domingo, 5 de maio de 2019

Livro A Elite do Atraso: Da Escravidão a Bolsonaro por Jessé Souza.


Quem é a elite do atraso?

Como pensa e age essa parcela da população que controla grande parte da riqueza do Brasil?

Onde está a verdadeira e monumental corrupção, tanto ilegal quanto “legalizada”, que esfola tanto a classe média quanto as classes populares?

A elite do atraso se tornou um clássico contemporâneo da sociologia brasileira, um livro fundamental de Jessé Souza, o sociólogo que ousou colocar na berlinda as obras que eram consideradas essenciais para se entender o Brasil.

Por meio de uma linguagem fluente, irônica e ousada, Jessé apresenta uma nova visão sobre as causas da desigualdade que marca nosso país e reescreve a história da nossa sociedade. Mas não a do patrimonialismo, nossa suposta herança de corrupção trazida pelos portugueses, tese utilizada tanto à esquerda quanto à direita para explicar o Brasil. Muito menos a do brasileiro cordial, ambíguo e sentimental.

No âmago da interpretação de Jessé não está a corrupção política. Para ele, a questão a partir da qual se deve explicar a história passada e atual do Brasil – e de suas classes, portanto – não é outra senão a escravidão.

Sob uma perspectiva inédita, ele revela fatos cruciais sobre a vida nacional, demonstrando como funcionam as estruturas ocultas que movem as engrenagens do poder e de que maneira a elite do dinheiro exerce sua força invisível e manipula a sociedade – com o respaldo das narrativas da mídia, do judiciário e de seu combate seletivo à corrupção.


Um dos maiores best-sellers da atualidade, agora em edição revista e atualizada, este livivro é um novo clássico do pensamento brasileiro. A elite do atraso apresenta uma interpretação abrangente, inovadora e ousada da sociedade brasileira que a cada dia ganha novos adeptos.

domingo, 21 de abril de 2019

Livro Faça Suas Próprias Leis - Sam Jolem


O que é o sucesso? Como transformar seus sonhos em realidade? Como blindar sua vida da autossabotagem? Sabemos tudo o que precisamos fazer na teoria, mas na hora de colocar em prática é como se um abismo se abrisse diante de nós. Nossos sonhos e planos parecem inalcançáveis e, mesmo sabendo de todo o potencial que possuímos, não sabemos como dar os passos certos na direção das mudanças que queremos viver. Para eliminar essas e outras limitações da sua vida, Sam Jolen, um dos mais importantes nomes do mercado de desenvolvimento humano da América Latina, convoca você para uma autorrevolução. Ele lhe mostrará que o fracasso é o um estado de espírito enquanto o sucesso é um estado de ação. Você questionará as regras invisíveis e limitações que foi condicionado a acreditar, se
libertando para alcançar tudo o que quiser para sua vida. Você vai aprender a: Revolucionar sua própria história; Controlar sua mente, entendendo seu funcionamento e por que ficamos presos a padrões negativos e autossabotagens; Equilibrar as áreas da sua vida e atingir resultados extraordinários; Fortalecer sua autoconfiança e blindar-se contra o medo e a insegurança; Criar suas próprias leis e fazer o que quiser da sua vida. Vamos mudar o mundo, começando por você! Uma revolução de dentro para fora!

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Livro O Silêncio dos Livros - Fausto Luciano Panicacci


TER LIVROS É CRIME. DENUNCIE. Numa época em que os livros são proibidos, o misterioso Santiago Pena acaba de chegar a Portugal, onde conhecerá Alice, menina desprezada pelos pais. O encontro de um antigo caderno trará questões intrigantes. Que relação haveria entre um jovem acusado de crime que alega não ter cometido, suntuosos projetos arquitetônicos e a descoberta de uma biblioteca abandonada? O Silêncio dos livros é uma declaração de amor à Literatura. Romance para ser saboreado não só pelo enredo recheado de tensões e suspense, mas também pelos detalhes de construção, insere-se na melhor tradição da cultura ocidental, com sutis menções a livros, poemas e vinhos, a mitos clássicos e folclore, a obras de arte e teorias científicas, além de enveredar por grandes discussões da contemporaneidade, como privacidade, identidade, genética, direito ao esquecimento. Manejando uma linguagem precisa e poética, o autor cria metáforas surpreendentes, explora recursos estilísticos e sabe convidar o leitor a desvendar sentidos apenas sugeridos.

