Em pouco tempo, no entanto, ela mesma acaba sendo convencida por esses jovens a viajar para Raqqa (que na época era o centro do califado do Estado Islâmico), sob o pretexto de ajudar a população síria e trabalhar em um hospital. Sem perceber a gravidade da situação, Sophie parte para a Síria levando seu filho de quatro anos e abandona sua vida anterior, incluindo o marido e o trabalho.
Ao chegar lá, ela rapidamente vê que a realidade não corresponde às promessas idealizadas. Em vez de uma missão humanitária, Sophie vive o cotidiano opressor e perigoso do regime do Estado Islâmico: é confinada, testemunha violência, e percebe que está isolada e sob controle rígido dos militantes. Após meses de sofrimento, ela consegue escapar com a ajuda de locais, cruzar a fronteira para a Turquia e retornar à França.
A narrativa é em primeira pessoa, fluida e impactante, com relatos diretos de situações de tensão, medo e desilusão. Embora muitos leitores considerem que a autora apresenta uma visão honesta de sua experiência e do horror vivenciado em território controlado pelo Estado Islâmico, há também críticas — por exemplo, sobre a maneira como Sophie justifica suas próprias escolhas e se retrata em relação às consequências dessas decisões.
“Nas Sombras do Estado Islâmico” é mais do que um simples testemunho; é uma obra que humaniza um dos episódios mais complexos e trágicos da atualidade, oferecendo uma perspectiva direta de alguém que viveu dentro do universo do Estado Islâmico e conseguiu sobreviver para contar sua história. Isso torna o livro relevante tanto para leitores interessados em conflitos contemporâneos quanto para aqueles que buscam compreender os mecanismos de radicalização e seus efeitos devastadores.

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