domingo, 16 de fevereiro de 2020

O futuro do dinheiro: Apenda a investir sem medo por Ruda Pellini


E SE UMA REVOLUÇÃO FINANCEIRA ACONTECESSE
AGORA: VOCÊ ESTARIA PREPARADO?


Falar sobre dinheiro e investimentos é quase sempre um tabu. Não falamos disso dentro de casa e, geralmente, é um assunto pouco abordado na escola. Além disso, fomos condicionados a achar que o sistema financeiro é difícil e inacessível.
Entretanto, existe uma revolução financeira acontecendo neste exato momento e vai atingir o sistema por todos os lados. Inclusive você. Esta revolução está baseada em três pilares: dinheiro, tecnologia e liberdade, e dará cada vez mais poder para você ser dono do próprio destino.
Para que você possa entender esse movimento e se preparar para gerar riqueza em um novo cenário financeiro, Rudá Pellini, cofundador da Wise&Trust, startup de gestão de fundos de investimento em criptomoedas e blockchain nos EUA, oferece, neste livro, sua visão e seu aprendizado sobre a revolução do mercado financeiro atual, cada vez
mais descentralizado e disruptivo.

Aqui você aprenderá tudo sobre como:
- Perder o medo de investir em ações e em ativos digitais, como as criptomoedas. Você entenderá que não precisa de muito dinheiro para fazer esses investimentos;
- Entender a revolução financeira de uma vez por todas e sua história, passando pelo surgimento do Bitcoin e pelo conceito de ouro digital, desmistificando os riscos desse tipo de investimento;
- Organizar a sua vida financeira, usando a tecnologia a seu favor: seja para investir melhor ou para pagar menos juros por meio de modelos alternativos de empréstimo;
- Ter um guia para identificar possíveis golpes financeiros, principalmente os golpes da moda;
- Investir no mercado de ações sendo agressivo e conservador ao mesmo tempo, mas sem se expor de maneira irresponsável. Além de entender como é possível ganhar em momentos de crise;
-Fazer a manutenção dos seus investimentos por meio de uma revisão periódica de objetivos e resultados focando o longo prazo. Dessa maneira, você construirá sua liberdade financeira.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

O que está causando o aumento do número de livrarias independentes?

Em sua coluna, Mike Shatzkin analisa e fenômeno e conclui que, nos EUA, livrarias independentes estão substituindo a parte restante da demanda que costumava ser fornecida pelas grandes redes de lojas.


Meu primeiro trabalho de verdade foi em uma livraria, na área de vendas do novíssimo departamento de paperbacks na Brentano, que ficava na 5ª Avenida, em Nova York, no verão de 1962. Adorava aquele lugar; adorava aquele trabalho; e sempre fui apaixonado por livrarias. Mas, deixando de lado o romantismo, a verdade é que os livros são um produto que é melhor comprar on-line do que em uma loja. Por muitas razões.

Primeiro de tudo, você precisa encontrar o que quer. Uma livraria on-line pode oferecer 15 milhões de títulos aproximadamente. Uma livraria física oferece não mais do que 0,5% desse universo (que seriam 75 mil títulos) e a maioria possui muito menos que isso. Quando a Amazon começou, havia mais de meio milhão de títulos possíveis e muitas super livrarias tinham 20% a 30% deles (mais de 100 mil títulos). E mesmo assim, antes que os números tivessem mudado tanto, Jeff Bezos viu que os livros eram o melhor lugar para começar para um varejista de Internet.

Assim, as chances de encontrar qualquer livro em particular em uma loja mudaram de razoável para minúscula. Além disso, os livros são pesados; portanto, se você for a algum lugar depois da livraria, carregar uma compra pode ser incômodo. E quantas vezes você “precisa” do próximo livro agora, em vez de poder esperar por um ou dois dias? (Se você precisar agora, é melhor ter muita sorte no que está procurando e na loja que está indo).

A questão é que a compra de livros, pelo menos para leitura pessoal (livros para presentes e livros com muita ilustração são diferentes, mas representam uma fatia menor do total de vendas) foram transferidas das livrarias físicas para as on-line por razões convincentes, e não há razão para achar que isso não vai continuar. É difícil ver a venda física de livros como um negócio em crescimento.

Mas de fato, nos EUA, o número de livrarias independentes vem crescendo na última década. Esta tem sido uma verdadeira causa de comemoração em muitos setores. As editoras certamente estão felizes por ver alguns pontos adicionais de estoque surgindo.

