Abaixo vídeo comentado + trailer
domingo, 4 de maio de 2025
Comentando o filme "Síndrome da Apatia". 1ª Edição do Festival Europeu de Cinema Imovision.
Abaixo vídeo comentado + trailer
sábado, 21 de maio de 2022
Comentando o filme "Klondike - Uma guerra na Ucrânia".
Retratar no cinema uma história que ainda está sendo escrita não costuma criar os melhores filmes. Ao contrário, ela apenas posiciona no centro de “Klondike – A Guerra na Ucrânia” o estopim de um conflito que escalou ao longo de quase dez anos.
Dentro de uma casa, cuja parede da sala é destruída por uma bomba nos primeiros minutos do filme, moram Inka e Tolik. Enquanto eles esperam seu primeiro filho, se veem no meio do conflito entre separatistas pró-russos e o exército ucraniano.
No início, a presença dessa guerra se reflete em alguns incômodos diários, como ter que ceder o carro da família por algumas horas aos separatistas. Porém, quando um desastre aéreo acontece no local, a situação muda.
A diretora baseou o filme no acontecimento de julho de 2014, quando um voo da Malaysia Airlines foi derrubado por separatistas pró-russos na região de Donbass, matando 298 pessoas.
“Foram anos de investigação até descobrirem os culpados”, diz a diretora Maryna Er. “E o assunto sumiu da mídia rapidamente, o que foi assustador pra mim, então, eu resolvi contar essa história do meu jeito”.
Mesmo um longa-metragem não documental pode servir como um documento histórico. Para Miguel Chaia, professor da PUC e cientista político, o cinema é uma forma de participação e compreensão da realidade, sendo a Guerra um dos maiores temas do audiovisual, pois afeta a todos; quem produz o filme e quem o assiste.
“Qual é o grande acontecimento
trágico entendido na sociabilidade, no funcionamento e na
organização de uma sociedade? É a guerra. Ela é permanente”,
diz.
Os conflitos escalam, mas a essência da guerra não muda. Segundo o professor, “Klondike” não perde força ao retratar uma situação que ainda está em andamento porque o filme é mais uma forma de entrar em contato com o assunto, tornando-o mais elucidativo.
“Mesmo que os personagens sejam fictícios, nós estamos vendo uma reincenação da história”.
E Maryna fez questão de mostrá-la, mas refletir sobre ela ao mesmo tempo. Segundo a diretora para fazer um filme anti-guerra é necessário mostrar a guerra de algum jeito. A diretora, porém, deixou de lado a estética clássica de conflitos: explosões a todo momento, jornadas de soldados heroicos, poças de sangue… Ela escolheu o caminho da não-violência e do minimalismo.
“Eu quis trazer uma experiência imersiva da guerra através dos movimentos de câmera e da fotografia”, diz, “quando eu não crio um ambiente expositivo, eu deixo a imaginação do espectador fluir, acredito que seja melhor do que mostrar absolutamente tudo”.
“Esse filme é minha criação contra a guerra e contra a violência, e eu espero que ressoe com quem assiste”, afirma.
Olhar feminino
A personagem principal do filme é Irka, que resiste, ao máximo, enxergar os horrores da guerra. Como se fosse uma pequena rachadura, Irka insiste ao marido que a parede da sala seja consertada após uma bomba detonar a casa, por exemplo.
Ao ordenhar sua vaca, lhe faz um carinho e pergunta se ela ficou assustada com o barulho. Não entende, ou ignora, o porquê do seu carro estar sendo usado por separatistas. Irka tenta ao máximo se dissociar da realidade, até que, sem escapatória, é diretamente afetada por ela.
“Eu vejo muitas “Irkas” por aí, é a clássica mulher ucraniana”, diz a diretora. “São mulheres resistentes, dispostas a proteger sua família e sua própria vida”.
Irka é uma personagem amável, conciliadora, cujo papel principal é mostrar como a guerra, causada por homens, é sempre estúpida.
Maryna compara Irka à própria Ucrânia. Segundo a diretora, um país independente, com a criação da própria cultura, mas cuja história é constantemente interrompida por terceiros.
Fica a reflexão.
sábado, 23 de abril de 2022
Crítica do filme "Cidade Perdida"
Talvez o mundo tenha sido precipitado ao alardear o fim da comédia romântica. Claro, não temos mais aquela quantidade de títulos bobos, descartáveis e viciantes inundando os cinemas a cada semana. Mas em Hollywood ainda pulsa um coração apaixonado.
A trama é mais ou menos assim. Loretta Sage (Sandra Bullock) é uma autora de romances baratos e está de saco cheio do próprio sucesso. Desde a morte do marido, ela acha que sua obra não passa de exploração barata do trabalho de pesquisa real que os dois há muito fizeram juntos.
