sábado, 8 de agosto de 2020

Sol da Meia-Noite (Midnight sun) - Stephenie Meyer


Um dos maiores fenômenos editoriais dos últimos tempos, a saga Crepúsculo narra a icônica história de amor de Bella Swan, uma garota tímida e desastrada, que acaba de mudar de cidade, e Edward Cullen, um rapaz misterioso que esconde um segredo aterrorizante: é um vampiro. Desde a primeira troca de olhares, ele fez tudo para ficar longe dela, mas e se as coisas não tiverem acontecido exatamente assim?

Até agora, os leitores conheceram essa trama inesquecível apenas pelos olhos de Bella. No aguardado Sol da meia-noite, vamos testemunhar o nascimento desse amor pelo olhar de Edward, mergulhando em um universo novo, sombrio e surpreendente, cheio de revelações.

Conhecer Bella foi o que aconteceu de mais irritante e instigante em todos os anos de Edward como vampiro. À medida que conhecemos detalhes sobre seu passado e a complexidade de seus pensamentos, conseguimos entender por que Bella se tornou o eixo central de uma batalha decisiva em sua vida. Como Edward poderia seguir seu coração se isso significava colocar a amada em perigo? Do que ele seria capaz de abrir mão?

Em Sol da meia-noite, Stephenie Meyer faz um retorno triunfal ao universo de Crepúsculo e nos transporta mais uma vez para Forks, convidando-nos a revisitar cada detalhe dessa história que conquistou milhões de fãs em todo o mundo. Em meio a uma paixão cercada de perigos sobrenaturais, vamos descobrir como Edward encara seus prazeres mais profundos e as consequências devastadoras de um amor proibido e imortal.

Sobre a Autora

Stephenie Meyer se formou em literatura inglesa na Brigham Young University. Estreou como autora com Crepúsculo, e a saga se tornou um best-seller internacional, vendendo mais de 150 milhões de exemplares. Com a enorme repercussão da série de livros, a escritora foi considerada pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Além de Crepúsculo, Lua nova, Eclipse e Amanhecer, Stephenie Meyer também publicou pela Intrínseca A hospedeira e A química. Ela mora com o marido e os três filhos no Arizona.

domingo, 2 de agosto de 2020

Prazer em Queimar: Histórias de Fahrenheit 451 - Ray Bradbury


Autor do clássico Fahrenheit 451, Ray Bradbury tinha quinze anos quando Hitler mandava queimar livros em praça pública, na Alemanha. Foi ali que ele percebeu que os livros que tanto amava estavam em perigo. Anos depois, este luto se transformou em uma ideia: escrever sobre uma sociedade em que os livros fossem proibidos, e os bombeiros, em vez de apagar o fogo, recebessem a missão de queimá-los.

Prazer em queimar: histórias de Fahrenheit 451 é leitura obrigatória para os fãs da clássica distopia. Neste livro estão reunidos dezesseis contos: treze que foram escritos antes de Fahrenheit 451 e mais três histórias escritas depois. Observador sagaz dos tempos obscuros que sucederam a Segunda Guerra Mundial, Bradbury canalizava sua criatividade escrevendo contos críticos a tudo que via e sentia. Há contos sobre queima de livros, morte, liberdade, arte, policiamento nas ruas etc.

O último desses contos chama-se “O bombeiro”. Publicado inicialmente em uma revista literária, este texto chamou a atenção de seu editor que, deslumbrado com a história, desafiou o jovem Bradbury a ampliá-lo, prometendo que aquele texto seria publicado como um romance se ele conseguisse dobrá-lo de tamanho. Bradbury trancou-se na biblioteca da universidade, alugou uma máquina de escrever e só saiu de lá quando conseguiu atender ao pedido de seu editor. Nascia, então, a ficção científica Fahrenheit 451.

Leitura indispensável para os fãs da distopia best-seller Fahrenheit 451.

domingo, 26 de julho de 2020

O Mundo Pós-Pandemia - Reflexões Sobre Uma Nova Vida

Sinopse:
Já não há dúvidas: nosso tempo se dividirá entre o antes e o depois da Covid-19. De fato, dificilmente houve acontecimento tão determinante neste século quanto a pandemia, e as consequências das recentes ações políticas, sanitárias e econômicas ainda mal começaram a ser vislumbradas. O que, portanto, devemos esperar para nosso futuro e o futuro das próximas gerações? Uma transformação drástica em tudo o que é humano? Ou apenas o retorno do mundo tal como ele sempre foi? O que se sabe é que uma previsão bem fundamentada não pode passar ao largo deste livro. Afinal, nomes de peso aqui se reúnem para opinar sobre as principais esferas da atuação humana, levando em consideração cada uma de suas complexidades e dilemas.

Transitando da arte e do humor ao poder judiciário e à economia, estas páginas constituem o que há de mais qualificado a respeito do mundo que nos espera.


Comentando
Recém-lançado, o livro "O mundo pós-pandemia" compila textos de profissionais de diversas áreas com debates sobre o futuro após a pandemia da Covid-19.
A obra é organizada pelo escritor e advogado José Roberto de Castro Neves, com 50 textos. Os temas e formatos são variados.
O livro trata de assuntos como arte, humor, poder judiciário e economia. Segundo a editora Nova Fronteira, responsável pelo lançamento, "O mundo pós-pandemia" é um "esforço para entender como o Brasil e o mundo reagirão a esse evento histórico".
Ainda segundo a editora, as personalidades foram reunidas para "inspirar novos debates, ajudar a repensar valores e auxiliar em tomadas de decisões que serão definitivas".
O comediante Marcelo Adnet, por exemplo, usa o humor para falar sobre o mundo digital. O técnico Bernardinho escreve sobre o futuro dos esportes. Com um conto, a atriz e escritora Fernanda Torres trata de possíveis dilemas do setor artístico.
Na introdução, Castro Neves comenta que as perspectivas do futuro dependem das escolhas feitas agora. "Não se pode qualificar uma escolha da sociedade como evolução, pois essa ciranda da civilização humana tem por característica ir e voltar — num caminho tão ilógico quanto misterioso (que o digam Hegel e Marx)", escreve ele.
"Mas há, de toda sorte, um conforto em verificar, no episódio histórico a que assistimos hoje, a força dada à vida humana, a dimensão do comportamento solidário nessas horas em que a praga deixa de ser somente metafórica. Possivelmente, o Terceiro Milênio começa agora. Um momento — e, ao mesmo tempo, uma oportunidade — de construir", completa Castro Neves.

Você poderá gostar de: Realidade de Madhu - Melissa Tobias

domingo, 19 de julho de 2020

Romanceiro da Inconfidência - Cecília de Meireles


Uma coletânea de poemas da escritora brasileira Cecília Meireles, publicada em 1953, que conta a História de Minas dos inícios da colonização no século XVII até a Inconfidência Mineira, revolta ocorrida em fins do século XVIII na então Capitania de Minas Gerais.
Em 85 "romances", mais quatro "cenários" e outros de prólogo e êxodo, Cecília evoca primeiro a escravidão dos africanos na região central do planalto em episódios da exploração do ouro e dos diamantes no século 18; logo o centro da coletânea é dedicado ao destino dos heróis da chamada "Inconfidência Mineira" – Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, Tomás Antônio Gonzaga, sua noiva e amada Marília de Dirceu bem como de outras figuras históricas implicadas no acontecimento, como D. Maria I a louca, na altura Rainha de Portugal.
Mais lírica do que narrativa, a obra assume o lado dos derrotados (transformados depois em heróis da Independência do Brasil) denunciando o sistema colonial que favorece a exploração dos desvalidos:
A terra tão rica
e – ó almas inertes! –
o povo tão pobre...
Ninguém que proteste! (…) (in: Do animoso Alferes, Romance XXVII) 
Estes branquinhos do Reino
nos querem tomar a terra:
porém, mais tarde ou mais cedo,
os deitamos fora dela.(in: 'Do sapateiro Romance XLII) 
A nova interpretação da história serve no entanto de ponto de partida para uma reflexão filosófica e metafísica sobre a condição humana. Surgindo Tiradentes como um avatar de Cristo e sofrendo o sacrifício do bode expiatório, ele se torna num redentor do Brasil, que abriria a nova era da liberdade. "Construindo com o Romanceiro da inconfidência um mosaico em que cristalizariam vibrações captadas na terceira margem da memória coletiva, Cecília consolidava uma teia de mitos suscetíveis de fortalecer o sentimento da identidade brasileira"

domingo, 12 de julho de 2020

Coraline - Neil Gaiman


Clássico de Neil Gaiman que mistura terror e conto de fadas ganha edição especial

Certas portas não devem ser abertas. E Coraline descobre isso pouco tempo depois de chegar com os pais à sua nova casa, um apartamento em um casarão antigo ocupado por vizinhos excêntricos e envolto por uma névoa insistente, um mundo de estranhezas e magia, o tipo de universo que apenas Neil Gaiman pode criar.