Por que isso acontece? O professor da Harvard Business School Ryan Raffaelli formulou uma resposta baseando-se em seus "3 Cs": "Comunidade", "Curadoria" e "Convocação". Com isso, ele quer dizer que as livrarias possuem uma função de "comunidade", seus proprietários realizam um serviço de "curadoria" ao selecionar a seleção de livros, e oferecem a oportunidade de pessoas com ideias semelhantes se reunirem em torno de uma busca de informações ou um objetivo. Ele chama tudo isso de "identidade coletiva". E diz para não olharmos para a lucratividade dessas lojas; o fato de estarem crescendo em termos de números, ele acredita, constitui o indicador importante.

Mais alguém vê uma congruência notável entre essa visão das livrarias e a que sempre foi a função das bibliotecas?

Não sou acadêmico e não tenho muito a oferecer, a não ser observações para justificar qualquer análise apresentada. E posso concordar que os "3 Cs" são boas bases para qualquer proprietário de livraria ter em mente na criação de seus negócios. Mas não posso concordar que esta seja a explicação para o número crescente de livrarias.

Meu candidato à “razão mais importante para as livrarias independentes crescerem em número” é um “F”. É "Fechamento". Com isso, quero dizer o “fechamento” da rede Borders em 2009, quase exatamente o ano em que começou o ressurgimento das independentes, rastreado pelo número de lojas ativas.

Quando várias centenas de lojas da Borders fecharam ao mesmo tempo, a redução do espaço nas prateleiras ficou acima da demanda em declínio por livrarias. Mesmo no mercado de livrarias de 2010, reduzido como estava por duas décadas de Amazon e e-books, havia muitas pessoas atendidas pelas Borders que ainda não tinham feito a mudança completa de comprar todos os seus livros on-line. Isso pode ter significado o fim de 30% ou mais do espaço existente nas prateleiras das livrarias. A Borders não representava 30% das lojas, mas todas eram muito grandes.

Assim, as independentes aproveitaram uma oportunidade. Alguém mais esperto do que eu deveria olhar para onde estão as independentes e onde estavam as Borders e aposto que verão uma correlação. Se também pudessem sobrepor as lojas fechadas da Barnes & Noble e as que tiveram seu estoque de livros reduzido drasticamente, provavelmente encontrariam mais exemplos de substituição. Livrarias independentes estão substituindo a parte restante da demanda que costumava ser fornecida pelas grandes redes de lojas.

Provavelmente, também existe um outro fator em jogo - e não é novo - por trás do recente aumento no número de independentes. Para ser consistente, vamos rotular este de "compromisso". Todas essas livrarias independentes são criadas e administradas por empreendedores que, provavelmente, tinham uma carreira fazendo outra coisa antes de começarem sua livraria. Vou adivinhar, sem dados de apoio, que muitos desses proprietários de livrarias poderiam estar ganhando mais dinheiro fazendo outra coisa. Mas as recompensas psíquicas de possuir e administrar uma livraria, incluindo a atração de gerenciar os 3 primeiros "C", são suficientes para atrair pessoas capazes de se comprometer em possuir e administrar uma, em vez de gastar o tempo fazendo algo em que poderiam ganhar mais dinheiro.

Sempre foi verdade que vender livros é um trabalho de amor para muitas pessoas. Atualmente, porém, a rede de varejo de livros depende mais do que anos atrás dessa motivação para manter seu acesso físico aos consumidores de livros.

Fonte: Publishnews.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Inteligência Artificial - A tecnologia que nos tornar mais humano por Kai-fu Lee


De forma emocionante, Kai-Fu Lee conta como o diagnóstico de um câncer em estágio avançado fez com que ele repensasse sua relação com o trabalho, seu legado e os próprios rumos da inteligência artificial, se perguntando sobre como a tecnologia poderia ser utilizada para resolver alguns dos maiores problemas que assolam a sociedade neste início de milênio, como a miséria, a desigualdade e a dificuldade de acesso à educação.

Apesar de muitos especialistas afirmarem que a IA irá acabar com muitas das profissões que existem, o autor argumenta que, assim como outras grandes revoluções ocorridas na história da humanidade, a IA apenas mudará a forma como trabalhamos. As máquinas, aplicativos e softwares tornarão as jornadas de trabalho menores e aumentarão a geração de renda, fazendo com que as pessoas tenham cada vez mais tempo para se dedicarem ao lazer e a atividades ligadas às artes e ao entretenimento.

Kai-Fu Lee já foi presidente da Google China e é considerado um dos maiores especialistas em inovação tecnológica no mundo. Em Inteligência artificial, ele explica tanto para leitores leigos quanto para aqueles que já dominam o assunto, como o desenvolvimento sem precedentes da IA já está alterando as nossas vidas e expõe quais são as mudanças que podemos esperar nos próximos anos.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Cine Pipoca #16


Olá tudo bem? Deixo aqui mais um guia de diversão e cultura pop.