Eis que Sandra Bullock dá um tempo em sua dieta de filmes sérios no streaming e retorna aos cinemas.
Por outro lado, Alan (Channing Tatum) não tem do que reclamar. Há anos ele surfa na fama dos livros de Loretta por ser o modelo de todas as suas capas. As fãs, sempre entusiasmadas, invariavelmente o chamam pelo nome do herói das aventuras, Dash.
Quis o destino que, ao fugir no meio da turnê de divulgação de seu trabalho mais recente, "A Cidade Perdida de D", Loretta é sequestrada pelo biliardário Abigail Fairfax (Daniel Radcliffe, curtindo cada segundo), que acredita nas habilidades da escritora para decifrar um pergaminho e encontrar de fato a cidade perdida que ela sugere em seus livros. Levada para uma ilha no meio do Atlântico, ela vê suas opções diminuírem até que Dash... ou melhor, Alan, vem a seu resgate.
Faz algum sentido? Não, nenhum. Mas a tradição da 'comédia maluca', é justamente partir de uma premissa absurda e não deixar a peteca cair em nenhum momento. A realidade é enfadonha, "Cidade Perdida" mostra que o mundo construído no filme é muito mais bacana.
A partir daí, sabemos exatamente o que vai acontecer. Alan tem uma queda óbvia por Loretta, que por sua vez nunca enxergou nele nada além de um modelo boboca e sem absolutamente nenhum tutano.
Perdidos na selva, os dois descobrem um lado atraente um no outro e tentam, porque o roteiro determina, encontrar o tesouro, com Fairfax usando sua fortuna para caçar a dupla e concluir seus objetivos egoístas.
O "padrinho" de "Cidade Perdida", porém, não trazia suas credenciais apaixonadas assim tão explícitas. Em 1984, Robert Zemeckis dirigiu Kathleen Turner como uma escritora de romances baratos que se vê em uma busca ao tesouro real, auxiliada por fim pelo aventureiro interpretado por Michael Douglas.
domingo, 20 de setembro de 2020
Comentando Sobre o filme "O Dilema das Redes"
Existem apenas duas indústrias que chamam seus clientes de usuários: a de drogas e a de software. Citada no filme "O Dilema das Redes", da Netflix, a sentença do professor da Universidade de Yale Edward Tufte leva o usuário a se reconhecer como personagem, e não mero espectador, do documentário sobre os impasses de uma era de vícios tecnológicos.
Quem acompanha notícias e pesquisas recentes sobre os impasses do mundo atual —polarização, ansiedade, depressão, desconexão com a realidade, fake news— pode imaginar que se trata do remake de algum filme de suspense. O problema é que o final desta história está em aberto. E o que se anuncia não é nada promissor.
Quem diz isso não são apenas os profetas do apocalipse avessos a mudanças, mas os próprios engenheiros deste novo mundo que nos reconfigurou. Fazem parte do elenco, entre outros, Tristan Harris, ex-designer ético do Google; Tim Kendal, ex-presidente do Pinterest; Justin Rosenstein, ex-engenheiro do Facebook; Roger McNamee, investidor em tecnologia, e Jaron Lanier, cientista da computação e autor de "Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais". Eles dividem suas análises sobre a tecnologia com nomes como Arthur C. Clarke e Sófocles, de quem é a frase de abertura do documentário: "Nada grandioso entra nas vidas dos mortais sem uma maldição".
A maldição do século 21 transformou nossa atenção no objeto mais cobiçado das grandes corporações.
Somos, em outras palavras, o que foi o petróleo para o século 20 e a extração de minérios, como ferro e ouro, nos séculos passados.
A ideia básica, como mostra Tristan Harris, hoje um militante contra o vício das redes, é que se você não está pagando pelo produto, você é o produto. Criadas para facilitar conexões e aprofundar laços entre pessoas que curtiam e compartilhavam coisas em comum, essas plataformas logo descobriram a fórmula de fazer dinheiro. Para isso era preciso transformar seres sociáveis em seres manipuláveis. Aqui mora o dilema.
O filme mostra como isso já está acontecendo, mesmo para quem garante só usar as redes para fins recreativos, todos os dias, todas as horas do dia e jura nunca ter se viciado.
Dopamina e algoritmos
A premissa básica é que temos uma necessidade biológica básica de nos conectar com outras pessoas. Desde sempre. Isso afeta diretamente a liberação de dopamina como recompensa. As redes otimizam essa conexão e criam um potencial viciante. Querem que passemos cada vez mais tempo conectados e expostos a mensagens e ofertas de todo tipo. Até aí, tudo pode ser assustador, mas não exatamente uma novidade desde que levamos os aparelhos ao banheiro pela primeira vez. O problema é que, ao longo dos anos, essas grandes empresas reuniram um arsenal de informações sobre nossos comportamentos e passaram a nos conhecer melhor do que qualquer outra pessoa, inclusive nós mesmos.Isso significa não só que eles sabem como está nossos humores e nossa saúde mental em determinada fase da vida, mas o que este estado alterado nos leva a fazer.
