segunda-feira, 10 de abril de 2023

Onde Estão as Flores? - Ilko Minev


Licco Razan é um velho vivido que quer contar a sua história para que a família entenda toda uma trajetória que começou na distante Bulgária, passou pela Turquia e foi se enraizar na Amazônia.

Ilko Minev, um imigrante que foi exilado político na Bélgica antes de vir para o Brasil e que sentiu na pele a ação terrível de um regime totalitário, além das dificuldades de fazer sua uma terra com hábitos e costumes tão diferentes, utiliza-se de uma mistura de elementos históricos com uma narrativa muito rica e fluida para criar Onde estão as flores?

Traçando um panorama histórico da Europa, neste livro Minev descreve o até então inédito salvamento dos 50 mil judeus búlgaros, dando detalhes do fluxo migratório dos judeus para a pouco habitada Região Norte do Brasil e defendendo sem ideologismo um mundo sem guerras.

O título do livro é inspirado na canção “Where have all the flowers gone?”, eternizada por Marlene Dietrich e que se tornou uma espécie de hino contra as guerras.

Também poderá gostar de: Nas Pegadas da Alemoa - Ilko Minev.

domingo, 2 de abril de 2023

Sussurros: A vida privada na Rússia de Stalin - Orlando Figes


O livro conta os bastidores de um dos mais importantes momentos políticos dos tempos modernos. E entra no território inexplorado das vidas privadas durante aqueles anos terríveis.

Sussurros revela as histórias ocultas de famílias soviéticas comuns que viveram sob a tirania de Stalin. Muitos livros descrevem os aspectos externos desse período - as prisões e os julgamentos, as escravizações e os assassinatos no Gulag -, mas este é o primeiro a explorar com profundidade sua influência na vida de quem sofreu as opressões stalinistas. 

Como o povo soviético conduzia sua vida privada durante o governo de Stalin? O que as pessoas realmente pensavam e sentiam? Que tipo de cotidiano era possível nos apartamentos comunais abarrotados, onde quartos eram divididos por uma família inteira - às vezes até por mais de uma - e as conversas podiam ser ouvidas no cômodo ao lado? O que significava a vida privada quando o Estado controlava quase todos os aspectos dela por meio da legislação, da vigilância e da ideologia?

A esfera moral familiar é o principal território de Orlando Figes. O autor explora como esses núcleos reagiam às várias pressões do regime soviético. E não foram poucos os afetados pelo terror: estimativas mostram que cerca de 25 milhões de pessoas foram reprimidas pelo regime soviético entre 1928, quando Stalin assumiu a liderança do partido, e 1953, ano da morte do ditador e do fim de seu reino de horror.

A obra é fundamentado em centenas de documentos (cartas, diários, documentos pessoais, memórias, fotografias e objetos) escondidos até recentemente por sobreviventes do terror de Stalin em gavetas e sob colchões em casas espalhadas pela Rússia. Em cada família, foram feitas longas entrevistas com os parentes mais velhos, capazes de explicar o contexto dos documentos e situá-los na história não contada. Esses materiais foram reunidos em um arquivo especial, que representa uma das maiores coleções de documentos sobre a vida privada no período de Stalin.

Um vasto retrato panorâmico de uma sociedade em que todos falavam em sussurros - seja para proteger suas famílias e amigos, ou para informá-los -, Sussurros é um relato emocionante sobre vidas vividas em tempos impossíveis.

domingo, 26 de março de 2023

Bilionários Nazistas - David de Jong


Um livro inquietante que reconstitui os mecanismos de violência e corrupção que estão na origem da riqueza de várias das dinastias empresariais mais poderosas do mundo. Bilionários nazistas é uma prova de que o resgate da memória histórica sobre esse sinistro período continua relevante e necessário.

A história do nazismo na Alemanha é inseparável das biografias dos industriais e financistas que ajudaram Adolf Hitler a conquistar o poder absoluto e lucraram milhões com as atrocidades do Terceiro Reich – são nomes como os Von Finck, Porsche, Oetker e Quandt. Aduladores e inescrupulosos, eles ampliaram seus impérios através do roubo de propriedades judaicas e da exploração do trabalho forçado de vítimas da barbárie nazista, além da fabricação de armas e munições. 