1917: conta a história de dois soldados britânicos em um dos momentos mais críticos da Primeira Guerra Mundial. Em uma dramática corrida contra o tempo, os soldados deverão cruzar o território inimigo e entregar uma mensagem que cessará o ataque brutal a milhares. No elenco: Colin Firth, Benedict Cumberbatch, George MacKay, Dean-Charles Chapman, Mark Strong.


Arlequina (Margot Robbie), Canário Negro (Jurnee Smollett), Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), Cassandra Cain e a policial Renée Montoya (Rosie Perez) formam um grupo inusitado de heroínas. Quando um perigoso criminoso começa a causar destruição em Gotham, as cinco mulheres precisam se unir para defender a cidade.


Depois do sucesso como apresentadora de TV, Dona Hermínia (Paulo Gustavo) está de volta, agora com o título de vovó. Os problemas e reclamações, marca registrada de Hermínia, continuam nesta nova fase de sua vida.

Também poderá gostar: Cine Pipoca #15
.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Morre Christopher Tolkien, filho do criador de ‘O Senhor dos Anéis’, J. R. R. Tolkien



O primeiro leitor de O Hobbit morreu dia 16, na França aos 95 anos. filho do escritor de fantasia J.R.R Tolkien, criador de obras imortais como O Senhor dos Anéis (1954) e O Silmarillion (1977) que revolucionaram o gênero e deixaram uma marca inesquecível na cultura popular.

Responsável pela herança e guardião das essências da Terra Média criada por seu pai, Christopher Tolkien desempenhou um papel muito ativo na difusão das criações dele e atuou como editor de grande parte de sua obra após sua morte, em 1973 “Sabiamente, comecei com um mapa”, dissera J.R.R. Tolkien em mais de uma ocasião para se referir à complexidade do mundo que havia criado em suas obras, a maioria delas situada na Terra Média, um universo habitado por orcs, elfos, anões e outros seres cuja visão acabou por prevalecer sobre todos os outros. Pois bem, seu filho atuou como cartógrafo (muitas vezes literalmente) dessa vasta terra, esclarecendo aspectos, reunindo escritos e expandindo a imaginação do pai.


O que a morte de Christopher Tolkien significa para franquia O Senhor dos Anéis?

No entanto, além de ser da família de um dos maiores contadores de história do mundo, Christopher também era conhecido por “proteger” a obra de seu pai e barrar diversas tentativas de adaptações. Por isso, com a triste notícia de sua morte, é possível que os personagens da Terra Média apareçam cada vez mais no cinema, TV, etc.

Entre os quatro filhos de Tolkien, ele era um dos que tinha maior conhecido sobre os escritos do pai. Por conta disso, apesar de não ser o mais velho, ele foi escolhido por Tolkien para cuidar da obra após sua morte. O autor não gostava da ideia de ter sua história adaptada aos cinemas, mas, mesmo assim, vendeu os direitos de adaptação de O Senhor dos Anéis e O Hobbit no final da década de 60. Isso levou à trilogia feita por Peter Jackson, publicamente criticada por Christopher Tolkien. Para ele, os longas deixaram de lado a essência da obra de seu pai para agradar adolescentes, focando mais na ação e deixando de lado o “impacto filosófico” dos livros. Tais declarações fizeram muitos fãs da trilogia não gostarem de Christopher e o “culparem” por não ter outras obras do mesmo universo nas telas, como, por exemplo, uma adaptação de O Silmarillion.

Até 2017, Christopher Tolkien editou livros do pai e fazia parte do Tolkien Estate, que tem os direitos de adaptação da Primeira Era da Terra Média (incluindo O Silmarillion). Ele deixou o posto no mesmo ano em que a Amazon anunciou a série de TV sobre a Segunda Era, já indicando uma abertura maior para adaptações. Ainda assim, a empresa precisou atender certas exigências para levar a história para as telas. A Amazon não pode, por exemplo, alterar momentos-chave da Segunda Era, como invasão de Sauron a Eriador, sua ida para Númenor e como ele corrompeu aqueles que viviam lá. Isso mostra que, mesmo não estando à frente dos negócios, a presença de Christopher inibia que a obra de Tolkien fosse adaptada sem um grande cuidado.