Os sistemas são capazes de antecipar tendências. Prever comportamentos por modelos de algoritmos. E vender esta tendência para quem quer saber como nos acessar quando estivermos propensos a compulsões. Podem, com isso, moldar e mudar nossos comportamentos conforme descobrem o que nos engaja e mobiliza.
As redes sociais, como mostra um dos entrevistados, é nossa chupeta quando nos sentimos desconfortáveis, solitários, com medo. Elas atrofiam nossa habilidade de lidar com problemas reais e diversos. A questão é que estaremos sempre desconfortáveis, solitários e com medo diante de padrões de beleza e comportamento que só quem seguimos parecem alcançar. E nos deprimimos e passamos mais tempo nas redes para compensar a frustração.
Tudo já seria preocupante o suficiente se esse ciclo vicioso fosse manipulado apenas para vender batata frita ou calça jeans.
Os manipuladores das redes sabem onde estão as maiores propensões às teorias da conspiração; pior, sabem que estes espaços se tornaram terreno propício para colher engajamento, o santo graal da vida em rede.
A sofisticação das redes, mostra o psicólogo social Jonathan Haidt em certo momento do filme, está relacionada ao aumento gigantesco da depressão, da ansiedade, do suicídio e da internação por autoflagelo entre adolescentes nos EUA. Essa geração, que começou a usar redes sociais durante a pré-adolescência, está mais frágil e se arrisca menos na vida. O índice dos que já saíram em um encontro ou tiveram qualquer interação romântica tem caído rapidamente conforme cresce o uso das plataformas digitais.
A
explicação é que nosso cérebro não evoluiu conforme o poder de
processamento dessas máquinas desde a sua invenção. Podemos
administrar amigos e amores em comunidade. Mas numa comunidade de
milhares de seguidores, o bug é iminente.
Desde o começo de século, a polarização política e a intransigência dentro das bolhas não têm sido
só consequência da vida em rede, mas a sua condição de existência. Se não tivermos a quem odiar, não entregaremos aos donos do negócio o engajamento que eles mais desejam. Por isso clicamos e navegamos como coelhos em busca de cenoura estrategicamente penduradas em anzóis à frente do nosso nariz.
No filme, as referências a distopias recentes, como "Matrix" e "O Show de Truman" estão ali para mostrar que este processo já está em curso e desativá-lo não vai ser nada fácil. Antes é preciso nos reconhecer dentro da matrix.
Ao fim do documentário, os entrevistados dão breves e preciosas dicas de como conseguiram, eles mesmos, diminuir os danos do uso das plataformas que ajudaram a criar. E deixam dicas preciosas, a maior delas é “não deixem seus filhos conectados por muito tempo, pois o cérebro deles ainda está em formação”.
Fonte: Uol.
Você poderá gostar de: Comentando sobre a série Chernobyl da HBO
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Vivendo na Natureza Selvagem com o Filme 'Na Natureza Selvagem'.
Sinopse:
Um filme baseado em uma história real que conta a história de Christopher McCandless, um jovem que acabou de se formar na faculdade. Ele não via sentido na vida que levava e não sabia o que fazer depois de ter concluído o curso. Dentro de uma realidade que ele não conseguia se encontrar, Christopher resolve sair de casa em busca de liberdade e de uma razão para viver. Com uma mochila nas costas e pouco dinheiro ele viaja sem rumo pelos Estados Unidos e conhece várias pessoas que influenciam sua vida. Até que, após dois anos na estrada, decide fazer a maior das viagens e partir rumo ao Alasca, vivendo experiências de sobrevivência e autoconhecimento.
Minha opinião:
Em primeiro lugar o filme é excelente, umas das raridades do cinema.
Vou confessar-lhe uma coisa, o documentário acima era basicamente meu plano pôs estudos. Passar vilarejo em vilarejo observando os mais diferentes estilos de vida, ambientes, climas etc. Fazendo um trampo aqui outro ali só para conseguir algum para poder ir ao vilarejo seguinte. Sempre em cidadezinhas remotas que o único meio de comunicação seria celular por satélite, sem qualquer contato com pessoas fora da região. Cruzando montanhas se distrair, acampando em meio aos 'Andes'. NÔMADE uma palavra que veio do grego 'NOMAS', que também pode definir-se como andarilho. Assim redefinindo fronteiras ao seu bel-prazer a cada dia sem se preocupar com o temido amanhã.
Saindo dessa maravilhosa e estonteante utopia em qual não fui agraciada. A realidade que nos assola é um trágico assalto a psique.
Post que poderá gostar:critica sobre o filme enders-game o jogo do exterminador