Ao abrir uma porta misteriosa na sala de casa, a menina se depara com um lugar macabro e fascinante. Ali, naquele outro mundo, seus outros pais são criaturas muito pálidas, com botões negros no lugar dos olhos, sempre dispostos a lhe dar atenção, fazer suas comidas preferidas e mostrar os brinquedos mais divertidos. Coraline enfim se sente... em casa. Mas essa sensação logo desaparece, quando ela descobre que o lugar guarda mistérios e perigos, e a menina se dá conta de que voltar para sua verdadeira casa vai ser muito mais difícil ― e assustador ― do que imaginava.

Publicado pela primeira vez em 2002, Coraline foi o primeiro livro de Neil Gaiman para o público infantojuvenil e se tornou uma das obras mais emblemáticas do escritor. Repleta de elementos ao mesmo tempo sombrios e lúdicos, a história conquistou crianças e adultos em todo o mundo e, em 2009, ganhou as telas de cinema em uma animação dirigida por Henry Selick, de O estranho mundo de Jack. Nesta edição especial em capa dura, com introdução do autor e projeto gráfico exclusivo, coube ao renomado ilustrador Chris Riddell dar vida ao universo mágico e aterrorizante criado por Neil Gaiman.


domingo, 5 de julho de 2020

Resumo do livro: O Silêncio dos Livros - Fausto Luciano Panicacci


Esta obra pinta o mais provável dos futuros se continuar seguindo tais caminhos.
Parte: 1 (Portugal)

Ter Livros é Crime. Denuncie.

     “Era a última tarde do inverno e o vento embrenhava-se nas rachaduras do muro quando ela atravessou a rua sob o céu cinza, os olhos baixos evitando a placa sombria. Era um daqueles períodos da História tão tragicamente adultos que o absurdo só se faz visível aos olhos da infância: num mundo de sinal invertido, a base da montanha é seu ponto mais alto, e o pico, o vértice do abismo; não poderia por outra razão, o que ali se passou só poderia mesmo ser contado pelos olhos de Alice.” (fragmentos do livro).

     A menina vinha da escola e a estrada era lotada de placas do tipo “Ter livros é crime. Denuncie.” até no bosque e isso lhe causava uma certa angústia. Não entendia como um monte de folhas velhas com dedicatória poderia fazer algum mal. Como poderia ser banido. Sentia-se bem quando ouvia histórias, principalmente, quando sua avó lhe contava. Mas agora era estava transgredindo a lei ao guardar esse bem. Chegando em casa envolta em seus devaneios ouvira o som inconfundível fragmentadora de papel, sua preciosidade fora tritura sem piedade por sua mãe. A menina chorava torrencialmente abraçada as partes de trituradas que outrora fora um livro, restando apenas as memórias das histórias contadas por sua avó. Agora a menina estava completamente só.
     Outro dia fazendo o mesmo percurso de costume pelo bosque percebeu o palacete estava aberto, curiosa e astuta que era fora conferir quem seria seu novo vizinho. Acercou-se da cerca de madeira e ficara espionando até ver um homem senil. Aproximara cuidosamente com seu caderninho (hábito pelo qual sofria bullying) até o homem e começara a falar sobre sua gata, doninha do bosque, as histórias que a avó contava… Os pais sempre davam a desculpa de estarem sem tempo, e as histórias da escola nunca tinha rumo fixo sempre ficavam mudando o enredo a todo momento. Isso irritava-a por isso preferia livros. Por fim se apresentaram, ela como Alice, mas todos a chamava de “menina”, ele por Santiago Pena. Ela voltara para casa numa manhã seguinte porque sabia que teria alguém para conversar. Mal sabia ela que amigo mudaria sua vida para sempre. A menina acompanhara o pai ao palacete de Santiago para dar boas vindas em nome da família Crástino. Para a alegria da menina, Santiago, passou a frequentar sua casa. Ela posta de lado por todos da família (como um objeto que perdera a graça). Em um jantar na casa dos Crástino, Santiago, ele convidou a todos para uma exposição no centro de fotografia. Que por sinal também estava sendo banida principalmente a impressa, qualquer conteúdo visual e intelectual teria que ser facilmente manipulada ou sofreria duras penas da lei. A conversa foi esquentando e Santiago, desconversou perguntara sobre o porque da menina passar pelo bosque sendo a estrada mais segura e alegaram que já falaram várias vezes com ela sobre isso. Ele também estava intrigado em porque a menina foi para uma escola tão longe de casa e a resposta não poderia ser tão simples: “foi o aplicativo que escolheu”. Não levaram em conta a distância, deixaram tudo por conta de um aplicativo que faz escolhas aleatórias segundo o pai. Santiago ainda fora ridicularizado pelos demais. Nisso chega a menina com suas bonecas pedindo a ele que lhe contasse uma história os pais tentaram ignorá-la, mas o convidado interveio e fez sua vontade. A menina ficara encantada lembrara da sua avó e do seu tio que liam para ela de maneira igualmente mágica. A cereja do bolo foi o truque com a corda para que as bonecas não arrastassem no chão. Despedira-se e voltou para seu palacete.
Horas depois a polícia cercou seu palacete.
     A menina ficara parte da madrugada anotando tudo o que lembrava da história, pensara nele como o “avô de letrinhas”. Queria saber quem era o tal Hilário Pena. Qual seria a história que estaria no caderninho dele? Ela mal poderia imaginar, mas teria de crescer muito ainda para desvendar a história.

Parte: 2 (Brasil, muitos anos antes..)
Agora vamos falar de Hilário e seu percurso para se tornar Santiago.

