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domingo, 22 de janeiro de 2023

Tudo o que você precisa saber sobre A mandíbula de Caim.


Escrito em 1934 pelo compilador de palavras cruzadas do The Observer, ‘A mandíbula de Caim’ é um suspense policial diferente de tudo o que você já viu — ou leu. No livro, seis assassinatos acontecem, cada um cometido por um assassino diferente. O desenrolar desses crimes está perfeitamente descrito na obra, mas com um detalhe: todas as páginas foram impressas e encadernadas em ordem totalmente aleatória e a única maneira de descobrir o que aconteceu é colocando-as na sequência correta.

Com uma combinação original de jogos de palavras e pistas ocultas, o enigma de ‘A mandíbula de Caim’ permanece um segredo e, quase noventa anos após seu lançamento, apenas pouquíssimas pessoas conseguiram desvendá-lo.

É importante frisar que, para manter as ideias originais do autor, todos os cuidados foram tomados durante o processo de tradução e edição do livro, que contou com a participação de um especialista na obra e a colaboração entre editores e tradutores de diversos países. Além disso, diferentemente das edições estrangeiras, o obra tem páginas destacáveis, o que proporciona uma experiência de leitura totalmente distinta e permite que o leitor construa um quadro de investigação, o que facilita o trabalho daqueles que se lançam ao desafio.

Fenômeno das redes sociais.

Intrigante, original e muito instagramável, o livro é um fenômeno no TikTok. Empolgados pelo desafio de colocar as páginas em ordem e identificar as seis vítimas e seus respectivos assassinos, milhares de leitores de todos os cantos do mundo compartilham nas redes sociais suas experiências de leitura, possíveis pistas e, claro, seus quadros de investigação.

Preciso mesmo destacar as páginas?

As páginas são destacáveis para que o leitor tenha a opção de reordenar o livro. Além disso, destacar as páginas e montar um mural de investigação faz parte da experiência de leitura da obra — afinal, muito mais do que um suspense policial, o livro é um quebra-cabeça literário.

Mas, se você quer manter seu livro intacto, não se preocupe: também é possível tentar reorganizar a numeração sem tirar as páginas, apenas anotando pistas e possíveis soluções no próprio livro, na folha de respostas ou em qualquer outro lugar de sua preferência.

domingo, 12 de abril de 2020

‘As livrarias servem de oxigênio social e intelectual para o confinamento’




A livraria La Buena Vida, de Madri, foi reconhecida como livraria cultural em 2018. Por conta da crise do coronavírus, está com as suas portas fechadas, mas não deixou de atender seus clientes. Jesús Trueba, proprietário e livreiro da La Buena Vida, para contar como está a sua rotina de trabalho nesse período de isolamento social. A conversa com Jesús dá início à série Papo do Confinamento.

Como você acha que o mercado do livro será afetado pela crise provocada pela pandemia de covid-19? Quais as áreas ou companhias que sofrerão mais?

Jesús Trueba – Como em qualquer setor, as consequências desta crise são totalmente imprevisíveis, porque não há precedentes. O que posso te assegurar é que o tecido das livrarias independentes tem um grau de exposição ao risco muito alto. Por um lado, estamos muito atomizadas e passamos por baixo do radar de muitas políticas públicas. Por outro, todos os grandes problemas econômicos nos afetam: a gentrificação e o boom imobiliário; a crise do comércio de vizinhança e do varejo tradicional; a escassa margem de lucro e o baixo poder de negociação.



Como livreiro, acredita que a sua livraria poderá minimizar essas perdas?

JT - Nós nos consideramos um serviço público e nos posicionamos como um comércio de bairro, que assegura uma forma de vida e a interação social em nossas comunidades. Seus problemas são nossos problemas. Temos potencializado nossa competitividade no mercado eletrônico, oferecendo serviços e atividades. Mas nada pode ser feito contra a competição desigual com multinacionais que pagam nem um terço dos impostos que nós pagamos. E pagamos com prazer porque entendemos que colaboramos com os nossos serviços sociais públicos.

Como você acredita que a crise afetará o mercado de livros digitais? Acha que pode criar um desequilíbrio com o livro físico?

JT - O livro digital segue sem decolar. É ainda uma expectativa. Em mercados mais maduros, inclusive, até diminuiu. Não quero falar do livro digital. É como se me pedisse para falar de cinema. O livro em papel subvenciona boa parte dos conteúdos digitais, cujas receitas dificilmente poderiam custear as traduções e os adiantamentos. Essa sim é uma realidade.

Como o vírus afetou a sua vida profissional?

JT - Mesmo com as portas fechadas, estamos trabalhando de segunda a sexta, das 11h às 13h para dar conta de pedidos, fazer a manutenção, cuidar da parte administrativa e para nos sentir úteis. Caso contrário...

O que recomendaria às pessoas que estão confinadas em casa?

JT - Há muito mais não leitores do que leitores. Esta crise é uma oportunidade para que pessoas que nunca pegam um livro nas mãos descubram o poder curador de se concentrar mentalmente em uma história que não é a sua própria e, mesmo assim, se envolver com ela. É aprender e adquirir empatia. Começar com sessões de leitura de dez minutos, várias vezes ao dia. Essa é a minha recomendação.

A La Buena Vida segue atendendo sua cliente pela internet. Por que tomou essa decisão?

JT - Seguimos porque, entre outras coisas, o próprio Estado tem ajudado, há alguns anos, o setor comercial como um todo a se digitalizar e nós nos aproveitamos essa oportunidade. Creio que fazer o uso dessas ferramentas agora é a única coisa que podemos fazer para ajudar-nos e fazer que as instituições vejam que as ajudas têm efeitos benéficos em todo o tecido empresarial.

No nosso caso, chegamos a um acordo com alguns dos nossos fornecedores habituais que realizam a operação de pedidos dentro das suas próprias instalações, eliminando etapas e intervenções de pessoas, assim como otimizando os recursos disponíveis, que são escassos.

Não seria justo deixar que só os grandes conglomerados, que não pagam impostos equivalentes em nosso país, pudessem operar. Se, por razões sanitárias, se decretasse que estes serviços não poderiam ser oferecidos, não teríamos nenhum problema em respeitar, porém, daí, ninguém poderia oferecê-los de igual modo.

Como tem gerenciado todo o processo, respeitando os protocolos sanitários?

JT - Não existe nenhum processo além daqueles realizados por um supermercado no fornecimento de alimentos, por exemplo. Além disso, nosso produto não é perecível. Existem serviços mínimos e não há contato com o público. Em Bruxelas, as livrarias ficaram de fora do fechamento do comércio. Eles entendem que as livrarias não são lugares de aglomeração de pessoas e que, ao contrário, servem de oxigênio social e intelectual para o confinamento.

Há algo que queira acrescentar?

JT - Me parece surpreendente que, em uma situação como a atual, sociedades de grande tradição democrática como as europeias possam confinar seus cidadãos em casa mediante um decreto e que, no entanto, não consigam decretar medidas igualmente excepcionais para impor a grandes empresas de tecnologia a retenção de impostos na fonte. É realmente triste e significativo.

Fonte: Publishnews.