Escrita pelo Doutor em Ciências Jurídicas, promotor e fotógrafo Fausto Luciano Panicacci, a obra é lapidada em uma prosa poética carregada de referências literárias. Nela, o leitor acompanha a chegada do misterioso Santiago Pena a Vila Nova de Gaia, em Portugal, onde conhecerá Alice, uma garota desprezada pelos pais. Sonhadora e apaixonada por histórias, a “menina” – como é chamada pela família – fica obcecada por um caderno de anotações que Santiago carrega e acidentalmente deixa cair.

Nas páginas desse manuscrito, o leitor mergulhará na vida de Hilário, jovem aspirante a arquiteto que se envolve numa briga de bar, da qual resulta a morte de um rapaz. Acusado de um crime que alega não ter cometido e oprimido por um sistema que busca rastrear um possível “gene criminoso”, Hilário travará contato com António, editor que contrabandeia livros do Brasil para Portugal.

De maneira surpreendente, as histórias de Alice, Santiago, Hilário e António interligam-se à de Elizabeth, fotógrafa que luta para que a lei que proibiu os livros não afete também a fotografia. Juntos, eles arriscam a liberdade para manter um perigoso segredo.

A narrativa perpassa ainda a perturbadora atração que um estrangeiro exerce sobre a mãe e a irmã da menina, e a admiração e inveja que ele desperta no pai da garota, abordando temas como a manipulação genética, escolhas randomizadas, identidade e esgarçamento das relações pessoais num mundo sem livros.

Enquanto o mundo decretava a morte dos livros, tentando silenciá-los, eles resistiam: longe do burburinho quotidiano, do barulho das cidades, das buzinas dos carros, do ruído dos aparelhos, do falatório vazio, o silêncio dos livros não era de morte, como se buscava impor-lhes, mas de música. O silêncio tinha sons, e os livros iam conclamando, em cochichos, à leitura, e celebrando, aos gritos, a vida. O silêncio dos livros cantava. O silêncio dos livros era a própria música. (p.113)

Em meio a suspense e aventura, o livro carrega profundas reflexões sobre os paradoxos da condição humana. Alternando-se entre a perspectiva de uma curiosa menina e a de um enigmático homem, O Silêncio dos Livros trata de amor, paixão, amizade, egos, dores latentes e cicatrizes, e é, sobretudo, uma autêntica declaração de amor à Literatura.

domingo, 7 de abril de 2019

Livro A bailarina de Auschwitz - Edith Eva Eger


Edith Eger era uma bailarina de 16 anos quando o Exército alemão invadiu seu vilarejo na Hungria. Seus pais foram enviados à câmara de gás, mas ela e a irmã sobreviveram. Edith foi encontrada pelos soldados americanos em uma pilha de corpos dados como mortos. Mesmo depois de tanto sofrimento e humilhação nas mãos dos nazistas, e após anos e anos tendo que lidar com as terríveis lembranças e a culpa, ela escolheu perdoá-los e seguir vivendo com alegria. Já adulta e mãe de família, resolveu cursar psicologia. Hoje ela trata pacientes que também lutam contra o transtorno de estresse pós-traumático e já transformou a vida de veteranos de guerra, mulheres vítimas de violência doméstica e tantos outros que, como ela, precisaram enfrentar a dor e reconstruir a própria vida. Este é um relato emocionante de suas memórias e de casos reais de pessoas que ela ajudou. Uma lição de resiliência e superação, em que Edith nos ensina que todos nós podemos escapar à prisão da nossa própria mente e encontrar a liberdade, não importam as circunstâncias.

“Um lindo livro de memórias que evoca as grandes obras de Anne Frank e Viktor Frankl. Muito mais que um livro; uma obra de arte.” – Adam Grant, autor de Originais.