Fonte: El País, Omelete.

domingo, 12 de janeiro de 2020

A Arte da Sabedoria - Baltasar Gracián (Edição Completa)


Esta obra tem impressionado e inspirado filósofos, escritores e pensadores ao longo de mais de 350 anos. O autor Baltasar Gracián, jesuíta espanhol, era um arguto observador da natureza humana e das artimanhas do poder, que expôs com impressionante concisão, elegância e lucidez. São conselhos práticos sobre as relações pessoais e a arte de viver. Brilhantes, reveladores e às vezes austeros, os conselhos aqui reunidos são preciosos para todos que buscam, além do sucesso pessoal e profissional, uma estratégia de sobrevivência.

"Faça que lhe vejam como sensato, em vez de intrometido. Busque alguém que o ajude a carregar suas tristezas e compartilhe as suas felicidades. Não queira o que todos querem, seja feliz com o que tem. - Arthur Schopenhauer".

domingo, 5 de janeiro de 2020

Indicações Literárias.


Os Testamentos - Margaret Atwood

QUINZE ANOS APÓS os eventos de O conto da aia, o regime teocrático da República de Gilead aparentemente se mantém firme no poder, mesmo após as sucessivas tentativas de insurgência. Mas há sinais de que suas engrenagens começam a se deteriorar.Nesse momento crucial da história política do país, as vidas de três mulheres radicalmente diferentes convergem, e as consequências deste encontro poderão ser explosivas. Duas delas cresceram em lados opostos da fronteira: uma em Gilead, criada em meio a privilégios como filha de um importante Comandante, e outra no Canadá, onde frequenta a escola, trabalha na loja dos pais, participa de protestos anti-Gilead e assiste na TV às notícias sobre seus horrores. Os testamentos dessas duas jovens, que fazem parte da primeira geração a chegar à idade adulta nessa nova ordem mundial, são entrelaçados por uma terceira voz: o revelador manuscrito de uma das executoras do regime, uma mulher que exerce sua autoridade implacável por meio do acúmulo e da manipulação de segredos de Estado que podem ameaçar todas as estruturas do poder. Segredos dispersos e há muito enterrados, capazes de unir essas três mulheres, fazendo com que elas encarem quem realmente são e decidam até onde podem ir em busca do que acreditam.

O conto da aia, a obra-prima distópica de Margaret Atwood, tornou-se um clássico de nossos tempos. E agora a autora oferece a seus leitores a sua aguardada e surpreendente continuação.


Sapiens - Uma breve história da humanidade
O que possibilitou ao Homo sapiens subjugar as demais espécies? O que nos torna capazes das mais belas obras de arte, dos avanços científicos mais impensáveis e das mais horripilantes guerras?
Nossa capacidade imaginativa. Somos a única espécie que acredita em coisas que não existem na natureza, como Estados, dinheiro e direitos humanos.

Partindo dessa ideia, Yuval Noah Harari, doutor em história pela Universidade de Oxford, aborda em Sapiens a história da humanidade sob uma perspectiva inovadora. Explica que o ca­pitalismo é a mais bem-sucedida religião; que o imperialismo é o sistema político mais lucrativo; que nós, humanos modernos, embora sejamos muito mais poderosos que nossos ancestrais, provavelmente não somos mais felizes.

Um relato eletrizante sobre a aventura de nossa extraordinária espécie – de primatas insignificantes a senhores do mundo.

“Uma história abrangente da raça humana. [...] aborda alguns dos fatores cruciais que nos permitiram construir esta extraordinária civilização.” - Barack Obama.

Também poderá gostar de: Indicações Literárias Especial.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Comentando sobre o filme: Star Wars - Ascenção Skywalker.


Star Wars fecha mais um ciclo e encerra a tão lendária saga.

Star Wars - Ascensão Skywalker costura as histórias e teórias que foram abertas em 'O despertar da força', sendo assim, encerrando o último ciclo. O longa praticamente anula o oitavo filme da franquia (Star Wars - O último jedi) fazendo só uma brevíssima alusão e tendo como principal referencia 'O despertar da força'. Há rumores que essa reviravolta foi por causa de diretores distintos. Um fim previsto há muito, muito tempo. O último longa representa a comunhão de oito filmes lançados ao longo de 42 anos e finalização da história principal de seu universo cinematográfico: a família Skywalker. Com tal alicerce e novos núcleos de personagens, inseridos pela primeira vez em O Despertar da Força, está a receita para que a ação e o imediatismo se unam a tudo o que já conhecemos: o lado do bem, o lado do mal, a Força e, em meio a tudo isso, a nostalgia.


Foi épico!!