     Hilário Pena, neste tempo tinha vinte e dois anos.
Em um dia frio em São Paulo, fora encontrar com seus amigos. Distraiu-se com a discussão da mesa ao lado, sobre proibição e queima de livros, enquanto seus amigos não chegavam. Na época ele não possuía nenhuma relação com o mundo da literatura. Marcado pela miséria da infância ao bullying sofrido na faculdade de engenharia por roupas muito simples. Chegaram os seus colegas de trabalho parabenizaram-no rapidamente pela promoção no estágio e logo o deixaram de lado. Ele circulava bêbado pelo bar quando viu a notícia sobre a nova medida de redução da criminalidade que, consistia em um exame que mapeava o gene violento do indivíduo, prevendo os crimes mais graves. Estava meio desatento ao noticiário diferente dos seus amigos se encantaram com o decreto.
     Tudo aconteceu em segundos, logo ouvira alguém berrando um aterrorizante “não”, a seguir a pele sendo rasgada. O homem da mesa ao lado estava se esvaindo em sangue. Hilário pena, tinha nas mãos uma garrafa quebrada.
     Acordara numa cela com uma ressaca monstruosa e sem realmente lembra do ocorrido. Todas as suas memórias estavam envoltas em névoas. Tentara lembrar de como foi parar ali sozinho, pois segundo ele só defendera o amigo. No dia seguinte recebeu seu advogado, Carlos Castelo, que era do Estado. Até então Hilário, pensara era um advogado da parte de seu mentor senhor Andrada. Pois ele veio se informou do caso e pedira para nunca mais ser incomodado e saiu sem vê-lo. Os amigos dele deram depoimento alegando que, depois da confusão fora Hilário que quebrou a garrafa e fincou no pescoço do homem. Ao saber dos depoimentos dos até então ‘amigos’, ficara em completa fúria, ele acreditava cegamente que fora um ato de defesa nada mais que do que isso.
     Na sala além do advogado haviam dois agentes alegando que fizeram exames genéticos para testar sua tendência criminosa. Por os testes acusarem negativos para o gene-C, ele escapara da pena de morte, mas ficaria preso até os testes serem mais conclusivos. Fora o único no sistema de criminologia a dar negativos. Estava completamente só, em uma prisão de estrangeiros de nome Babel. O advogado dissera que naquela penitenciária havia uma biblioteca, mas essa era um lugar em que Hilário passaria longe
Meses depois chegara o primeiro julgamento. Não havia nenhuma testemunha para ajudá-lo além do advogado do Estado. O mesmo incentivara a tentar sensibilizar o júri. O julgamento foi adiado por um documento do Grupo Especial de Trabalho da Comissão.
     Semanas se passavam e Hilário e o advogado exausto, tentava achar uma brecha plausível. Explicara que o Ministério da Polícia Criminal tinha solução para quem fosse preso sem o tal gene-C. Havia as mais diversas teorias, mas na falta de provas continuaria preso.
     Tempos depois houve o segundo julgamento. Fora interrogado duramente, mas mais insistira que fora somente para defender seu amigo. Quando passou para seu advogado que expôs todas as suas mazelas perguntara se estava arrependido Hilário, respondera que não e era uma questão de honra.       A seguir vieram várias testemunhas alegando que Hilário tinha um comportamento estranho e seria capaz de matar. Sem chances de dar sua versão, Hilário fora condenado até que os exames apontassem que ele possuía o tal gene-C, e seria executado. Saíra do tribunal direto para a penitenciária Babel, sem compreender como ele foi parar nessa situação.

     Um certo dia em um de seus banhos de sol notara algo escrito no cano do pátio como “não morra aqui”, seguiu-o por vários pavilhões até chegar numa porta com uma placa escrita “Biblioteca” em vários idiomas. De repente o silêncio fora quebrado, lembrara que havia passado da hora de seu banho de sol. Ele ficara sabendo era famoso em Babel. O atendente se empolgara apresentando os mais diversos livros, mas Hilário o dispensara e foi correndo para sua cela, porque os outros estavam no pátio.

     Anos se passaram, as empresas começaram a ter autorização para vender kits de teste do gene-C. Todos os pais tetavam seus filhos com medo que tivessem. Os laboratórios não deram conta da demanda desenfreada por testes. Surgindo, assim, o contrabando dos kits e uma nova onda se fez. Com manipulação genética os laboratórios podiam criar filhos “perfeitos”, logo as expressões lebenborn (fonte da vida), pureza racial, voltaram a ser mencionadas.
     Hilário tinha vinte sete anos, quando recebera a última visita do advogado e agradecera pelos seus serviços durante todos esses anos. Perguntara sobre as imagens gravadas no dia fatídico. O advogado estava sendo ameaçado e sofrendo pressões externas.
     Deste modo diria o que continha nas gravações assim que Hilário parasse de acreditar nas histórias que inventara para si próprio. As imagens mostram Hilário escondido e de depois da briga o mesmo chutando o homem, quebrando uma garrafa e cortando o pescoço da vítima. Mesmo assistindo as imagens, continua a alegar que ele que era a vítima e o homem estava armado, e sim poderia matar seu amigo. O advogado fora suspenso pelo caso e por ser contra a pena de morte. Na manhã seguinte o encontraram morto. Começara a queima de arquivo assim Hilário pensara.
     A neurose o possuía qualquer coisa era motivo de complô. Distraía-se com um jogo de xadrez que ganhara dos guardas.
Uma nova avaliação foi realizada. Em uma sala macabra onde os agentes digitalizaram suas impressões digitais, respondera uma série de perguntas e colocara seu número de presidiário. Concluído o teste Hilário vira na tela a palavra “negado”. E na semana seguinte o mesmo. Dessa vez ficara extremamente arrasado. Em pleno desespero cortara o cobertor em tira amarrara no pescoço e saltou.
     Hilário, acordara no hospital horas depois. Lá o médico explicara que quando saltara o cobertor arrebentou e batera com a cabeça, tendo uma concussão. Semanas depois quando voltara a para cela descobrira que havia um vizinho e ficara enormemente feliz. Conhecera então Antônio Aldo Antunes Santos de Almeida, que ficara extremamente grato por ter sido salvo do incidente no pátio momentos antes e contara como fora preso por importar livros. Hilário, por sua vez contara suas mazelas, sua história até então. Estava curioso no porque seu vizinho de cela fora parar naquele pavilhão se não tinha o gene-C, e não era violento. Ao contrário tinha dinheiro e muita influência por isso conseguira aquela cela privativa.
     Hilário estava a mais de quinze anos sem contato com o mundo, não fazia ideia das reviravoltas que a sociedade dera. Os livros foram terminantemente proibidos e surgira o “modelo G.A.T.E”. Certos comportamentos que pensamos ter sido apagados no imaginário coletivo voltaram a se repetir como: depredação de livrarias, queima de livros… Nada impresso era permitido. A parte boa era que no Brasil, tudo continuava na mesma, a proibição não chegara. Ficara intrigado com a quantidade de dinheiro que poderia ganhar importando livros para as terras tupiniquins e outros países. Diante da empolgação de seu amigo falando sobre de como herdara o gosto pelos livros, Hilário contara que ali, em Babel, havia uma biblioteca. Em seguida correram para lá, e viram-na em estado de abandono com camadas de poeira e mofo. Antônio, ficara fascinado pelas raridades que encontrara já Hilário, só acompanhara-o, mas pegara um livro que continha exercícios de matemática anotado para ler a noite.
     Passara a noite lendo e pensara ser desnecessário todo aquele drama que o personagem vivera. Antônio achou um absurdo tal simplória resenha que seu amigo fizera a um clássico e empolgara-se. Perguntara o porque de Hilário desprezar tanto a biblioteca estando ele a muito tempo preso. Simplesmente porque para ele era só um lugar empoeirado com um amontoado de papéis, nada muito profundo que desinteresse. Antônio propôs-se a organizar e arrastar seu amigo para ajudar. Conseguira horas a mais fora da cela e fizera todo o cronograma de limpeza e organização na mente, era a empolgação em pessoa. Na releitura indicada por seu amigo, Hilário enfim percebera toda poesia que antônio descrevera antes. Trabalhavam arduamente na faxina e organização da biblioteca e se deleitavam nas relíquias que lá ainda existia. Depois do toque recolher mais uma madrugada leitura, estava começando a compreender o universo literário para o contentamento de Antônio. Ele explicara o significado de “festina lane”, (apressa-te lentamente), expressão complexa cujo os termos antes de se anularem, complementam-se. E falara de onde veio seu segundo nome “Aldo”, que era de um editor chamado Aldo manuzzio.
     O tempo passara com uma certa leveza.
     Hilário renascera através dos livros.
     Enfim chegara o dia da reinauguração da biblioteca, que não teve nenhum tipo de festejo, com só uma nota interna dizendo haveria livros disponíveis. Demorou um cerco tempo para haver algum leitor.
     A noite Hilário recebera um caderninho que Antônio encomendara ao seu advogado e contara da dificuldade em obter esse item praticamente proibido.
Um dia chegaram na biblioteca e perceberam que as prateleiras haviam sido trocadas por madeira de cerejeiras. Foi um gesto de agradecimento dos outros presos. O cavalete lotara diariamente de indicações de leitura e mensagens de apoio. Hilário começou a sentir-se útil, em ter um propósito na vida.
     Antônio fora solto, mas antes de sair entregara para seu amigo uma coordenada para quando ele sair, algum dia, se dirigisse a tal local. Hilário continuava em sua missão na biblioteca que tinha cada vez adeptos. Começara a ler os livros não catalogados, obras raríssimas, os livros tornaram seus aliados contra o tempo e solidão. Nisto passam-se mais quatro anos, Hilário Pena agora tinha quarenta e dois anos, e mais exame a fazer. Desta vez, só havia um agente na sala, e o resultado apontou “negado” novamente. Em poucos dias retornou a sua rotina e percebera que levaria mais de uma vida para ler todos os livros que listara. Longe da civilização caótica onde proibia-se livros, em Babel, o silêncio dos livros reinava como música a cada virada de página e cochichos. Assim, passara dois anos.
     No dia seguinte escutara gritos em vários idiomas, tinha um mau pressentimento e fora a biblioteca. Lá vira os livros sendo retirados e levados para uma incineradora. A proibição aos livros havia chegado a Babel. Hilário voltara a ficar deprimido e com pensamentos perturbadores. Pensando no passado e se deu conta que os personagens que criara para si mesmo eram totalmente inconsistentes. Lento e gradualmente a ficha foi caindo. Eis que finalmente admitira que matara Eduardo Inocêncio, o homem da mesa ao lado. Havia passado mias três anos em meio a remorsos e realizou-se seu último teste. Ao retorna a cela recebera a notícia que o surpreendera, estava livre graças a um alvará de soltura. Saíra da penitenciária com roupas doadas e um cartão de transporte.
     Saindo de Babel, no ponto de ônibus em frente vira um carro parar do outro lado e teve a sensação de ser seguido. Pegara o primeiro ônibus que aparecera. Quando soltara do ônibus, logo avistou o individuo do carro correndo atrás dele dizendo que era advogado de Antônio e acompanhara todo seu caso. Explicara que houve um desencontro da parte dele, ele chegara minutos depois de Hilário ter saído da penitenciária, e tinha instruções para levá-lo até o senhor Antônio Aldo em Portugal. Ele concorda em ir com uma condição a de ir na casa do homem que matara. Lá encontra a mãe de Eduardo, uma senhora de memória bastante debilitada. A lucidez vinha como ondas do mar, hora lembrara que o filho estava morto, outra que o filho ia chegar a qualquer momento da faculdade. A senhora arruma a calça de Hilário e em seguida o olhara como o reconhecesse, como o homem que assassinara seu filho.