A brandura do julgamento de seus crimes no pós-guerra possibilitou a continuidade de suas dinastias empresariais, cujos herdeiros acumulam fortunas e administram marcas mundialmente famosas até hoje, como Volkswagen, Dr. Oetker, BMW e Allianz. E por que, depois de tantas décadas, eles ainda estão fazendo tão pouco para reconhecer os crimes de seus antepassados?

Debruçado sobre milhares de documentos e fontes originais, além de abrangentes pesquisas historiográficas, o jornalista e historiador David de Jong – holandês de origem judaica – disseca as origens obscuras das fortunas multiplicadas a ferro e fogo entre 1933 e 1945. Neste livro, seu trabalho de estreia, o autor faz um chamado ao resgate da memória do genocídio nazista, tarefa primordial em tempos de ressurgência do extremismo antidemocrático.

Opinião

A Segunda Guerra Mundial é, provavelmente, o evento histórico sobre o qual mais se escreveu em todos os tempos. Existem inúmeros relatos das sangrentas batalhas pela Europa, assim como há documentos sobre as atrocidades contra os judeus e as festas pela vitória dos aliados. Há um tema, porém, que sempre permaneceu nas sombras, seja pela dificuldade em obter fontes confiáveis ou pelo receio de envolver conglomerados poderosíssimos. Estamos falando do financiamento privado do nazismo, injeção de dinheiro que tornou mais eficaz a máquina de propaganda de Joseph Goebbels, levando Adolf Hitler ao poder – e o mantendo por lá firme e forte, mesmo após a escalada extremista do regime. Em Bilionários Nazistas, livro corajoso e historicamente bem fundamentado, o repórter investigativo holandês David de Jong revela como as dinastias mais ricas da Alemanha acumularam fortunas e poderes incalculáveis graças ao apoio ao Terceiro Reich.

A estratégia era clara: os empresários expropriavam companhias judaicas concorrentes e eram beneficiados com o uso de trabalhadores escravos vindos de países como Ucrânia e Polônia. Em troca, investiam em áreas que abasteciam a guerra, como a indústria automobilística, do aço e do setor químico. De Jong expõe ainda como a conivência dos EUA permitiu que esses bilionários escapassem de seus crimes praticamente sem punição, mantendo-se relevantes até hoje na economia mundial.


A cena de abertura é antológica. Três semanas após Hitler chegar ao cargo de chanceler, doze magnatas alemães são convocados para uma reunião na casa de Hermann Göring, então presidente do Reichtag. Entre os presentes estavam Günther Quandt, produtor têxtil convertido em proprietário de fábricas de armas, o milionário do aço Friedrich Flick e o barão August von Finck, do setor financeiro, entre outros. Em seu discurso, Hitler argumentou que, ao bancar sua ascensão, estariam “apoiando a si próprios, suas empresas e suas fortunas”. Ao final da apresentação, o líder alemão deixou a sala e Göring confessou o motivo do encontro: o partido nazista estava quebrado e precisava de dinheiro. “Essa eleição será a última dos próximos dez anos, talvez até dos próximos cem”, afirmou. Todos entenderam o recado. No dia seguinte, 21 de fevereiro de 1933, Joseph Goebbels, cérebro da propaganda nazista, anotou em seu diário: “Göring traz a alegre notícia de que temos três milhões em caixa. Ótimo! O trabalho será divertido, o dinheiro está lá”.

É bom ressaltar que, apesar de alguns desses homens serem nazistas de carteirinha, a maioria deles eram empreendedores oportunistas que se tornaram membros do partido por acreditar que seria um bom negócio. A obra também aborda o processo de “desnazificação” de nomes considerados estratégicos pelo governo de Harry Truman, dos EUA. Quando a Guerra Fria começou, em 1947, a prioridade deixou ser a punição dos alemães e passou a ser a promoção da recuperação econômica do país. Os apoiadores mais radicais do nazismo enfrentaram duras condenações em tribunais como o de Nuremberg, mas outros foram beneficiados para ajudar a conter a expansão da influência da União Soviética. Veio então o plano Marshall, do secretário de Estado George C. Marshall, que ajudou a Alemanha com quinze bilhões de dólares. O país logo voltou a ser uma potência e muitas das empresas que apoiaram Hitler foram perdoadas definitivamente.