“Não consigo imaginar uma mensagem mais importante para os tempos modernos. O livro de Edith Eger é triunfal, e deve ser lido por todas as pessoas que se importam com a própria liberdade interior e com o futuro da humanidade.” – The New York Times.


domingo, 24 de março de 2019

Não ao porte de armas, sim ao porte de livros

 
Lamentavelmente, quando a maioria dos votos úteis elegeu um defensor do uso das armas presidente do Brasil, enxergando a liberação das armas como uma eficiente estratégia de salvação da nação – pelo menos no que diz respeito à segurança –, uma espécie de autorização da tragédia de Suzano é assinada. Não obstante dizer, é claro, a referida tragédia choca, inclusive, aos que são a favor do porte de armas. No entanto, para estes é inexistente a percepção de que um episódio trágico como este não pode, de modo algum, ser percebido isoladamente. Citar os dados de tragédias como estas nos EUA é exercício frequente nas reflexões sobre o desarmamento; podemos, porém, fazer referência ao próprio Brasil para analisar e pontuar a discussão. Nosso país, apesar de uma história (desde enquanto colônia) violenta e números altíssimos de mortes por uso de arma de fogo, não tem muitos casos de atentados como vimos em Suzano esta semana. Podemos considerar que, até o ocorrido em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, em 2011, não tínhamos tido o espaço da escola como cenário para tragédias como essa. A onda de conservadorismo que vem encobrindo o Brasil tem em suas franjas uma forte carga de violência.

Conhecemos, infortunadamente, diversos casos de violência contra professores e agressões entre os próprios alunos, mas um acontecimento como o de Realengo e, agora, o de Suzano, são casos que precisam ser pensados a partir do incentivo a práticas violentas. Por conseguinte, o triste episódio há de ter que nos fazer acender uma luz para olhar o espaço da escola com o respeito e a necessidade de preservação inerentes (ou que deveriam sê-lo), a ambientes de formação e práticas de cidadania. Não será com blindagem ou detector de metais, menos ainda com a troca de educadores por vigias, mas sim com os esforços voltados um processo reeducacional e psicológico de nossos alunos. Trabalhar, assim, o empoderamento das nossas crianças, por meio do reforço da autoestima. Convidar as nossas crianças e jovens ao mundo mágico da imaginação, reforçando suas capacidades criativas. É este o melhor modo de aperfeiçoar o aprendizado e afastar a violência das escolas, não reformulando o currículo com a retirada de disciplinas, ou ainda com a propagação de uma escola sem partido, cujo partido, na verdade, é o conservadorismo e a alienação. O investimento público em livros e em práticas a favor da leitura é indispensável para esta reeducação e reestrutura.

Se aprendemos com Foucault que o sujeito é sempre o resultado de uma prática, noutras palavras, que o sujeito é sempre fabricado, a ampliação de ações pró-livro e leitura reverberará, obviamente, em mais livros e em mais leitura. Logo, a propagação de uma política que apoia o armamento, como temos visto na história recente do nosso país, constituirá sujeitos violentos. Cenário perfeito para a barbárie e a calamidade se estabelecendo. A equação é bem fácil de ser montada, visualizada e entendida, apesar de parte significativa do poder público estar de olhos fechados para esta situação.

O que precisamos é de um MEC fortíssimo e atento para que nossos alunos tenha um ensino de qualidade, em que o respeito ao outro seja sua base de ensino. Infelizmente, o que temos visto é um ministério inconsistente e esdrúxulo, que, entre outras incompetências, não consegue cumprir seu compromisso com o edital do PNLD Literário. Esse cenário acentua a crise do setor editorial, mas, obviamente, terá reflexos nos alunos e nos trabalhos dos professores neste ano letivo, o que, certamente será refletido nos próximos anos também – já que a educação se faz ao longo de um processo.

Blindagem e segurança podem ser difíceis de ser bloqueadas, mas não são, no entanto, intransponíveis. Por outro lado, ações educativas, tencionado a melhoria do desempenho escolar, e, obviamente, investindo em leitura, estão entre os principais pilares de um trabalho de prevenção à violência em todos os níveis, tanto no espaço doméstico como em casos semelhantes ao atendado em massa cuja notícia nos assolou esta semana. Professores devem estar armados de livros e de boas condições salariais para educar os alunos, não de armas de fogo, como sugerido esta semana por um deputado. Opiniões como a deste político democraticamente eleito fazem com que a assertiva de Darcy Ribeiro sobre a crise da educação se tratar de um projeto seja, dia após dia, atualizada para uma realidade inexorável.