     Enfim pegar o avião para Portugal, para rever seu amigo estava muito fraco no hospital. O encontro foi repleto de comoção e nostalgia, mas sobretudo de instruções sobre seus bens que Hilário herdaria. Antes de seu último suspiro Antônio, pedira que ele fosse até as coordenadas que, um dia, entregara-o.

     Caminhando pelas ruas do Porto, encontra um cartaz com o seguinte comunicado: Esterilização preventiva: denuncie portadores do gene-C”.

     Ruas desertas, lixo, fedor, indivíduos voltados para seus eletrônicos. Ao olhar ao redor sentia que o tempo roubara-o a jovialidade, o viço. Observara as pessoas como um verdadeiro sociólogo, um filósofo. Flagrara-se constantemente comparando sua juventude interrompida com os novos tempos.

     No dia seguinte acompanhara o velório de seu único e verdadeiro amigo, Antônio, a distância. Só lhe restara o silêncio. Recompôs-se e acompanhara o advogado até o seu escritório havia detalhes acertar e instruções a Hilário. A primeira delas era deletar toda e qualquer tipo de prova do crime pela lei do esquecimento. Segundo mudar o nome de Hilário para Santiago Pena de Jesus. E terceiro e mais importante nomear a fundação que seu amigo dissera para criar, colocara “Fundação Cultural A.S.A.

     As coordenadas dava em uma vinícola chamada “Quintas dos Imortais”, uma das propriedades que pertencia a ele agora. Ficara encantado com a cidadezinha. Chegando na vinícola, teve acesso ao portão e casa, mas o gps dizia que não havia completado todo o percurso. Dentro da casa tinha uma estante com livros falsos e uma alavanca, Hilário ria do clichê que seu amigo aprontara. Depois de andar centenas de metros túnel a baixo, abria um portão de chifre, pensara estar no paraíso. Lá continha milhões de livros todos iluminados em prateleiras de carvalho. Numa mesinha próxima havia um bilhete dizendo: “para que tu saibas a história deste lugar”. Passara meses na biblioteca infinita acertando os detalhes fundação e escrevendo sua própria história em seu caderninho. Nesse tempo o que mais gostava além dos livros, era de caminhar até a cidadezinha.

Parte – 3
De volta aos olhos de Alice. (Portugal)

     A menina não cabia em si de tamanha felicidade, agora ela tinha seu avô de letrinhas. Ansiava pelo evento de Santiago. Era pura sede de conhecimento que os livros provocara em um ser sabido. Santiago discursara agradecendo aos que foram, eram bem poucos, mas já era algo. Aparecera a polícia ordenando que cancelassem o evento e vasculharam tudo em busca de itens proibidos (livros).
     Na semana seguinte, Santiago fora recebido pela mãe da menina toda insinuante na casa dos Crástinos. A menina achara o comportamento da mãe muito estranho na época. Santiago contara que os policiais foram na casa dele revirou-a por inteira. Eles nunca entenderiam o esforço do vizinho com os livros. E a menina ganhara mais uma história de seu avô de letrinhas.
Santiago viajara por meses para tristeza de Alice. Quando chegara fora direto para casa da miúda, tinha um trato com a menina de contar-lhe histórias toda semana. O tempo passara em um ritmo mais tranquilo com as histórias garantidas sempre depois do jantar, hora que toda a família ficara reunida para ouvi-la. Alice contemplava este momento em que os pais apenas conversavam sobre os contos, o que a fazia lembrar da casa da avó.

     Era natal, todos na família estavam com aquele humor natalino até Beatriz, a carrancuda. Santiago se integrava a família como um amigo, um irmão que o pai estimava-o muito. A menina ganhara um cordão que simbolizava a expressão “festina lane”, (apressa-te lentamente). Segurara-o como se fosse um amuleto de muito poder.
     O caderno escrito Hilário Pena, caíra no quarto da menina quando ela contara seu segredinho, que era caderninhos escondido dentro das bonecas. Estava diante de um dilema tortuoso para uma menina sabida, ler ou não ler. Talvez ele algum dia contasse para ela, pensara.
     Quando o vira chegar desembestara a correr para entregar o caderno em segredo. Como era de costume o assunto a mesa era as viagens de Santiago, que descrevia sempre com paisagens espetaculares. A história da “a menina e o tigre”, rendera porque os Crástinos não tinha senso lúdico e não compreendera as reviravoltas do conto. Com Santiago a família sentia-se completa e a recíproca era verdadeira. A menina pensara ter visto alguma na família.

     Certo dia a menina vira sua irmão na porta dele e intuiu que ali tinha coisa. Santiago estava completamente constrangido com rumo da conversa de Beatriz. Ela o vigiara pelas câmeras e divertia-se com o passatempo. Ele não sabia se poderia confiar em tal criatura, cínica que era. E continuara provocando-o dizendo que seu pai traia a mãe pela internet, e insinuando que a mãe se produzira bastante quando ele ia jantar na casa dela e outros dias nem jantar havia. Sai sem mais, sem menos. Santiago não entendera nada e a menina que espiava menos.
Mais tarde o pai tivera uma enxaqueca terrível depois que fora imprensado por Beatriz, e dissera para Louise suspender suspender os jantares com Santiago.
Passara uns dias, a mãe comunicara que iria a praia com as meninas, principalmente por Beatriz aceitar e convidara Santiago.

