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domingo, 4 de agosto de 2024

Dachau: Testemunho de um sobrevivente - Nerim E. Gun


É um relato sobre um sobrevivente do campo de concentração de Dachau. O autor narra suas experiências pessoais no campo, destacando as atrocidades cometidas pelos nazistas contra os prisioneiros. Gun descreve a vida cotidiana no campo, os horrores das execuções em massa, a brutalidade dos guardas, e as condições desumanas enfrentadas pelos prisioneiros.

O livro também aborda a resistência dos prisioneiros, os atos de coragem e solidariedade entre eles, e os esforços para manter a dignidade humana em meio ao terror. Gun oferece uma perspectiva íntima e poderosa sobre a realidade de Dachau, evidenciando o impacto duradouro do Holocausto e a importância de recordar esses eventos para evitar que se repitam. A obra é uma contribuição significativa para a literatura sobre os campos de concentração nazistas e a história do Holocausto.

Sobre o autor

Nerim E. Gun, foi um jornalista turco-americano com uma vida e carreira muito marcadas por experiências únicas e desafiadoras de guerra. Nascido na Itália em 1920, Gun foi um dos poucos correspondentes estrangeiros em Berlim durante a Segunda Guerra Mundial.
Sua coragem como jornalista o levou a ser preso e detido em um campo de concentração, uma experiência que marcou profundamente sua vida e sua visão do mundo.
dedicou grande parte de sua carreira à pesquisa e coleta de documentos históricos. Ele publicou diversas obras, incluindo coleções sobre a política francesa durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial.

domingo, 24 de março de 2024

As crianças esquecidas de Hitler: A verdadeira história do programa Lebensborn - Ingrid von Oelhafen.


Em meados de 1942, os país da Iugoslávia ocupada pelos nazistas foram obrigados a submeter os filhos a exames para avaliar sua “pureza racial”. Uma dessas crianças, Erika Matko, tinha apenas nove meses quando os médicos a declararam apta a se tornar uma “Criança de Hitler”. Levada para a Alemanha, Erika recebeu o nome de Ingrid von Oelhafen. Muitos anos depois, Ingrid começa a descobrir sua verdadeira identidade.

As garras do nazismo foram tão profundas, amplas e duradouras que ainda hoje nos surpreendemos com detalhes dos seus horrores. O programa Lebensborn, criado por Heinrich Himmler, foi responsável pelo rapto de nada menos que meio milhão de crianças por toda a Europa. Esperava-se que, depois de passar por um processo de “germanização”, elas se tornassem a geração seguinte da “raça superior” ariana.Foi assim que Erika Matko tornou-se Ingrid von Oelhafen. Com um texto que remete aos bons livros de suspense, acompanhamos Ingrid desvendando seu passado – e toda a dimensão monstruosa do programa Lebensborn e sua consequência na vida de tantos inocentes. Embora os nazistas tenham destruído muitos registros, Ingrid descobriu documentos raros sobre o programa, incluindo depoimentos do julgamento de Nuremberg.

“Este livro é um relato pessoal, mas também uma análise da História. Foi escrito numa época em que o mundo está se fragmentando numa hostilidade ainda maior entre países, regiões ou religiões. Uma parte dessa hostilidade acaba se transformando em pequenas guerras odiosas – um grupo étnico que destroça o outro ou uma vertente de uma crença que explode quem considera menor aos olhos algo maior.”


Sobre o autor


Leitura complementar: Max - Sarah Cohen-Scali.

domingo, 21 de maio de 2023

Eu sou o último judeu: Treblinka (1942-1943) - Chil Rajchman.


Estamos preocupados, pois o trem fez meia-volta. Olhamos uns para os outros. O que está acontecendo? Constato que estamos perdidos. É o fim."? Chil Rajchman, em um dos muitos momentos em que achou que seria assassinado.

Nenhum campo de extermínio foi tão longe na racionalização do assassinato em massa quanto Treblinka. Lá, cerca de 750 mil judeus foram mortos. Apenas 57 sobreviveram. Chil Rajchman foi um deles. Por dez meses, sobreviveu ao absoluto terror. Carregou cadáveres em decomposição. Extraiu dentes dos mortos para que os nazistas aproveitassem o ouro, lavando-os em vasilhas cujos restos de água sanguinolenta mataram a sede de outros prisioneiros. Testemunhou suicídios, empalamentos, centenas de execuções. Foi chicoteado diariamente, teve tifo, sarna. Em agosto de 1943, Chil e outros prisioneiros conseguiram pôr em prática um plano de revolta. Ele foi um dos últimos judeus a escapar de Treblinka.