Não há nenhum dado original neste artigo, nem mesmo uma ideia que não tenha sido pensada. A falta de originalidade deste texto, portanto, me faz pensar que não sou a única otimista a acreditar que, com esforço, podemos mudar o cenário horroroso que nos é apresentado enquanto futuro de pátria – palavra que tem sido muito usada e pouco respeitada. É preciso, no entanto, que não sejam equipes de párias (se me permitem o trocadilho) néscios que assumam as lideranças das áreas de educação e cultura. Forçosamente precisamos de uma união de todos os que pertencem ao mundo livreiro para que uma política de porte de livros vença a instauração de um ambiente em que o porte de armas seja uma triste realidade.

domingo, 10 de março de 2019

Livro Tolos e Mortais - Bernard Cornwell.

No coração da Inglaterra elisabetana, o jovem e atraente Richard Shakespeare sonha em fazer carreira na cena teatral de Londres, um universo dominado por seu irmão mais velho, o ilustre dramaturgo William Shakespeare. Mas Richard não tem um tostão nem apoio de seu irmão, que, em vez de o acolher, entrega-o aos cuidados de Sir. Godfrey, um clérigo cruel e pervertido que treina meninos para furtar e encenar. Com um rostinho bonito, carisma e talento, Richard ingressa na companhia de teatro de Shakespeare, representando, muito a contragosto, papéis femininos. A relação dos irmãos, no entanto, é marcada por constante tensão, e, cada vez mais distantes, à medida que William alcança a fama, Richard se vê tentado a romper em definitivo a lealdade fraternal. Então, quando um precioso manuscrito desaparece misteriosamente, as suspeitas recaem, evidentemente, sobre o caçula. Preso em um perigoso esquema de traição e desonestidade, Richard, sem saída, com sua carreira e até mesmo a vida de seus colegas em jogo, embarca em uma aventura épica na excitante — porém traiçoeira — Londres elisabetana para resgatar os valiosos escritos e reconquistar a confiança da trupe.

Opinião


Em Tolos e Mortais, ao invés de termos grandes batalhas, guerras, paredes de escudos e muita violência, temos teatro!

O livro aborda fatos históricos com fictícios, e faz muito bem, pois me deixou imerso na época apresentada, e muito disso é graças a narrativa e a naturalidade dos diálogos. A narrativa é em primeira pessoa, na visão de Richard, que te deixa ciente muito bem do que está acontecendo, tanto dizendo coisas que ficou sabendo depois ou que percebeu quanto casualmente comentando fatos históricos de sua época. Isso é um truque que Cornwell usa para deixar o leitor ciente sobre comportamentos e o jeito que as pessoas viviam em um certo período.

Os personagens secundários não são muito construídos, apesar de haver uma distinção de personalidade bem visível entre eles. Eu diria que muito disso vem do próprio Richard, que acaba dando mais ênfase a quem afeta ele diretamente, o resto só restam comentários e diálogos e só receberam uma descrição muito genérica de como eles se parecem.

Cornwell retrata muito bem e sempre traz a questão de religião em seus livros, e neste novo capítulo histórico da Inglaterra, ele deu lugar ao protestantismo, e junto com ele foi retratado a perseguição dos protestantes contra os católicos. Contudo, em Tolos e Mortais, a questão religiosa foi bem mais fraca do que normalmente é em seus livros e só foi ganhar um pouco de importância no final.

Uma coisa que eu gostei foi que as ações que os personagens fizeram só teve importância entre eles, pois em Tolos e Mortais não temos um povo invasor vindo saquear e conquistar um reino ou um rei precisando de ajuda para ganhar um batalha. Ao invés disso, há um grupo tentando salvar seu teatro, e isso é uma luta que se mostrou tão digna quanto qualquer outra.


domingo, 3 de março de 2019

[Curiosidades] Filme O Homem que Matou Hitler e o Pé - Grande


 Depois de fazer muito sucesso no Fantasia Film Festival, em Montreal, no Canadá, em junho passado, The Man Who Killed Hitler and Then The Bigfoot (O Homem Que Matou Hitler e Depois o Pé-Grande) finalmente ganhou um trailer e data de lançamento em plataformas digitais e também em alguns cinemas.