     Assim que chegaram na praia, Beatriz começara. Primeiro no celular debochando da companhia, depois soltou “usa cada coisa…” “O senhor não deveria usar essas coisas”. “Essa sunga. Parece ainda mais velho.” E continuara desdenhando, insinuando-se, interrogando o pobre Santiago. Felizmente não levara a sério, afinal, era apenas uma garota. A mãe chegara trotando como um animal muito divertido. Pelo olhos da menina. Peito e bunda num movimento forçado em direções opostas, até Beatriz olhara e a cena e pensara ser provocação ou competição. A mãe, que nunca fora mãe de fato, ficara toda zelosa com menina. Dando falsas esperanças. Beatriz voltara da casa de veraneio, atirara na mãe o biquíni que a mesma disse ter esquecido e a deixara falando sozinha. Como de costume sobrara para a menina, que levara a culpa pela cicatriz da cesariana e sendo causa de todo seu stress. Começara a chover e santiago ficara com a missão de tirar a miúda da praia. Chegaram na casa, as malas já estavam prontas, a mãe pôs milhões de motivos para voltar e assim fora.

     Dias depois, a menina correra para casa de Santiago, mas no caminho vira a irmã na porta dele toda insinuante desculpando-se pela cena na praia. Segundo ela para a mãe ele seria só casinho, mas para ela Santiago seria o homem perfeito. Ele já estava perdendo a paciência com todo o blá, blá, blá, da garota. Por fim saíra da casa trotando igual a mãe. A Menina não sabia no que pensar, ela vira uma cena e a irmão contara outra a mãe.
Sem os jantares com Santiago, a menina ficara órfã de histórias e do avô de letrinhas. Passara a noite lembrando da casa da avó, para ela era como se houvesse uma fenda temporal.

     A menina vira a mãe sair pela porta de trás e ir em direção ao palacete. Para seu azar ele estava acompanhado por Elizabeth, que trabalhava quando ela interrompera. Louise tentara convidar-lha para um jantar, mas Santiago a despachara rapidamente. Insatisfeita vai encher o marido de intrigas sobre o vizinho como: o seu estilo de vida era muito esquisito e supõe que a tal Fundação e seja uma faixada. Maquinara o plano para coletar informações, o jantar. A miúda não entendera nada, para ela se alguém quisesse saber algo era só perguntar simplesmente. Enquanto isso os pais andavam ainda mais estranhos do que o normal.
     A mãe repetira o mesmo ritual, desta vez, ligara para primeiro e pediu para que ele desse uma passadinha na casa dela. A menina fora impedida de pedir histórias e fica no mesmo ambiente, mas dera um jeitinho de escutar. A mãe dissera que a menina simplesmente acontecera por esta razão na merecia trato algum. Diferente de Beatriz que teve edição no DNA, sendo assim, programada para ter o maior Q.I., na mais conceituada clínica Fonte da Vida. Santiago ficara atônito com tal informação, era a mesma de décadas atrás só que desta vez bem mais sucedida. Perguntara o real motivo de tê-lo chamado. Primeiro era o episódio Beatriz, que os pais interpretaram como abuso, ele esclarecera, pois a pais sabem a filha que tem. Segundo era uma história com a mãe que dizia estar sendo stalkeada por alguém da academia no início, mas o teor das mensagens pensara ser alguém bem próximo. A menina sabia que a mãe nunca fora a academia. Louise continuara provocando-o com cara de “ninguém gosta de mim”, até receber o balde que água fria, ele considerava-a como uma irmã. O marido chegara e o jantar fora confirmado para o final de semana. A menina intuíra que o motivo para sua mão chamá-lo era outro, mas não compreendia qual.

     No dia do jantar era só ansiedade, a menina passara o tempo no bosque. Assim que os convidados chegaram, Alice correra para os braços de Santiago e não o largara o jantar inteiro. Santiago e Elizabeth falaram animadamente sobre o que estavam trabalhando. A moça além de estonteantemente linda, era culta e lutava para o fim da proibição aos livros. Alice queria ser igual a Elizabeth, estava cheia de ralharem com ela na escola e em casa. E como ela esperara veio o momento tão aguardo a da história de nome “o mito da videira encantada”. A miúda ficara verdadeiramente encantada com história.
Depois que Santiago fora embora, a mãe ataca. Distorci toda a história do dia que em que o vizinho estivera ali a pedido de Louise. O pai só se incomodara como o fato de a menina gostar mais de Santiago do que dele.

     A mãe fora novamente na casa de Santiago, tendo em mente um plano bem mais ousado. No meio do assunto que inventara pedira a ele que lhe tirasse o top e partira para cima. Nisso Beatriz flagrara a cena e entra na casa de Santiago igual um búfalo. Dissera que alimentara falsas esperanças até mesmo na menina. O circo estava armado! Partira para casa na intenção de revelar ao pai o que acontecendo a algum tempo.

     O mundinho da menina estava desmoronando. Não compreendia porque a mãe e a irmã brigavam por Santiago se nem de gostavam de histórias. A menina muita da sabida pensara e pensara até que, chegara a dura conclusão: ela servira de joguete para que a mãe pudesse atrai-lo e dar o bote mais tarde. Percebera então que não poderia confiar em ninguém da família. Notara que quanto mais sabida ficava, mais seu mundinho ficara envolto em névoas cada vez mais espessas.

     Alguém denunciara Santiago a imigração, o carro da polícia parou em frente ao palacete, Felizmente os documentos estavam em ordem. Os Crástinos o convidaram para um vinho. Beatriz, quase conseguira o que tanto desejava dele no banheiro, mas ele escapara por um fio. A mãe escutara tudo e pensara ser um sonho juvenil, poderia usar o aplicativo randômico para tirar a dúvida.
     Santiago contara ao pai da menina que andara recebendo ligações de um suposto frade o ameaçando, mas segundo o pai achara que era só alguém se divertindo. Louise pede a Santiago para ajudar a fotografar certo ponto no bosque.
     A menina sentira que algo muito ruim iri acontecer no seu pedacinho do Éden.

     Beatriz vinha brigando com a menina por ter de acompanhá-la até em casa, mas miúda teimosa que era convencera a irmã a passar pelo bosque mesmo estando proibida. A menina fora deixada para trás como de costume. Próximo ao rio encontra a irmã tirando foto de algo, aproximou-se e vira que era Santiago todo torto e sanguentado no chão. Ele tentara falar, mas a voz não vinha. Beatriz continuava no celular digitando sem parar. Desvencilhou-se da irmã para tentar seu avô de letrinhas, pegara o tablet e ligara para a emergência. Santiago apontava freneticamente para seu caderninho que estava indo rio abaixo. Fora impedida de pegá-lo pois sua irmã a levou a força para casa. Chegando lá, a mãe ligara para polícia, e a menina espiara a irmã aos prantos na sala. Escutara quando Beatriz dissera que fota que tirara de Santiago a fizera popular, mas alguém nos comentários que iria denunciá-la por não prestar socorro. Esse era seu drama a popularidade arrasada em pouquíssimo tempo. Pois a polícia batera na porta dos Crástinos em função do rastreamento das fotos postadas. O guarda perguntara a garota porque não chamara a emergência, o que carretou em omissão de socorro. Ela teria que prestar depoimento na delegacia.
     A menina se desmanchara em lágrimas, segundo a mãe Santiago virara estrelinha. Descera a cozinha e encontrara seu pai lavando um de seus tacos de beisebol, nele saia um licor avermelhado e terra. Logo observara que o pai não colocara junto a coleção, mas sim escondido.
Alice começara ligar os pontos do dialogo que escutara antes. Astuta como era resolvera encontrar o áudio das câmeras. Agora sabia de toada a trama que os pais fizeram contra Santiago, até as ligações estranhas que havia recebido, era coisa de deles.
     Não conseguira dormir pensando em seu avô de letrinhas agonizando até seu último suspiro. A menina questionara se era adota, pois não havia nada em comum com aqueles estranhos monstruosos. Tinha fome de conhecimento e eles de mesmice. Encontra Beatriz pela casa, havia sons incomuns vindo do quarto dos pais. As duas assistiram todo o ato carnal e foram para seus quartos. A menina continuara a chorar até dormir.
     Na madrugada escutara os passos do pai e sons de latas. Tempos depois os estalos das chamas que consumia a casa. O cheiro de corpos sendo queimados espantavam os curiosos. Os bombeiros chegaram, enquanto discutiam alguma estratégia, ouviram gritos do interior da casa. Um casal de desconhecidos adentraram para salvar quem fosse. Latas de querosene foram encontradas e três corpos carbonizados. As primeiras imagens na TV, mostrara uma menina no colo de um oficial. O palacete não fora atingido , mas o carro derretera junto com os livros.