Fonte: Istoé.

domingo, 19 de março de 2023

Upstate - James Wood


Alan Querry, um investidor imobiliário bem-sucedido do norte da Inglaterra, tem duas filhas: Vanessa, uma filósofa que vive e leciona em Saratoga Springs, NY, e Helen, executiva de uma gravadora com sede em Londres. As irmãs nunca se recuperaram do divórcio amargo dos pais e da morte precoce da mãe – particularmente com Vanessa, que desde a adolescência era atormentada por crises de depressão. 

Quando sofre uma nova crise, Alan e Helen viajam para Saratoga Springs. Ao longo de seis dias de inverno no norte de Nova York, a família Querry começa a enfrentar os problemas que impulsionam este romance profundo e penetrante. Por que algumas pessoas consideram a vida muito mais difícil do que outras? A felicidade é uma habilidade que pode ser desenvolvida, ou é um feliz acaso do nascimento? A reflexão é útil à felicidade, ou dificulta a sua conquista? Se, como diz o filósofo favorito de Vanessa, "o único empreendimento sério é viver", como devemos viver? Com uma visão humana rica e sutil, repleto de retratos pungentes e muitas vezes engraçados, vívido e com um senso de lugar, Upstate é um romance perspicaz e intensamente comovente.

domingo, 12 de março de 2023

Livre - Virando adulta no fim da história - Lea Ypi


Este livro foi escrito ao longo do período de isolamento provocado pela pandemia de Covid-19. A experiência, ainda que em circunstâncias distintas, remeteu a autora ao lockdown vivido na Albânia, em 1997, em decorrência da guerra civil que sobreveio ao fim do regime socialista. 

Foi assim que nasceu Livre, misto de livro de memórias e teoria política que causou furor ao ser lançado no mundo de língua inglesa em 2021. Nascida na Albânia em 1979, Lea Ypi fala de seus anos de formação num país isolado pelo totalitarismo. Com humor e leveza, Ypi relembra a infância sob o regime socialista, a adoração aos líderes Enver Hoxha e Ióssif Stálin e a presença constante do Partido em todos os aspectos da vida. 

A consciência acerca do regime autoritário em que vivia se dá em paralelo ao processo de abertura política do país, que acaba resultando em uma guerra civil. O que torna a narrativa profundamente envolvente, além do amadurecimento político da pequena Lea, é a descoberta de como os pais e a adorada avó encobriam a realidade para protegê-la. 

Professora de teoria política e especialista em Marx, Lea Ypi apresenta o socialismo a seus alunos como uma teoria da liberdade humana. Enquanto seus pais acreditavam que o liberalismo traria liberdade, a autora não alimentava essa ilusão. Vem daí a singularidade deste livro: ao contrário do que desejariam alguns, a tomada de consciência da autora em relação aos descalabros do regime comunista não se traduz em aceitação ingênua das iniquidades do mundo.

"Eles (pais) também viam a liberdade como algo que se descobre no processo de entender as mentiras que cercam você. É algo que não pode vir de uma palestestra ou de um ensinamento. Ninguém pode tornar você livre.

Há um dimensão moral da liberdade que não poder ser reduzida a um arranjo institucional ou capturado por nenhum sistema político particular"  - Palavras de Lea Ypi. 

domingo, 5 de março de 2023

Emma - Jane Austen


Uma jovem bonita, rica e inteligente – sua vida seria livre de problemas, não fossem os que ela mesma cria.

Emma Woodhouse não pretende se casar jamais, mas isso não a impede de interferir na vida amorosa dos que estão ao seu redor. Ela se considera altruísta por ajudar os amigos a conseguir bons casamentos – afinal, a sociedade inglesa do século XIX se sustenta sobre bailes, passeios de carruagem e matrimônio. Mas, apesar das boas intenções da protagonista, há quem desconfie de seus talentos como casamenteira.

Neste romance, Jane Austen mira seu olhar afiado sobre os costumes ingleses para tecer uma história de desencontros amorosos e crítica social. Emma, sua protagonista, tem a profundidade de uma pessoa real, um retrato de sua época e lugar, com nuances e um amadurecimento que, independente de como julgamos seus atos, cativam o leitor da primeira à última página.