Apesar do título que pode remeter a filmes como Sharknado, O Homem Que Matou Hitler e Depois o Pé-Grande é um misto de drama histórico e épico de aventura e tem como protagonista o veterano Sam Elliott, de Nasce Uma Estrela. O filme recebeu entusiasmadas críticas por parte da imprensa especializada, com 92% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Sam Elliot interpreta Calvin Barr, um esquecido mas lendário herói de guerra que, no passado, foi o responsável pela morte de Adolf Hitler. Levando uma vida pacífica na Nova Inglaterra, o veterano é contactado pelo FBI e a Polícia Montada do Canadá para liderar a busca a uma criatura que carrega uma praga mortal e que está escondida nas profundezas da floresta canadense.

O Homem Que Matou Hitler e Depois o Pé-Grand, com roteiro e direção de Robert D. Krzykowski, tem no elenco Aidan Tuner, Caitlin Fitzgerald, Sean Bridgers, Ron Livingston. A estreia nos cinemas dos EUA está marcada para 08 de fevereiro. Sem previsão de estreia no Brasil.




domingo, 17 de fevereiro de 2019

Viajando pelas Série #013 - Diablero

Embora a campanha de divulgação tenha focado muito mais no protagonista desta produção mexicana, a nova série da Netflix é capaz de agradar um amplo público aficionado por séries sobrenaturais, apresentando uma mitologia envolvente e personagens divertidos de se acompanhar.

A série traz um mundo onde os anjos desistiram da humanidade, e os demônios andam corriqueiramente entre nós. Humanos dedicados a impedir que estes demônios façam mal à sociedade são chamados de Diableros, representados pelo personagem Elvis (Horacio Garcia Rojas), que traz muitos dos elementos típicos deste estereótipo de “caçador”, e procura conquistar a afeição do espectador com sua personalidade inconsequente e seu charme cafajeste (Nada muito novo por aqui).

Sem muita enrolação, a temporada logo apresenta os outros
personagens que farão parte do grupo principal de “caçadores”, integrando-os em uma dinâmica de grupo perfeitamente funcional para o andamento da trama, de maneira orgânica, e dando o devido destaque a cada membro do grupo para que os personagens possam ser reconhecidos pelo espectador além de suas meras funções. Uckermann, por sua vez, interpreta o padre Ventura, um candidato a bispo que se vê distanciado da igreja após descobrir que a filha raptada de uma amiga é, na verdade, sua filha também.

Durante toda a trama, percebe-se como a história expressa uma completa descrença da religião e dos morais estabelecidos pela igreja. Condizente com a ideia de anjos que abandonaram a humanidade, os personagens não possuem nenhum respeito ou admiração pelas instituições religiosas, e dispensam vários comentários de Ventura simplesmente pelo fato dele ser um padre, convicto de suas crenças e tradições. Esta descrença também está presente na criação da antagonista desta temporada: uma freira que quase foi morta por um padre (após este tê-la engravidado), e se voltou para as práticas arcanas.

A fé (ou melhor, a falta de) é um tema recorrente em Diablero, ainda que não seja discutido com muito aprofundamento. Ao invés de discutir seus dilemas religiosos e o embate entre convicções de seus personagens, a série dedica muito mais tempo à exposição de sua mitologia e do universo sobrenatural que aborda, procurando conquistar o mesmo público que assistem séries gênero.

A proposta da série, no entanto, foi executada com algumas inconsistências durante a temporada. Os demônios da série são tratados como “ferramentas”, sempre direcionados por algum personagem, sendo, até mesmo, utilizados como “armas” em uma briga de gaiola ilegal. Suas ameaças são retratadas sempre através do choque visual ou da violência, e como o orçamento da série não é dos maiores, não demora muito até o espectador perder o medo destes antagonistas, diminuindo a atmosfera de tensão que parecia melhor estabelecida nos primeiros episódios (A maneira como Nancy é capaz de controlar estes demônios, por mais divertida que seja, também auxilia nesta quebra de tensão).

Porém, é importante notar como a série parece buscar um equilíbrio entre a tensão/terror e a aventura descompromissada, regada à alívios cômicos e situações absurdas, ainda que nem sempre consiga implementar a melhor estrutura para estas mudanças tonais do roteiro. Parte do humor não funciona por contradizer o ambiente da cena, e algumas das sequências mais assustadoras acabam não tendo a antecipação necessária. Este conflito tonal nunca chega a ser incomodamente discrepante, mas também impede que alguns episódios atinjam todo o seu potencial.