****

     Trabalhara no escritório de arquitetura e maravilhava-se com seu trabalho. Caminhara até a fundação A.S.A-S (A.S.A-Santiago). Teria uma reunião decisiva se continuaria ou não na causa pelos livros físicos. Alguns países já haviam cedido. Votara a favor para continuar na luta contra proibição dos livros.
     A Quinta dos Imortais era um lugar que sempre a encantara. Montara seu passado com anotações, intuições e uma pitada de imaginação como gostara de pensar. Tinha o costume de ficar pensando. Pensara em Santiago nos tempos de Babel, queria ter o poder de reescrever sua história. Ele fora tudo para ela. Pensara em Elizabeth que a criara. Mesmo não merecendo pensara nos Crástinos, que transformara seu pedacinho do Éden em cinzas.
Agora era ela que carregava o caderno de Hilário Pena. Juntara as três histórias: Hilário, Santiago e a dela. Entre Barris de no túnel antes de entrar na biblioteca infinita, escrevera na capa do caderno “O Silêncio dos Livros”. Faria suas anotações de modo linear, e entrara no paraíso da literatura.

Obs: Este resumo está em partes como no livro. A obra não conta a história de forma linear.

domingo, 21 de junho de 2020

Viajando pelas Séries #019 - Dark


Quatro diferentes famílias vivem em uma pequena cidade alemã. Suas vidas pacatas são completamente atormentadas quando duas crianças desaparecem misteriosamente e os segredos obscuros das suas famílias começam a ser desvendados.

Dark é uma série alemã de drama, suspense e ficção científica criada por Baran bo Odar e Jantje Friese e distribuída pela Netflix. E ganhou diversos prêmios.


Primeira e Segunda temporada para que você possa entender

E uma série sobre viagens no tempo e daí vem grande parte da complexidade da trama: o público acompanha tudo o que aconteceu na pequena cidade fictícia de Winden, na Alemanha, principalmente nos anos de 1953, 1986 e 2019 (ou seja, em pontos-chave de dois ciclos de exatamente 33 anos cada). Os acontecimentos não são mostrados de forma linear ou cronológica; e os personagens aparecem em diferentes fases da suas vidas.
As viagens no tempo são possíveis porque, em uma caverna em um bosque de Winden, existe um "buraco de minhoca" - uma característica hipotética do espaço-tempo que funcionaria como um "túnel" entre dois momentos distintos. O surgimento do buraco de minhoca está ligado de alguma forma a uma explosão que aconteceu em 1986 na usina nuclear que existe em Winden.
Acontece que, em Dark, os acontecimentos ao longo do tempo não se influenciam apenas na ordem que parece lógica. "O tempo não influencia apenas o futuro: o futuro também influência o passado. É igual à questão do ovo ou da galinha. Eles estão conectados”, afirma o personagem H.G. Tannhaus, relojoeiro de Winden e autor, na série, de um livro chamado Uma Viagem no Tempo. Nas entradas dos portais que possibilitam as viagens no tempo, está escrita, em latim, a frase "Sic mundus creatus est” (E então o mundo foi criado).
Já na primeira temporada, o público é apresentado ao personagem Noah, que tem o objetivo de criar uma máquina do tempo para estabilizar as viagens cíclicas de 33 anos e controlar o que acontece no mundo. Nos anos 1980, com a ajuda de Helge, Noah construiu uma máquina do tempo em um quarto acima da caverna onde está o buraco de minhoca, e passou a conduzir diversos testes com crianças para descobrir se a viagem controlada no tempo seria possível. O problema todas as crianças que foram submetidas aos experimentos acabaram mortas.

Em 2019, porém, um garoto chamado Mikkel Nielsen viaja no tempo sem passar pelos experimentos: ele se perde na caverna e entra sem querer no buraco de minhoca, indo parar em 1986. Mikkel vive a experiência de conhecer seus pais adolescentes, e não consegue voltar para casa e nem convencer ninguém de que veio do futuro. Ele aceita sua nova realidade, é adotado e ganha o nome de Michael e é o homem que cometeu suicídio logo antes de a primeira temporada de Dark começar.


















As relações familiares de Dark


Entender quem é quem, e quais são as relações entre os personagens, facilita a vida de quem assiste Dark. Como já falamos, o protagonista e Jonas Kahnwald: ele é filho de Michael (na verdade Mikkel Nielsen) e Hannah Kahnwald. Hannah tem um caso com Ulrich Nielsen (que é pai de Mikkel/Michael); e Jonas é apaixonado por Martha Nielsen (filha de Ulrich, irmã de Mikkel/Michael, e, consequentemente, tia de Jonas). A mãe adotiva de Michael é Ines Kahnwald; uma enfermeira que adota Mikkel quando ele fica preso em 1986. Em 1953, conhecemos também o chefe de polícia Daniel Kahnwald, que faz parte das investigações sobre a descoberta dos corpos de Erick Obendorf e Yasin Friese.
A outra família já citada, portanto, é a dos Nielsen. Ulrich (um policial que tem um caso com Hannah Kahnwald) e Katharina (diretora da escola de Winden) são pais de Martha (interesse amoroso de Jonas), Magnus (namorado de Franziska Doppler) e Mikkel. Em 1986, Ulrich perdeu um irmão, Mads Nielsen, que desapareceu em circunstâncias muito parecidas com as do desaparecimento do próprio Mikkel. A avó de Ulrich é Agnes Nielsen, mãe de Tronte Nielsen: ela chega em Winden em 1953, sozinha com o filho, e passa um tempo morando com os Tiedemann. Tronte Nielsen, pai de Ulrich, teve um caso com Claudia Tiedemann nos anos 1980.
A já citada Franziska Doppler (namorada de Magnus Nielsen) é filha de Peter (psiquiatra que atende Jonas Kahnwald quando ele entra em depressão após o suicídio do pai) e Charlotte Doppler (Charlotte é chefe de polícia em Winden e colega de trabalho de Ulrich Nielsen). Peter é filho de Helge, que hoje está internado em um asilo, e que trabalhou com Noah durante um período nos anos 1980. O pai de Helge, por sua vez, era Bernd Doppler, fundador e diretor da usina nuclear até sua substituição por Claudia Tiedemann, em 1986. Já Charlotte é neta de H.G. Tannhaus, o relojoeiro e estudioso de viagens no tempo. Peter e Charlotte tem também uma filha mais nova, Elisabeth.
O diretor da usina nuclear em 2019 é Aleksander Tiedemann: Aleksander assumiu o sobrenome de sua esposa, Regina Tiedemann (dona do hotel da cidade), que é filha de Claudia Tiedemann (que é quem dirige a usina nuclear em 1986). Regina Tiedemann, aliás, foi a última pessoa a ver Mads Nielsen com vida. Claudia, por sua vez, era filha de um policial chamado Egon Tiedemann, que esteve envolvido nas investigações a respeito do desaparecimento de Mads Nielsen em 1986. Aleksander e Regina tem um filho, Bartosz, amigo de Jonas.
Nós, o público, sabemos que o verdadeiro nome de Aleksander Tiedemann é Boris Niewald: ao chegar a Winden em 1986, ele esconde seu passaporte na floresta, assume a identidade de Aleksander Köhler, e consegue emprego na usina nuclear com Claudia Tiedemann. Hannah Kahnwald conhece a verdadeira identidade de Aleksander Tiedemann, e o chantageia por isso.