Sinopse
Com o retorno do Imperador Palpatine, todos voltam a temer seu poder e, com isso, a Resistência toma a frente da batalha que ditará os rumos da galáxia. Treinando para ser uma completa Jedi, Rey ainda se encontra em conflito com seu passado e futuro, mas teme pelas respostas que pode conseguir a partir de sua complexa ligação com Kylo Ren, que também se encontra em conflito pela Força.




segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Filme para Assistir nas Férias 6.


Olá, mas um ano que termina ( tudo bem que esse ano foi bem caidinho para o povo das telonas com exceção de "Coringa e Star Wars 9), para 2020 tem grandes promessas. Vamos para as melhores dicas. Confira!!








domingo, 1 de dezembro de 2019

Conversando com Andrew Solomon autor de 'O demônio do meio-dia'.

'São tempos horríveis para ser diferente', diz escritor Andrew Solomon premiado por 'atlas da depressão'.


Criança em meados dos anos 1960 em Nova York, o pequeno Andrew Solomon era considerado o esquisito da escola. Fascinado por ópera e pelos poemas de Emily Dickinson, não encontrava muito assunto em comum com os garotos da mesma idade, que dedicavam o tempo a praticar e conversar sobre esportes. Certa vez, aos sete ou oito anos de idade, chegou a ouvir da mãe de um coleguinha que seria o único da sala a não ser convidado para o aniversário do filho.
"Minha mãe achou que fosse um engano e ligou para a mãe do Bobbie Finkle, e ela disse: o Bobbie não gosta do Andrew e não o quer na festa dele. E no dia em que todo mundo levou um presente para o Bobbie na escola, minha mãe me buscou e me levou ao zoológico", conta Solomon que, aos 55 anos, sentado em uma poltrona confortável no lobby do hotel Fasano, em São Paulo, parece ainda se comover com tais lembranças.
Diz que os pais lidavam bem com a fama de esquisito do filho — o próprio pai de Solomon era quem o levava para as óperas e o incentivava a apreciá-las. Mas o temor que assombrava a adolescência do menino era a reação negativa que seus pais poderiam ter, no futuro, quando descobrissem que o filho era gay — medo que se confirmou quando o escritor tinha 22 anos.
"Minha mãe imaginava que o primeiro filho dela seria do grupo dominante, popular na escola, atlético. Se recusou a aceitar, brigou, ficou furiosa", diz. "Não me expulsaram de casa ou disseram que não iam mais falar comigo, mas ela deixou muito claro que era uma decepção terrível, e não o que ela esperava. Foi completamente devastador", diz Solomon, que, casado e pai de quatro filhos entre biológicos e adotivos, construiu uma carreira repleta de prêmios e best-sellers justamente sobre alguns dos temas que marcaram os dias mais difíceis de sua vida.

Premiado com o prestigiado National Book Award de 2001 pelo livro O Demônio do Meio-Dia: Uma Anatomia da Depressão, em que ele mistura sua experiência pessoal e entrevistas com pacientes, cientistas, filósofos e fabricantes de remédios sobre o tema, ele veio no Brasil para lançar o documentário Longe da Árvore, da diretora e produtor Rachel Dretzin baseado em seu livro homônimo que recebeu o National Book Critics Circle Award na categoria não ficção e foi escolhido como um dos melhores livros de 2012 pelo jornal americano The New York Times.
Livro e filme mostram o resultado de dez anos de pesquisas e entrevistas com 300 famílias cujos filhos, como Solomon, são diferentes do que os pais esperavam.
"É preciso tempo para aceitar seus filhos por quem eles são, com essas diferenças extremas. E para muitas famílias demorou para aceitá-las, assim como demorou para minha família me aceitar. E me senti melhor escrevendo este livro, porque pensei que todas essas famílias sofreram. Não é fácil", diz Solomon, que toma até hoje medicamentos contra a depressão.
Ativista e dono de uma fundação dedicada a estudos LGBTQIA+ e conselheiro especial na Yale School of Psychiatry sobre saúde mental de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, ele se diz preocupado com os tempos atuais. Solomon é pai biológico de um filho com o companheiro John Habich, que por sua vez é pai biológico de outros dois filhos com duas amigas lésbicas. Andrew e sua melhor amiga da faculdade também têm uma filha que vive com a mãe e o companheiro dela, no Texas.

Com o crescimento dos governos de extrema-direita como no Brasil, nos Estados Unidos, Hungria, Rússia, Turquia, Indonésia, as pessoas estão liberando preconceitos que haviam sido reprimidos. Há mais ataques a judeus, a mulheres, a minorias étnicas, e certamente mais a pessoas sobre as quais eu escrevi, mais ataques a LGBTs", diz. "Não acho que caminhemos para outro holocausto, mas acho que precisamos chamar atenção ao que está acontecendo e lutar contra isso. Acho que são tempos horríveis para ser diferente em qualquer aspecto".