Diablero traz cenas de ação e terror que devem agradar a parte menos comprometida do público. A caracterização dos demônios lembra, em parte, a abordagem visualmente desconcertante da franquia “Evil Dead”, e evidencia ainda mais a proposta da série de manter uma certa descontração. Para fãs do gênero, há um entusiasmo perceptível na produção de algumas sequências um pouco mais mirabolantes, que mantém o ritmo dos episódios fluindo com eficiência.

E pensando sobre o futuro de Diablero, anjos continuam sendo um ponto interessante desta história, mas a maneira como são retratados pelo final da temporada é pouco instigante. Outros ganchos como o “Conclave” e o destino do filho de Keta (Fátima Molina), pelo menos, deixam espaço o suficiente para que os fãs teorizem à vontade, enquanto esperam uma segunda temporada que (eu acredito) estaria muito melhor estabelecida e consciente de suas intenções, pronta para expandir ainda mais este universo e proporcionar uma escala ainda mais envolvente para novas tramas.

Esta primeira temporada de Diableros cai em algumas armadilhas narrativas, e nem sempre consegue corresponder sua ambição. Eu por exemplo assisti a série mais por onde ela foi ambientada, México, país onde a crença em assuntos sobrenaturais são um mundo a parte.




















segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Livro A Classe Média no Espelho - Jessé Souza


Em A classe média no espelho, ele desconstrói os maiores mitos que procuram perpetuar o desconhecimento da classe média sobre si mesma. O primeiro é o de que sua definição é determinada exclusivamente pela renda. Jessé vai além das teorias sociais que se baseiam apenas na esfera do dinheiro e do poder em direção a uma análise mais profunda das ideias e dos valores morais dessa parcela da população. O segundo mito é a concepção cultural do brasileiro "vira-lata", inferior, emotivo e corrupto por natureza – mentiras que a elite e seus intelectuais inventaram para melhor doutrinar e manipular a classe média. Jessé reconstrói a história dessa classe no mundo e no Brasil, e reflete sobre a posição que ela assume na relação com a elite e as classes populares no país. Assim, ele mostra como é possível compreender as fontes de seu comportamento prático e as origens de seus princípios. O livro conta com um imenso e rico material, resultado de centenas de entrevistas realizadas com pessoas das mais variadas frações da classe média entre 2015 e 2018, em diversas cidades brasileiras. O objetivo é criar um espelho no qual as visões de mundo mais características dessa classe social possam ser vistas de um modo novo e desafiador. Não se pede do leitor qualquer conhecimento prévio, apenas coragem para olhar para si mesmo despido de preconceitos – o verdadeiro pressuposto de qualquer aprendizado real.


Em sua primeira obra inédita depois do sucesso de A elite do atraso, de 2017, Jessé Souza se dedica a compreender a classe média brasileira. Com o mesmo estilo claro e acessível, mas sem fazer concessões à superficialidade, ele agora apresenta uma visão original e inovadora dessa classe fundamental da sociedade.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Livro A Justiça a Qualquer Preço - John Grisham


Mark, Todd e Zola ingressaram na faculdade de Direito porque queriam mudar o mundo e torná-lo um lugar melhor. Fizeram empréstimos altíssimos para pagar uma instituição de ponta e agora, cursando o último semestre, descobrem que os formandos raramente passam no exame da Ordem dos Advogados e, muito menos, conseguem bons empregos. Quando ficam sabendo que a universidade pertence a um obscuro operador de investimentos de alto risco que, por acaso, também é dono de um banco especializado em empréstimos estudantis, os três se dão conta de que caíram no grande golpe das faculdades de Direito. Então eles começam a bolar uma forma de se livrar da dívida esmagadora, desmascarar o banco e o esquema fraudulento e ainda ganhar alguns trocados no caminho. Mas, para isso, precisam abandonar a faculdade, fingir que são habilitados a exercer a profissão e entrar em uma batalha contra um bilionário e o FBI.

Arranje uma poltrona bem confortável, porque você não vai conseguir largar Justiça a qualquer preço.


"Grisham atinge sua melhor forma quando usa seu senso de humor sarcástico para tratar a ética por vezes questionável do Direito e dos bancos." – USA Today

"Uma história escrita com inteligência. Gratificante e bem realista. Bravo!" – The Washington Post