Os desaparecimentos


Além de Mikkel e Mads, outras crianças que desapareceram são citadas - como Erick Obendorf, que some antes de Mikkel; e Yasin Friese, amigo de Elisabeth Doppler. O corpo de Mads é encontrado por Ulrich Nielsen logo no início da primeira temporada de Dark, durante a busca por Mikkel e o que espanta é que Mads está com a exata aparência que teria se tivesse desaparecido na véspera, e não 33 anos antes. Já os corpos de Eric e Yasin são encontrados enterrados em uma pilha de areia em 1953, no terreno que estava em obras para a construção da usina nuclear.
















Ou seja: todas as crianças que morreram em função do experimento temporal de Noah (lembrando que Mikkel escapou da morte por ter entrado sem querer no buraco de minhoca, sem passar por nenhum tipo de teste) tiveram seus corpos enterrados em outras décadas, para não levantar suspeitas sobre a dupla de sequestradores que atuava nos anos 1980, é por isso que Mads aparece em 2019; e Erick e Yasin, em 1953. Os corpos das crianças têm algumas características em comum, como os olhos queimados e os tímpanos arrebentados.

Outras viagens no tempo


Ao longo da série, além de Mikkel, outros personagens também viajam no tempo. Um deles é Ulrich Nielsen, que descobre o que aconteceu com Mads (e suspeita que o mesmo pode ter acontecido com Mikkel) e consegue voltar para 1953 - onde tenta matar um Helge ainda criança, para evitar que ele cresça e sequestre os meninos. Helge, porém, sobrevive (é por causa do ataque de Ulrich, aliás, que o Helge adulto tem cicatrizes no rosto); e Ulrich vai parar na prisão em 1953. Ele é preso, aliás, por um jovem policial Egon Tiedemann, que, em 1986, acusaria o mesmo Ulrich Nielsen, então adolescente, de ser responsável pelo desaparecimento do irmão Mads.
O Helge de 2019, idoso, também volta ao passado, para tentar impedir o Helge jovem, de 1986, de ajudar Noah. Helge tenta matar o Helge mais jovem em um acidente de carro - mas acaba morto ele mesmo.
E, claro, há O Estranho: um homem misterioso que aparece em Winden e se hospeda no hotel de Regina Tiedemann. No final da primeira temporada, descobrimos que O Estranho é a versão adulta de Jonas que volta ao passado para deixar instruções a si mesmo a respeito do que fazer. O grande objetivo de Jonas é descobrir uma maneira de interromper a repetição de ciclos de 33 anos e modificar os acontecimentos do futuro; o que, até agora, parece impossível, visto que cada acontecimento de 2019, por exemplo, já foi estritamente definido pelo desenrolar das coisas em 1953 e 1986.
Dark brinca diversas vezes com um paradoxo famoso entre os entusiastas das viagens no tempo, o Paradoxo de Bootstrap: o Jonas de 2019 só sabe o que fazer porque o O Estranho (que é o próprio Jonas do futuro) o ensina, o que nos leva a supor que O Estranho, por sua vez, aprendeu tudo o que sabe com outro Jonas, que veio do futuro quando O Estranho se encontrava em 2019. Então de onde veio esse conhecimento, afinal? Qual é a fonte original dessas informações? Outro exemplo: em 1986, o Jonas adulto, seguindo instruções de Claudia Tiedemann, aciona a máquina do tempo porque acha que isso pode anular o buraco de minhoca dentro da caverna. Mas Noah afirma que essa ação foi justamente o que criou o buraco de minhoca.
E há mais: no final da primeira temporada, Jonas vai parar em 2052, em uma sociedade com ar pós-apocalíptico, onde a usina nuclear foi quase totalmente destruída em um acidente (é em 1952 que Jonas adquire as cicatrizes no pescoço que vemos n'O Estranho desde sua primeira aparição). Elisabeth Doppler, que é apenas uma criança em 2019, é a implacável líder da comunidade de Winden em 2052.
Outra viajante frequente do tempo é Claudia Tiedemann, a ex-diretora da usina nuclear, que, já idosa, confronta Noah na batalha pelo controle das viagens no tempo. Claudia influencia fortemente O Estranho; e os dois, juntos, são quem fornece as instruções para que H.G. Tannhaus consiga construir sua "máquina do tempo", usada diversas vezes na série. Outro Paradoxo de Bootstrap: como Jonas poderia ter voltado no tempo e ensinado alguém a criar a máquina do tempo, sem a existência prévia da tal máquina?

Mais um ciclo temporal e a identidade de Adam


Na segunda temporada, Jonas acessa mais uma data nos ciclos de 33 anos: 1921, onde conhece um Noah ainda jovem, que o recruta para finalmente conhecer o grupo de Viajantes. É em 1921 que Jonas descobre a real identidade de Adam, o verdadeiro líder dos Viajantes: Adam é o próprio Jonas; um Jonas ainda mais velho que O Estranho, com o rosto profundamente marcado por suas dezenas, talvez centenas, de viagens pelo tempo. Adam revela a Jonas que descobriu como viajar para qualquer data no tempo, independente dos ciclos de 33 anos, com a ajuda de uma massa de energia criada por ele mesmo. O desejo de Adam é que Jonas viaje até a véspera do suicídio de Michael e o impeça, porque o suicídio seria o estopim de tudo o que aconteceu depois.

Acontece que, ao retornar para 2019, Jonas descobre que é ele mesmo quem orquestra o desaparecimento de Mikkel e o suicídio do próprio pai, tornando a repetir os acontecimentos no tempo, exatamente como já se desenrolaram antes. No final da temporada, fica claro que o verdadeiro objetivo de Adam é garantir que tudo realmente aconteça como sempre aconteceu (diferente do que ele disse ao Jonas jovem): por motivos que ainda não conhecemos, ele quer se tornar exatamente quem é.

A Matéria Escura e "A Partícula de Deus"


A segunda temporada é também o momento em que Dark mergulha mais fundo em alguns conceitos físicos: a massa negra - que parece um pouco um líquido, um pouco fumaça, um pouco algo vivo, um pouco simplesmente um vazio na escuridão, descoberta por Jonas nas ruínas da usina nuclear na Winden de 2052 é explicada por Adam como sendo matéria escura, teoria que diz que boa parte do universo é formada por essa matéria, invisível por não emitir ou refletir luz.
Adam também cita o Bóson de Higgs, também conhecido como "Partícula de Deus", uma partícula subatômica responsável por conceder massa a todas as outras. Aquela massa negra, diz a série, seria resultado de uma imensa descarga de energia, como um "mini Big-Bang" ("e então o mundo foi criado"?). O próprio Adam descobriu como produzir, ele mesmo, essa massa de energia negra, e a fez interagir com a massa vista por Jonas na usina.

Noah e Claudia


Assim como Jonas, outros personagens centrais ao longo da série são Noah e Claudia. Até a aparição de Adam, acreditamos que Noah é o líder dos Viajantes - mas depois descobrimos que Noah só seguia as ordens de Adam por acreditar que o líder tinha o objetivo de evitar o Apocalipse (supostamente, um acidente nuclear ocorrido em Winden em 27 de junho de 2020, sim, exatamente a data de estreia da terceira temporada). Ao descobrir que essa não é verdadeira intenção de Adam (e que, consequentemente, a família de Noah não será salva do apocalipse), Noah tenta matá-lo e acaba morto por Agnes, outra dos Viajantes (Agnes Nielsen, a avó de Ulrich).
O interessante é que Noah se envolveu com a Elisabeth de 2052, e com ela, teve uma filha, Charlotte, que foi enviada para ser criada no passado. Sim, Charlotte Doppler, mãe da menina Elisabeth em 2019: as duas são mães e filhas uma da outra, ao mesmo tempo. Charlotte descobre que Noah é seu pai, mas ainda não sabe a verdade sobre sua mãe.
A Clauda idosa, por sua vez, viaja bastante entre as décadas, e parece agir no sentido de garantir que sua versão mais jovem desenvolva o interesse necessário para seguir seus passos: ela visita a si mesma para contar tudo o que aconteceu, e enterra o dispositivo de viagem no tempo no terreno da casa de sua versão adulta. Em 1986, Claudia (que ganha o livro Uma Viagem no Tempo de Helge Doppler) começa a entender o que aconteceu e a pesquisar sobre a Partícula de Deus, para tentar descobrir como evitar o apocalipse. Ela viaja para o futuro e aprende, por meio da internet, que, em 1986, foi considerada desaparecida. Claudia também acaba causando a morte do pai, o policial Egon Tiedemann, ao tentar evitá-la.