BBC News Brasil - No seu livro O Demônio do Meio-Dia, você explica com muita propriedade tudo que se sabe sobre a depressão, além de ser muito aberto sobre sua experiência pessoal. Ao longo dos anos, qual tem sido o feedback de pessoas que enfrentam o problema?
Andrews Solomon - Eu recebo muitas cartas de pessoas dizendo "eu não tinha as palavras para descrever a experiência, mas isso me ajudou". Há várias categorias de livros sobre depressão. Livros técnicos, muito informativos, e memórias, que tendiam a ser escritas por uma pessoa e só descreviam a experiência daquela pessoa com a depressão. E apesar de a minha experiência com a depressão ser a razão pela qual eu escrevi o livro, eu entrevistei muitas pessoas sobre o tema. Senti que não havia um livro que juntasse essas duas abordagens de lidar com o assunto. E parte do que me ajudou a superar a depressão foi fazer anotações. Virginia Woolf disse uma vez: faça anotações e a dor passa.

BBC News Brasil - Que tipo de anotações?
Solomon - Sobre o que eu estava passando, sobre como eu me sentia, sobre o que estava acontecendo. Na pior época da depressão, eu não conseguia anotar nada, eu ficava deitado na cama. Mas quando eu comecei a me sentir funcional, eu queria registrar o que eu tinha passado. Eu pensei que outras pessoas deveriam passar por isso também. E quando eu comecei a pesquisar, descobri que muitas pessoas passavam por isso também, de um jeito ou de outro.

BBC News Brasil - O sr. sente que os efeitos da depressão na sociedade são subestimados? Ou que muitos estão deprimidos e não sabem?
Solomon - Minha estatística bruta, baseado em estudos que eu já li, é de que apenas 50% das pessoas que têm depressão reconhecem que têm depressão. E dessas, só metade procura tratamento. E das que procuram tratamento, só metade recebe tratamento adequado. Então, as pessoas que estão sendo bem cuidadas são um grupo muito, muito pequeno.
Tenho sorte de estar nesse grupo, mas acho que são necessários programas para alcançar essas pessoas. É preciso procurar essas pessoas em universidades, nos locais de trabalho, entre as pessoas que estão desempregadas, entre as pessoas vivendo em situação de pobreza. E as pessoas acham que esse tipo de trabalho seria tão caro, mas quando você analisa o quanto é perdido na economia em anos de vida útil por pessoas que sofrem de depressão, você percebe que esse esforço mais que compensaria. É uma situação muito trágica: temos uma condição que na maioria das vezes é tratável, mas as pessoas não estão sendo tratadas.

BBC News Brasil - No Brasil, as taxas de suicídio estão aumentando, e todo mundo conhece alguém com problemas relacionados à saúde mental. O sr. acha que estamos mais deprimidos, ou apenas mais diagnosticados?
Solomon - Acho que as duas coisas são verdade. Sobre o aumento nos índices de depressão, acho que a vida moderna traz muitos desafios e é difícil destacar apenas um que esteja causando esse fenômeno.
Uma dessas questões é a falta de sono. Eu acho que a média do tempo que as pessoas dormem caiu em cerca de dois anos quando a televisão foi inventada, as pessoas dormem mais tarde e ainda acordam cedo. E diminuiu em mais uma hora depois da criação da internet, as pessoas estão dormindo muito menos do que costumavam e acho que isso é muito estressante. Também, as pessoas passam a vida interagindo com tecnologia em vez de interagir com outros seres humanos.
Eu já recebi relatos de pessoas que estavam tão isoladas, que elas me escrevem dizendo que acordam, comiam alguma coisa, vão para um trabalho em que interagem com uma máquina o dia todo, pegam alguma coisa para comer na volta para casa e comem em frente à TV. Não tinham nenhuma interação real com outro ser humano.
Há isso, e acho que há outros infinitos fatores, como redes sociais que causam o sentimento de que a sua própria vida não está à altura da vida dos outros. Eu poderia falar por horas, sobre nutrição, falta de exercício. Já está comprovado que se você introduz exercício três vezes por semana pode melhorar uma depressão tanto quanto um remédio. Tudo isso têm papel no aumento da depressão.