Seu relato avassalador e detalhado, escrito ainda durante a guerra, vem a público acompanhado por fotografias, mapas e a planta do campo de extermínio. Um importante testemunho do que preferíamos esquecer, mas não podemos.

A obra não tem a mesma inspiração da escrita de um Primo Levi ou de um Elie Wiesel. Não, a escrita de Rajchman é muito menos literária e muito mais descritiva, muito mais pragmática, quase ao nível jornalístico, uma espécie de documentário do abominável terror testemunhado. Ler esta obra é ser constantemente violentado pelos pormenores dos horrores do Holocausto nazi, contados com tal minúcia que chega a criar no leitor imagens visuais das torturas e dos bárbaros assassínios descritos.

O jornal francês Libération escreveu o seguinte sobre este livro: "De todos os textos sobre a máquina de extermínio nazi, este é um dos mais excepcionais". Chil Rajchman, sobrevivente do terrível campo de extermínio de Treblinka (Polónia), guardou num caderno as suas negras memórias da experiência por que passou. E só aceitou publicá-las em 2004, após a sua morte.

domingo, 26 de março de 2023

Bilionários Nazistas - David de Jong


Um livro inquietante que reconstitui os mecanismos de violência e corrupção que estão na origem da riqueza de várias das dinastias empresariais mais poderosas do mundo. Bilionários nazistas é uma prova de que o resgate da memória histórica sobre esse sinistro período continua relevante e necessário.

A história do nazismo na Alemanha é inseparável das biografias dos industriais e financistas que ajudaram Adolf Hitler a conquistar o poder absoluto e lucraram milhões com as atrocidades do Terceiro Reich – são nomes como os Von Finck, Porsche, Oetker e Quandt. Aduladores e inescrupulosos, eles ampliaram seus impérios através do roubo de propriedades judaicas e da exploração do trabalho forçado de vítimas da barbárie nazista, além da fabricação de armas e munições. 

A brandura do julgamento de seus crimes no pós-guerra possibilitou a continuidade de suas dinastias empresariais, cujos herdeiros acumulam fortunas e administram marcas mundialmente famosas até hoje, como Volkswagen, Dr. Oetker, BMW e Allianz. E por que, depois de tantas décadas, eles ainda estão fazendo tão pouco para reconhecer os crimes de seus antepassados?

Debruçado sobre milhares de documentos e fontes originais, além de abrangentes pesquisas historiográficas, o jornalista e historiador David de Jong – holandês de origem judaica – disseca as origens obscuras das fortunas multiplicadas a ferro e fogo entre 1933 e 1945. Neste livro, seu trabalho de estreia, o autor faz um chamado ao resgate da memória do genocídio nazista, tarefa primordial em tempos de ressurgência do extremismo antidemocrático.

Opinião

A Segunda Guerra Mundial é, provavelmente, o evento histórico sobre o qual mais se escreveu em todos os tempos. Existem inúmeros relatos das sangrentas batalhas pela Europa, assim como há documentos sobre as atrocidades contra os judeus e as festas pela vitória dos aliados. Há um tema, porém, que sempre permaneceu nas sombras, seja pela dificuldade em obter fontes confiáveis ou pelo receio de envolver conglomerados poderosíssimos. Estamos falando do financiamento privado do nazismo, injeção de dinheiro que tornou mais eficaz a máquina de propaganda de Joseph Goebbels, levando Adolf Hitler ao poder – e o mantendo por lá firme e forte, mesmo após a escalada extremista do regime. Em Bilionários Nazistas, livro corajoso e historicamente bem fundamentado, o repórter investigativo holandês David de Jong revela como as dinastias mais ricas da Alemanha acumularam fortunas e poderes incalculáveis graças ao apoio ao Terceiro Reich.