Os sobreviventes do apocalipse


A segunda temporada fez com que a maioria dos personagens principais fosse parar em lugares ou épocas que vão permitir que eles sobrevivam ao apocalipse previsto para o dia 27 de junho de 2020. Ulrich Nielsen e Hannah Kahnwald estão em 1953. Mikkel e Bartosz estão em 1987, e Katharina Nielsen também pode estar lá, uma vez que é vista tentando chegar ao buraco de minhoca escondido na caverna momentos antes da explosão. Magnus e Franziska foram levados pelo Jonas adulto para uma época ainda não revelada, mas já vimos o casal, agora como dois adultos, como parte do grupo de Viajantes em 1921: será que é para lá que eles foram?

[Spoiler!] [Não leia se não tiver assistido ainda]
Final da segunda temporada


No último episódio da segunda temporada de Dark, Adam chega a 2020 e mata Martha - supostamente, porque isso é necessário para que Jonas desenvolva sentimentos e objetivos que vão fazê-lo "tornar-se" Adam no futuro. Acontece que, logo em seguida, Jonas recebe a visita de outra Martha, que diz que veio não de um tempo diferente, e sim de um mundo diferente e, usando um dispositivo parecido com a máquina do tempo que já conhecemos, leva Jonas dali.


Pode essa nova Martha ter vindo de uma linha temporal diferente, ou seja, uma linha originada por um acontecimento ou uma ação de alguém que descobriu como quebrar o eterno ciclo repetitivo do tempo? Ou ela de fato veio de um outro universo? A teoria do multiverso também é forte na física, e pode ser o próximo passo de uma série que já lida com viagens no tempo e outras teorias científicas complexas.

Vídeo da terceira temporada



Obs: Só digo uma coisa os criadores arramaram todas as pontas soltas no final.


E aí, está preparado para essa série paradoxal?

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domingo, 14 de junho de 2020

Ideias para Adiar o Fim do Mundo - Ailton Krenak


Neste livro, o líder indígena critica a ideia de humanidade como algo separado da natureza, uma "humanidade que não reconhece que aquele rio que está em coma é também o nosso avô".

Essa premissa estaria na origem do desastre socioambiental de nossa era, o chamado Antropoceno. Daí que a resistência indígena se dê pela não aceitação da ideia de que somos todos iguais. Somente o reconhecimento da diversidade e a recusa da ideia do humano como superior aos demais seres podem ressignificar nossas existências e refrear nossa marcha insensata em direção ao abismo.

"Nosso tempo é especialista em produzir ausências: do sentido de viver em sociedade, do próprio sentido da experiência da vida. Isso gera uma intolerância muito grande com relação a quem ainda é capaz de experimentar o prazer de estar vivo, de dançar e de cantar. E está cheio de pequenas constelações de gente espalhada pelo mundo que dança, canta e faz chover. [...] Minha provocação sobre adiar o fim do mundo é exatamente sempre poder contar mais uma história."

Desde seu inesquecível discurso na Assembleia Constituinte, em 1987, quando pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo para protestar contra o retrocesso na luta pelos direitos indígenas, Krenak se destaca como um dos mais originais e importantes pensadores brasileiros. Ouvi-lo é mais urgente do que nunca.
Ideias para adiar o fim do mundo é uma adaptação de duas conferências e uma entrevista realizadas em Portugal, entre 2017 e 2019.




domingo, 7 de junho de 2020

Indicaçoes de Leitura - Especial George Orwell

GEORGE ORWELL nasceu em Motihari, norte da Índia, em 1903. Filho de funcionário da administração britânica do comércio de ópio, estudou em colégios tradicionais na Inglaterra. Na década de 1920, foi agente da polícia colonial na Birmânia. Nas décadas seguintes, publicou romances, ensaios e textos jornalísticos. É considerado um dos autores mais importantes do século XX. Morreu de tuberculose em Londres, em 1950.

Publicada originalmente em 1949, a distopia futurista 1984 é um dos romances mais influentes do século XX, um inquestionável clássico moderno. Lançada poucos meses antes da morte do autor, é uma obra magistral que ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre a essência nefasta de qualquer forma de poder totalitário.

Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O'Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro".
Quando foi publicada em 1949, essa assustadora distopia datada de forma arbitrária num futuro perigosamente próximo logo experimentaria um imenso sucesso de público. Seus principais ingredientes - um homem sozinho desafiando uma tremenda ditadura; sexo furtivo e libertador; horrores letais - atraíram leitores de todas as idades, à esquerda e à direita do espectro político, com maior ou menor grau de instrução. À parte isso, a escrita translúcida de George Orwell, os personagens fortes, traçados a carvão por um vigoroso desenhista de personalidades, a trama seca e crua e o tom de sátira sombria garantiram a entrada precoce de 1984 no restrito panteão dos grandes clássicos modernos.
Algumas das ideias centrais do livro dão muito o que pensar até hoje, como a contraditória Novafala imposta pelo Partido para renomear as coisas, as instituições e o próprio mundo, manipulando ao infinito a realidade. Afinal, quem não conhece hoje em dia "ministérios da defesa" dedicados a promover ataques bélicos a outros países, da mesma forma que, no livro de Orwell, o "Ministério do Amor" é o local onde Winston será submetido às mais bárbaras torturas nas mãos de seu suposto amigo O'Brien.
Muitos leram 1984 como uma crítica devastadora aos belicosos totalitarismos nazifascistas da Europa, de cujos terríveis crimes o mundo ainda tentava se recuperar quando o livro veio a lume. Nos Estados Unidos, foi visto como uma fantasia de horror quase cômico voltada contra o comunismo da hoje extinta União Soviética, então sob o comando de Stálin e seu Partido único e inquestionável. No entanto, superando todas as conjunturas históricas - e até mesmo a data futurista do título -, a obra magistral de George Orwell ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre os excessos delirantes, mas perfeitamente possíveis, de qualquer forma de poder incontestado, seja onde for.

"O maior escritor do século XX." - Observer

"Obra-prima terminal de Orwell, 1984 é uma leitura absorvente e indispensável para a compreensão da história moderna." - Timothy Garton Ash, New York Review of Books


Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século XX, A revolução dos bichos é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos.

Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.
De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética.
Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto.
Depois das profundas transformações políticas que mudaram a fisionomia do planeta nas últimas décadas, a pequena obra-prima de Orwell pode ser vista sem o viés ideológico reducionista. Mais de sessenta anos depois de escrita, ela mantém o viço e o brilho de uma alegoria perene sobre as fraquezas humanas que levam à corrosão dos grandes projetos de revolução política. É irônico que o escritor, para fazer esse retrato cruel da humanidade, tenha recorrido aos animais como personagens. De certo modo, a inteligência política que humaniza seus bichos é a mesma que animaliza os homens.
Escrito com perfeito domínio da narrativa, atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de personagens e situações, A revolução dos bichos combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias: a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift seu representante máximo.

"A melhor sátira já escrita sobre a face negra da história moderna."
Malcolm Bradbury

"Um livro para todos os tipos de leitor, seu brilho ainda intacto depois de sessenta anos."
Ruth Rendell

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