A edição da Antofágica é ilustrada por Brunna Mancuso e conta com apresentação da atriz e cantora Sophia Abrahão. Doutora em Estudos Literários (USP), Renata Colasante nos fornece um panorama da vida e da obra de Jane Austen, e Marcela Soalheiro Cruz, doutora em Comunicação Social (PUC-Rio), esmiúça as influências da autora na cultura pop. Lorena Portela, escritora, expõe os pontos de contato entre Emma e personagens contemporâneas – da tevê à vida real.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

A lista de convidados - Lucy Foley


Autora do best-seller A última festa volta com suspense impossível de largar sobre uma festa de casamento da qual nem todos os convidados sairão vivos.

Um casamento. Um corpo. Todos são suspeitos.

Em uma ilha afastada na costa da Irlanda, convidados se reúnem para celebrar uma união de dar inveja. O noivo, bonito e charmoso, é uma estrela de TV em ascensão. A noiva, elegante e ambiciosa, é editora da própria revista. A festa de casamento é um reflexo de suas personalidades: vestido e terno de grife, localização remota e exclusiva, decoração luxuosa, uísque da melhor qualidade. Tudo rigorosamente planejado.

Mas a perfeição só existe mesmo nos planos. E o perigo mora nos detalhes. À medida que as garrafas de champanhe estouram e a festa avança, o ressentimento e a inveja começam a se sobrepor à alegria e aos votos de felicidade. E então uma tempestade desaba com fúria sobre a ilha, e esse é só mais um motivo para abalar os ânimos já alterados.

Depois de uma abrupta queda de luz no meio da festa, a garçonete anuncia aos convidados que um corpo foi encontrado. Isolados e aguardando a chegada da polícia, apenas uma coisa é certa: o assassino é uma das pessoas presentes no evento.

Autora


Lucy Foley estudou literatura inglesa e trabalhou durante anos como editora de ficção, até se dedicar à escrita em tempo integral. Seu livro anterior, A última festa, publicado pela Intrínseca, foi sua estreia na literatura de suspense, após a publicação de três romances históricos, que foram traduzidos para dezesseis idiomas. Já escreveu para veículos como ES Magazine, Sunday Times Style, Grazia e outros.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Cine Pipoca #026.


Olá pensadores, para esse feriadão temos filmes leves e outros nem tanto. Como no caso de "Desapega!", nacional, para assistir em família. Já "O menino e o tigre" é um filme mais denso e temos também a grande produção hollywoodiana "Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania. Vamos conferir!   



Rita (Glória Pires) era uma compradora compulsiva. Sete anos se passaram e ela encontra-se livre do vício em compras. Para ajudar outras pessoas com o mesmo problema, ela lidera um grupo de apoio aos compradores compulsivos e trabalha como organizadora pessoal. Com a vida longe das promoções, Rita engata um namoro com Otávio (Marcos Pasquim) e nada parece abalar seu equilíbrio. Tudo muda quando sua filha única (Maísa) revela seus planos de sair de casa. Agora, essa mamãe vai ter que se virar para segurar a ansiedade e não cair na tentação de mergulhar nas famigeradas comprinhas.


Balmani (Sunny Pawar) descobriu um pequeno tigre em uma armadilha e resolve soltá-lo, mas o animal ficou sem sua mãe. O fato de também ser órfão fez com que jovem tivesse uma ideia ousada. Agora, não bastava mais deixá-lo livre, mas encontrar uma família para o pequeno felino. Para isso, ele decide rumar numa incrível aventura aos Himalaias, encontrar o Ninho do Tigre. O problema é que essa incrível amizade corre grande perigo, pois os caçadores não estão dispostos a perder a valiosa mercadoria


Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania é do mesmo diretor dos sucessos Homem-Formiga (2015) e Homem-Formiga e a Vespa (2018). Scott Lang / Homem-Formiga (Paul Rudd) seguiu com a vida depois de ter sido preso e colaborado com os Vingadores. Para a surpresa dele, da esposa Hope van Dyne / Vespa (Evangeline Lilly), do sogrão Dr. Hank Pym (Michael Douglas) e da sogra Janet (Michelle Pfeiffer), sua filha Cassie (Kathryn Newton) estabeleceu novo contato com o Reino Quântico. A iniciativa foi o suficiente para levá-los para lá. Agora, eles vão encarar uma aventura épica, em um perigoso mundo secreto habitado pelo poderoso Kang (Jonathan Majors). Este é 31º filme do Universo Cinematográfico Marvel.