BBC News Brasil - E os diagnósticos?
Solomon - Nos anos 1950, se você dissesse que tinha depressão, seus amigos iam dizer sinto muito, mas não há nada a fazer senão viver com isso. Hoje, se você disser que tem depressão existe a psicoterapia, especialmente a comportamentalista, há exercícios, há medicação, que funciona para um grande número de pessoas. Com essa mudança, de as pessoas que têm depressão e melhoram, os médicos tendem a diagnosticar mais, porque existe uma solução disponível.

BBC News Brasil - O senhor toma medicação até hoje contra a depressão e diz que provavelmente sempre tomará. Muitas pessoas temem tomar remédios por medo de interferir na criatividade, ou na personalidade. Isso foi uma questão para o senhor, sendo escritor?
Solomon - Eu acho que as pessoas têm medo de medicação que na maioria das vezes é baseado na falta de experiência. E as pessoas temem que, se você tomar o remédio, será mudado para sempre, é como perder a virgindade e não tem mais volta. Você pode tomar o remédio, e se ajudar, continua. Se sentir que está mexendo com a sua criatividade, você pode parar de tomar. As pessoas precisam estar informadas e a única maneira de estar informada é tentar por si mesmo.

BBC News Brasil - Qual o papel do amor na luta contra a depressão?
Solomon - A depressão é uma doença da solidão e as pessoas deprimidas geralmente se sentem isoladas das outras pessoas. É muito útil se o seu intelecto puder identificar, apesar da depressão, que você tem uma vida que vale a pena se você conseguir chegar do outro lado. Se você souber que é amado por pessoas, é a melhor motivação para melhorar. Não faz a depressão ir embora, mas te motiva a fazer o que tem que fazer para melhorar.
Quando eu estava deprimido, eu sentia que seria difícil cometer suicídio porque ia devastar meu pai, foi muito antes de eu casar e ter filhos. Ainda tenho meus altos e baixos, mas eu sinto que sou apoiado por esse amor. É um conselho ruim para dar para alguém com depressão, tipo vá lá e busque pessoas que te amam e vai melhorar. Mas quando olho para casos reais, é fato que as pessoa envoltas em relações amorosas são mais resilientes.


BBC News Brasil - O sr. pesquisou também a depressão em pessoas vivendo na pobreza. O que muda?
Solomon - Se você tem uma vida relativamente boa e está sempre sofrendo, é mais fácil identificar que você está com depressão. Se você tem uma vida incrivelmente difícil e não consegue as coisas que você precisa e quer, como é a vida das pessoas na pobreza, e você se sente terrível o tempo todo, pensa que o jeito que você se sente é reflexo das circunstâncias. E se você considerar que a depressão vem de uma combinação de vulnerabilidade genética e situações desencadeantes, há mais situações desencadeantes para as pessoas mais pobres.

BBC News Brasil - É uma questão de política pública?
Solomon - Exatamente. Fiquei impressionado com projetos nos EUA em que médicos acompanhavam as pessoas de comunidades pobres próximas a Washington DC e mudaram as vidas das pessoas. E tudo o que eles fizeram era terapia uma vez por semana, e uma medicação. E custou centenas de dólares e mudou a vida deles. E quando eu perguntei a uma dos pacientes o que eles achavam sobre a pesquisadora que conduziu o estudo, ela me disse: Eu rezei a Deus por um anjo e ele ouviu minhas preces.

BBC News Brasil - Existem lições ou conselhos que o senhor daria a pessoas que estão deprimidas?
Solomon - O primeiro é: procure ajuda profissional. Há muito que pode ser feito e não tenha vergonha de pedir ajuda. Nem ache que sua depressão não é forte o bastante; se não está se sentindo o seu habitual, procure ajuda.
O segundo conselho é: não gaste muita energia tentando manter sua depressão em segredo, depressão é muito exaustiva, e manter segredos também. Não precisa contar para todo mundo e divulgar como eu fiz, mas se você contar às pessoas ao seu redor que você está sofrendo, terá companhia no sofrimento.

O terceiro: preste atenção ao cuidado com você mesmo. Coma uma dieta balanceada, não beba muito álcool, não use substâncias em abuso, faça exercícios, durma o suficiente. Tudo isso que pode ser um pouco irritante pode fazer uma enorme diferença na sua depressão. E seja gentil consigo mesmo. Se você tivesse quebrado a perna não estaria dizendo 'eu preciso dançar, deveria estar dançando".