A estratégia era clara: os empresários expropriavam companhias judaicas concorrentes e eram beneficiados com o uso de trabalhadores escravos vindos de países como Ucrânia e Polônia. Em troca, investiam em áreas que abasteciam a guerra, como a indústria automobilística, do aço e do setor químico. De Jong expõe ainda como a conivência dos EUA permitiu que esses bilionários escapassem de seus crimes praticamente sem punição, mantendo-se relevantes até hoje na economia mundial.


A cena de abertura é antológica. Três semanas após Hitler chegar ao cargo de chanceler, doze magnatas alemães são convocados para uma reunião na casa de Hermann Göring, então presidente do Reichtag. Entre os presentes estavam Günther Quandt, produtor têxtil convertido em proprietário de fábricas de armas, o milionário do aço Friedrich Flick e o barão August von Finck, do setor financeiro, entre outros. Em seu discurso, Hitler argumentou que, ao bancar sua ascensão, estariam “apoiando a si próprios, suas empresas e suas fortunas”. Ao final da apresentação, o líder alemão deixou a sala e Göring confessou o motivo do encontro: o partido nazista estava quebrado e precisava de dinheiro. “Essa eleição será a última dos próximos dez anos, talvez até dos próximos cem”, afirmou. Todos entenderam o recado. No dia seguinte, 21 de fevereiro de 1933, Joseph Goebbels, cérebro da propaganda nazista, anotou em seu diário: “Göring traz a alegre notícia de que temos três milhões em caixa. Ótimo! O trabalho será divertido, o dinheiro está lá”.

É bom ressaltar que, apesar de alguns desses homens serem nazistas de carteirinha, a maioria deles eram empreendedores oportunistas que se tornaram membros do partido por acreditar que seria um bom negócio. A obra também aborda o processo de “desnazificação” de nomes considerados estratégicos pelo governo de Harry Truman, dos EUA. Quando a Guerra Fria começou, em 1947, a prioridade deixou ser a punição dos alemães e passou a ser a promoção da recuperação econômica do país. Os apoiadores mais radicais do nazismo enfrentaram duras condenações em tribunais como o de Nuremberg, mas outros foram beneficiados para ajudar a conter a expansão da influência da União Soviética. Veio então o plano Marshall, do secretário de Estado George C. Marshall, que ajudou a Alemanha com quinze bilhões de dólares. O país logo voltou a ser uma potência e muitas das empresas que apoiaram Hitler foram perdoadas definitivamente.

Fonte: Istoé.

domingo, 14 de agosto de 2022

Pacto com o Diabo - Roger Moorhouse


A história definitiva do pacto que uniu Hitler e Stálin de 1939 a 1941.

Por quase dois anos, os dois ditadores mais implacáveis da história – e tidos como inimigos mortais – foram colaboradores ativos. Hitler e Stálin assinaram um pacto de não agressão que chocou o mundo, mas que durou quase um terço da Segunda Guerra Mundial. Entendê-lo é a chave para compreender o desenrolar da guerra e seu desfecho.

O renomado historiador Roger Moorhouse explica como dois poderes ideologicamente opostos mantiveram uma parceria brutal e eficiente, na qual trocaram matéria-prima e maquinário e orquestraram a divisão da Polônia e dos Países Bálticos. Ao compartilhar equipamentos e expertise tecnológica, os nazistas e soviéticos tornaram possível uma guerra muito mais sangrenta e prolongada. Como consequência, milhões foram mortos ou deportados.

Com base em extensa pesquisa e uma narrativa arrebatadora, O pacto do diabo é a história detalhada do pacto nazi-soviético e um retrato minucioso das pessoas cujas vidas foram irremediavelmente afetadas por ele.

"Um relato assustador de diplomacia cínica, poder sem limites e falsidade, cujos ecos podem ser ouvidos ainda hoje." – Daily Telegraph

"Um ótimo relato sobre o que o pacto significou para Hitler e Stálin – e, pior, para suas vítimas." – New York Review of Books

Autor
Roger Moorhouse estudou história na Universidade de Londres e é professor visitante no Colégio da Europa em Varsóvia. É historiador e autor especialista em Alemanha moderna e Europa Central, com particular interesse pela Alemanha nazista, pelo Holocausto e pela Segunda Guerra Mundial na Europa. Mora em Hertfordshire, na Inglaterra.

Obs: recomendo a leitura auxiliar de Stálin volume 1: paradoxos do poder - Stephen Kotkin.