Também poderá gostar: Cine Pipoca #025.

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Entendendo a obra "Estado Elétrico" de Simon Stalenhag.



Numa mistura delirante de On the road e Black Mirror, o artista sueco Simon Stålenhag cria um livro único. Uma viagem visual a um futuro aterrador e sombrio.

Num 1997 imaginado e apocalíptico, uma jovem em fuga e seu robô atravessam os Estados Unidos rumo ao oeste. Ruínas de gigantescos drones de batalha se espalham pela paisagem, junto a toda espécie de lixo descartado de uma sociedade ultra tecnológica e consumista em declínio. À medida que se aproximam da fronteira do país, o mundo parece se desfazer num ritmo cada vez mais alucinante, como se em algum lugar além do horizonte o núcleo oco da civilização finalmente fosse desabar. Em Estado elétrico, Simon Stålenhag volta sua visão atordoante para a América. Com desenhos hiper-realistas e um talento extraordinário para narrar, o artista sueco coloca em cena uma história de amizade e horror, lealdade e suspense, em que uma sensação de constante ameaça paira sobre cada sequência e imagem.

Conhecendo a história

O artista sueco Simon Stålenhag, ganhou projeção internacional quando suas pinturas – que misturam cenários bucólicos e ruínas de máquinas hi-tech – inspiraram a elogiada série ‘Tales from the Loop’, escrita por Nathaniel Halpern e transmitida pela plataforma de streaming Amazon Prime Video. Independentes entre si, cada um dos oito episódios da obra acompanha uma personagem cujo cotidiano campestre é atravessado pela influência da tecnologia numa cidade interiorana que abriga um misterioso complexo industrial de pesquisa científica, em uma versão alternativa dos anos 1990.

Agora Stålenhag, renovador da ficção científica por ambientar suas histórias num tempo mítico, indeterminado, cruzando o mundo real com o digital, publica no Brasil, pela Companhia das Letras, o álbum ’Estado Elétrico’, que reúne uma série de ilustrações encadeadas por um fio narrativo que relata a roadtrip melancólica pelo Oeste dos Estados Unidos da protagonista Michelle com seu robô Skip em busca de seu irmão, há muito tempo separado dela.

Em sua jornada, que também se passa em uma versão retrofuturista dos anos 1990, Michelle se depara com os efeitos de um aparato de realidade virtual que vicia seus usuários e os transforma praticamente em zumbis tecnológicos. Em tempos nos quais a bola da vez no Vale do Silício é o metaverso, a obra de Stålenhag soa como uma fábula cautelar vinda não do futuro, mas de um passado que nunca aconteceu.


Fiel à estética cyberpunk, ‘Estado Elétrico’ imagina os efeitos potencialmente devastadores desse tipo de tecnologias para o tecido social. Nesse passado alternativo, as pessoas passam a se interessar mais pelo mundo digital do que pelo real, o que talvez não seja tão distante do que já esteja em curso desde a ascensão dos smartphones. “Não lido com o futuro, não sou futurista. As pessoas mais fracassaram do que obtiveram sucesso ao imaginar o futuro. Eu sou parte da geração que percebeu que jamais teremos carros voadores”, afirma Simon Stålenhag. Nas palavras do artista, suas ilustrações retratam “sonhos do passado sobre o futuro”.

Stålenhag conta que, durante algum tempo, viajou quase todo ano para os Estados Unidos e passou muito tempo tirando fotografias de paisagens da Califórnia para elaborar as artes presentes em ‘Estado Elétrico’. Sua linguagem formal está ancorada no trabalho digital de artistas conceituais como Ralph McQuiarrie (de Star Wars) e Syd Med (Blade Runner), mas o sueco vai além, unindo conteúdo transgressor e linguagem híbrida, o que explica suas adaptações para diversas mídias (séries de TV e álbuns de música eletrônica). “Sempre quis criar uma história sobre crescer na América”, diz ele.