BBC News Brasil - No livro Longe da Árvore, o senhor conta a história de famílias que descobriram que seus filhos eram muito diferentes deles, em diferentes situações. O senhor, sendo gay, viveu isso também quando criança. Como foi?
Solomon - Quando eu era criança, meus pais não aceitaram o fato de que eu era gay, mas eventualmente aceitaram. Eu sinto que o livro e o filme tratam da maneira como pais lidam com filhos que são diferentes deles, e existem muitas diferentes. Pais cujas crianças são surdas, ou têm síndrome de Down, ou autistas, ou anãs, ou esquizofrênicas, ou prodígios. Ou casos de crianças concebidas em estupros, ou famílias com pessoas que são criminosos, e pessoas trans. Olhei para diversas categorias e comparei com a minha própria experiência em ser gay na minha família.

BBC News Brasil - E todos essas diferentes situações se mostraram relacionáveis?
Solomon - Sim. A experiência que as famílias têm em lidar com uma criança que é diferente do que eles esperavam é uma experiência pela qual a maioria das pessoas passa. Uma semana depois da festa de lançamento do livro, em que eu convidei a maioria das pessoas que entrevistei, eu recebi uma mensagem de um homem com nanismo, uma mulher com esquizofrenia e o pai de uma mulher com autismo. Eles jantaram juntos e disseram: nós temos mais em comum do que pensávamos. E isso me confortou.

BBC News Brasil - E sua infância?
Solomon - Meus pais aceitavam bem o fato de eu ser esquisito, mas eu pensava que se eles soubessem que eu era gay, ficariam furiosos e preocupados. E eles descobriram, aos 22, minha mãe se recusou a aceitar, e brigou, ficou furiosa. Não me expulsaram de casa ou disseram que não iam mais falar comigo, ou nenhuma das coisas extremas que as pessoas fazem nessa situação, mas minha mãe deixou muito claro que era uma decepção terrível, e não o que ela esperava. Foi completamente devastador. Me senti envergonhado, senti todo tipo de sensações terríveis.

Ela morreu anos depois e disse todas as coisas certas antes de morrer, que esperava que eu encontrasse felicidade. Eu pensei tudo bem, não tenho certeza de que ela realmente sentia aquilo, mas achei bom ela dizer. Meu pai, que viveu, tornou-se incrivelmente apoiador. Deu uma festa quando eu me casei, é muito apegado aos meus filhos, foi muito feliz.
Mas esses anos foram muito difíceis e mais difícil ainda foi o meu conhecimento de que isso aconteceria, que foi o que me motivou durante toda a minha adolescência a fazer o que fosse preciso para não ser gay, tentar sair com garotas, todas essas coisas que não deram certo.

BBC News Brasil - O que era comum a essas famílias que você acompanhou? As crises?
Solomon - Sim, as crises. Há diferença entre amor e aceitação. Idealmente, o amor está lá quando a criança nasce. Mas a aceitação é um processo, leva tempo, e requer tempo para aceitar seus filhos por quem eles são, com essas diferenças extremas. E para muitas famílias demorou para aceitá-las, e demorou para minha família me aceitar. E me senti melhor escrevendo este livro, porque pensei que todas essas famílias sofreram para chegar à aceitação. Não é fácil.

BBC News Brasil - Os discursos de ódio e movimentos de extrema direita te preocupam?
Solomon - Me preocupam e me aterrorizam. Com o crescimento dos governos de extrema direita como no Brasil, nos Estados Unidos, Hungria, Rússia, Turquia, Indonésia, as pessoas estão liberando preconceitos que haviam sido reprimidos. Há mais ataques a judeus, a mulheres, a minorias étnicas, e certamente mais a pessoas sobre as quais eu escrevi, mais ataques a LGBTs. Muitos ataques a pessoas com deficiências, serviços sendo retirados. Vivemos em tempos assustadores e espero que isso mude, como um período estranho da história. Mas temo que pode dar horrivelmente errado, os nazistas vieram de um jeito gradual.
Entrevistei uma sobrevivente do holocausto que escreveu um livro sobre a experiência dela e ela disse: isso parece a Alemanha da minha infância. E nenhum de nós achou que algo tão horrível fosse acontecer, ou teríamos fugido. Mas não prestamos atenção suficiente. E ela disse: "Prestem atenção", ela tem 98 anos, e acho que ela está absolutamente certa. Não acho que caminhemos para outro holocausto, mas acho que precisamos chamar atenção ao que está acontecendo e lutar contra isso. Eu acho que são tempos horríveis para ser diferente em qualquer aspecto.

BBC News Brasil - Tem a ver com o seu livro?
Solomon - Acho que é muito mais difícil bater em pessoas se você conhece a história delas. O objetivo do livro, e espero que funcione, é que as pessoas que não conhecem essas vidas e experiências possam conhecer, e ler, e ter mais simpatia por elas.



Fonte: BBC.