país, que acaba resultando em uma guerra civil. O que torna a narrativa profundamente envolvente, além do amadurecimento político da pequena Lea, é a descoberta de como os pais e a adorada avó encobriam a realidade para protegê-la. 

Professora de teoria política e especialista em Marx, Lea Ypi apresenta o socialismo a seus alunos como uma teoria da liberdade humana. Enquanto seus pais acreditavam que o liberalismo traria liberdade, a autora não alimentava essa ilusão. Vem daí a singularidade deste livro: ao contrário do que desejariam alguns, a tomada de consciência da autora em relação aos descalabros do regime comunista não se traduz em aceitação ingênua das iniquidades do mundo.

"Eles (pais) também viam a liberdade como algo que se descobre no processo de entender as mentiras que cercam você. É algo que não pode vir de uma palestestra ou de um ensinamento. Ninguém pode tornar você livre.

Há um dimensão moral da liberdade que não poder ser reduzida a um arranjo institucional ou capturado por nenhum sistema político particular"  - Palavras de Lea Ypi. 

domingo, 5 de março de 2023

Emma - Jane Austen


Uma jovem bonita, rica e inteligente – sua vida seria livre de problemas, não fossem os que ela mesma cria.

Emma Woodhouse não pretende se casar jamais, mas isso não a impede de interferir na vida amorosa dos que estão ao seu redor. Ela se considera altruísta por ajudar os amigos a conseguir bons casamentos – afinal, a sociedade inglesa do século XIX se sustenta sobre bailes, passeios de carruagem e matrimônio. Mas, apesar das boas intenções da protagonista, há quem desconfie de seus talentos como casamenteira.

Neste romance, Jane Austen mira seu olhar afiado sobre os costumes ingleses para tecer uma história de desencontros amorosos e crítica social. Emma, sua protagonista, tem a profundidade de uma pessoa real, um retrato de sua época e lugar, com nuances e um amadurecimento que, independente de como julgamos seus atos, cativam o leitor da primeira à última página.

A edição da Antofágica é ilustrada por Brunna Mancuso e conta com apresentação da atriz e cantora Sophia Abrahão. Doutora em Estudos Literários (USP), Renata Colasante nos fornece um panorama da vida e da obra de Jane Austen, e Marcela Soalheiro Cruz, doutora em Comunicação Social (PUC-Rio), esmiúça as influências da autora na cultura pop. Lorena Portela, escritora, expõe os pontos de contato entre Emma e personagens contemporâneas – da tevê à vida real.