Pode parecer um contrassenso que um artista cuja obra seja tão marcada por um forte sentimento nostálgico queira abordar uma região tão distante – geográfica, visual e politicamente – de sua terra natal, Estolcomo. No entanto, a escolha por retratar uma personagem norte-americana que atravessa o Vale do Silício desolado diz muito sobre a infância do próprio autor.


“Michelle é uma personagem que já desistiu daquela sociedade. Skip, no entanto, representa, para ela, esperança. Cuidar dele e protegê-lo torna-se seu objetivo, seu propósito. Ela é uma sobrevivente, afinal. É por ele que ela segue em frente”, analisa Stålenhag. A relação de Michelle com Skip é inspirada na relação dele com os próprios irmãos, mais especificamente com sua irmã mais velha, que ofereceu, segundo ele, “proteção emocional” durante a separação de seus pais, quando ele tinha 10 anos.

Para Stålenhag, “o passado é um lugar confortável para se estar”, e a nostalgia presente em suas ilustrações vem da “percepção da própria mortalidade, da passagem do tempo”. Ele explica: “Em uma sociedade consumista, somos constantemente lembrados da passagem do tempo. Isso motiva a nostalgia, a ideia de que algumas coisas eram melhores, mesmo que outras não fossem. Numa cabana isolada não se vê o tempo passar”.

Embora seja um artista visual autodidata, Stålenhag destaca entre suas influências os motivos pastoris e paisagens idílicas dos artistas suecos Bruno Liljefors (1860-1939), Gunnar Brusewitz (1924-2004) e Lars Jonsson (1952-), mesclados à estética cyberpunk que se imiscui em suas obras. Apesar de mobilizar temáticas densas e muitas vezes lúgubres, é comum que as pinturas presentes em ’Estado Elétrico’ e em seus demais trabalhos sejam visualmente pacíficas, com tons aquarelados e harmoniosos. A influência direta ou indireta de quadrinistas como Alex Ross e Wang Ling (mais conhecido pelo pseudônimo Wlop) pode ser notada nos traços quase fotorrealistas de’Estado Elétrico’.

Stålenhag considera que sua obra trata da sensação que a tecnologia exercia sobre ele quando criança em Estocolmo. “Eu não a entendia, mas ela não representava uma ameaça. Sempre fui fascinado por máquinas, essas ferramentas poderosas que podem tanto fazer o bem quanto o mal”. O aspecto mais instigante sobre a tecnologia para ele é sua “absoluta indiferença para com a sociedade humana e seus valores”, afirma ele. “A tecnologia é como um inseto: pode até provocar medo, mas não é maligno em si”.

A obra de Stålenhag reflete, enfim, nostalgia de um passado não vivido. Ele cresceu nos arredores de Estocolmo entre o fim da década de 1980 e o começo dos anos 1990, quando uma bolha imobiliária assolou a economia da Suécia, elevou o desemprego e desencadeou uma quebradeira nos bancos do país. Ao longo de sua infância, era comum para ele caminhar em cenários rurais pincelados com ruínas de fábricas falidas.


Se, em ’Tales from the Loop’, o complexo industrial instalado na cidadezinha interiorana define a vida de toda uma comunidade, em ’Estado Elétrico’, o avô da protagonista, que trabalhava em fábricas de naves, morre por exposição a substâncias tóxicas envolvidas na produção. É frequente nas histórias do artista que os efeitos da tecnologia na sociedade sejam não apenas reais, mas perturbadores e irreversíveis.

É como se a obra de Stålenhag sempre sugerisse que, se por um lado a tecnologia proporciona prosperidade econômica, também traz impactos que fogem ao controle das pessoas que a circundam. É nessa dicotomia que se firma o retrofuturismo nostálgico e levemente distópico de suas paisagens, que expressam tanto quanto ou até mais do que suas narrativas.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Indicações de Leitura - Holly Jackson



A criadora da série 'Manual de assassinato para boas garotas' – Holly Jackson, tem histórias cheias de tensão e mistério. O gênero suspense é muito aceito por leitores que gostam de mergulhar nas histórias. Prepara-se para questionar tudo o que achava que sabia nessa trilogia de tirar o fôlego.

Livro 1 – Manual de assassinato para boas garotas.

Todos em Little Kilton conhecem essa história. Andie Bell, a garota mais bonita e popular da escola, foi assassinada pelo namorado, Sal Singh, que se suicidou após o crime. Na época, não se falava em outra coisa. Cinco anos depois, Pip ainda vê as marcas que a tragédia deixou na cidade, desde as matérias tendenciosas da imprensa local até o ostracismo da família das vítimas.

Mas a garota tem a impressão de que há peças faltando nesse quebra-cabeça. Ela conhecia Sal desde a infância, e ele sempre foi gentil. Por que teria se tornado um assassino? E será que Andie era mesmo tão angelical quanto a imagem construída após a sua morte?

Prestes a se formar no Ensino Médio, Pip decide analisar o crime em seu projeto de conclusão de curso e questionar alguns pontos da versão oficial. Porém, quando a pesquisa revela segredos aterrorizantes, ela percebe que se aproximar da verdade pode custar sua vida.

Nessa investigação obsessiva e repleta de reviravoltas, Pip começa a se questionar se ainda é uma boa garota, no fim das contas. Porque, com a ajuda de Ravi, irmão mais novo de Sal, ela está disposta a tudo para fazer seu dever de casa, proteger quem ama e reescrever a história de sua cidade.

Livro 2 – Boa garota segredo mortal.

Um ano após a investigação obsessiva que reescreveu a história de sua pacata cidade, Pip acredita que seus dias de detetive amadora chegaram ao fim. Prometendo nunca mais se envolver no emaranhado de segredos de Little Kilton, a garota planeja lançar um podcast sobre a resolução do caso e voltar a ter uma vida normal.

Até que algo terrível acontece, e ela precisa quebrar sua promessa. Jamie Reynolds, o irmão de um de seus melhores amigos, está desaparecido. Ele foi visto pela última vez no memorial dedicado a Andie Bell e Sal Singh, seis anos após o crime. Seria mera coincidência? Quando a polícia se recusa a agir, Pip decide voltar à ativa.

Com a ajuda dos amigos, dos ouvintes do podcast e de Ravi, ela se lança em uma busca frenética para encontrar Jamie antes que seja tarde demais. Cada segundo conta, e só resta uma certeza: ninguém em Little Kilton é quem diz ser.

Nessa trama afiada, os efeitos da primeira investigação de Pip se misturam com um novo mistério arrepiante. E ela está disposta a correr riscos ainda maiores em sua busca pela verdade. Na sequência de Manual de assassinato para boas garotas, Holly Jackson constrói mais um thriller surpreendente, profundo e impossível de largar.

Livro 3 – Boa garota nunca mais.

Pip está prestes a ir para a faculdade, mas ainda é assombrada pelo desfecho de sua investigação mais recente. Devido à fama de detetive amadora, ela se acostumou a receber ameaças na internet. Mas, nos últimos tempos, uma pergunta não para de surgir: “Quem vai investigar quando você desaparecer?”

Após uma série de eventos estranhos, Pip percebe que está sendo perseguida de verdade. E pior: seu stalker pode estar conectado a um assassino que aterrorizou a região na mesma época do caso de Andie Bell. Com a ajuda de Ravi, a garota precisa descobrir quem está por trás disso… antes que se torne a próxima vítima.

Envolta em uma teia de segredos e perigos, Pip toma atitudes drásticas. Tudo em Little Kilton parece estar interligado e apontar para um único suspeito. É a investigação mais importante de sua vida, e também a última. Aconteça o que acontecer, seus dias de boa garota vão chegar ao fim.

Chegou a hora de Pip salvar a si mesma.

Prepare-se para questionar tudo o que achava que sabia com o desfecho chocante da jornada de Pip. Na aguardada conclusão da série ‘Manual de assassinato para boas garotas’, Holly Jackson entrega mais uma trama envolvente, assustadora e inesquecível.

Sobre o autor

Holly Jackson escreve desde jovem, tendo terminado seu primeiro (e terrível) romance aos quinze anos. Ela se tornou autora best-seller do New York Times com sua série de estreia, Manual de assassinato para boas garotas. É formada na Universidade de Nottingham, onde estudou Linguística Literária e Escrita Criativa, e tem um mestrado em Língua Inglesa. Atualmente, mora em Londres. Holly gosta de jogar videogame e assistir a documentários sobre crimes reais para fingir que é uma detetive.

Você poderá gostar de: Indicações de Leitura Especial China.