sábado, 29 de maio de 2021

Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Mundo - Benjamin Alire Sáenz


Em um verão tedioso, os jovens Aristóteles e Dante são unidos pelo acaso e, embora sejam completamente diferentes um do outro, iniciam uma amizade especial, do tipo que muda a vida das pessoas e dura para sempre. E é através dessa amizade que Ari e Dante vão descobrir mais sobre si mesmos - e sobre o tipo de pessoa que querem ser.
Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão.
Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas - e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.

Sobre o autor


BENJAMIN ALIRE SÁENZ
Nasceu em 1954, no Novo México, Estados Unidos. Foi chefe do departamento de escrita criativa da Universidade do Texas em El Paso e hoje se dedica exclusivamente a escrever prosa e poesia para jovens e adultos. Seu primeiro livro de poemas, Calendar of Dust, ganhou o American Book Award em 1992. Em 2013, Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo foi escolhido livro de honra do Michael L. Printz Award e recebeu o Stonewall Book Award, entre vários outros prêmios.

domingo, 23 de maio de 2021

Sombra e Ossos - Trilogia Grisha - Leigh Bardugo


Alina Starkov nunca esperou muito da vida. Órfã de guerra, ela tem uma única certeza: o apoio de seu melhor amigo, Maly, e sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa de seu regimento militar, em uma das expedições que precisa fazer à Dobra das Sombras – uma faixa anômala de escuridão repleta dos temíveis predadores volcras –, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros e ficar brutalmente ferido. Seu instinto a leva a protegê-lo, quando inesperadamente ela vê revelado um poder latente que nunca suspeitou ter. A partir disso, é arrancada de seu mundo conhecido e levada da corte real para ser treinada como um dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina em seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir a Dobra das Sombras. Agora, ela terá de dominar e aprimorar seu dom especial e de algum modo adaptar-se à sua nova vida sem Maly. Mas nesse extravagante mundo nada é o que parece. As sombrias ameaças ao reino crescem cada vez mais, assim como a atração de Alina pelo Darkling, e ela acabará descobrindo um segredo que poderá dividir seu coração – e seu mundo – em dois. E isso pode determinar sua ruína ou seu triunfo.



sexta-feira, 14 de maio de 2021

Torres Negras: Deutsche Bank, Donald Trump e Um Rastro Épico de Destruição - David Enrich


Em uma segunda-feira chuvosa de 2014, um executivo sênior do Deutsche Bank foi encontrado enforcado no seu apartamento de Londres. Bill Broeksmit ajudou a transformar a instituição financeira de 150 anos em uma gigante mundial. Sua morte repentina tornou-se um mistério, principalmente pelos esforços do banco em desencorajar a investigação. Broeksmit, conforme acabaram descobrindo, era um homem que sabia demais. Em Torres Negras, o premiado jornalista David Enrich revela a verdade sobre o Deutsche Bank e seu épico caminho de devastação. Traçando a história do banco — desde o financiamento de um construtor norte-americano inclinado à inadimplência nos anos 1880 até a ajuda no financiamento de Auschwitz ao lado dos nazistas e seus cortejos com figuras autoritárias do Oriente —, o autor mostra como nos anos 1990, por meio de uma sucessão de executivos agressivos, o Deutsche tomou a decisão fatídica de perseguir as riquezas de Wall Street, frequentemente em detrimento da ética e das leis. Logo o banco estava manipulando mercados, violando sanções internacionais para auxiliar regimes terroristas, passando a perna nos investidores, defraudando legisladores e lavando dinheiro para oligarquias russas. Sempre desesperado por uma base norte-americana, o Deutsche também começou a realizar negócios com um magnata imobiliário convencido e que quase todos os outros bancos do mundo consideravam perigoso demais lidar: Donald Trump. Ao longo dos próximos 20 anos, os executivos do Deutsche emprestaram bilhões de dólares para Trump, para a família Kushner e para uma série de clientes marcados pelo escândalo, incluindo o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.

Torres Negras é a saga nunca contada de como o Deutsche Bank se tornou o rosto mundial da imprudência e criminalidade financeira — o equivalente corporativo de uma arma de destruição em massa. O livro também é a história de um homem consumido pelo medo daquilo que viu no banco — e a busca obsessiva de seu filho pelos segredos guardados pelo pai.

domingo, 9 de maio de 2021

Cine Pipoca #020



Olá pensadores, sejam bem vindos ao cine pipoca #020. Enfin os cinemas estão normalizando e com isso a qualidade de serviço em cartaz. Vamos conferir os melhores filmes em destaque:















Você também poderá gostar de: Cine pipoca #019.

domingo, 2 de maio de 2021

O Ano da Cólera - Protestos, Tensão, e Pandemia em 5 Países da America Latina por Sylvia Colombo

Antes mesmo da pandemia do novo coronavírus assolar o mundo, a temperatura subiu em terras latino-americanas já bastante calientes: países considerados estáveis como o Chile, ou prósperos, como a Bolívia, foram cenário de inflamadas manifestações contra seus governos. O fogo e o povo nas ruas deixaram claro o que não estava nas manchetes internacionais: na mesma medida em que se abria a economia e o IDH crescia, aumentava também a desigualdade, direitos eram perdidos, moedas se desvalorizaram. Tudo tem um preço. E na América Latina ele foi pago com a vida de muitos, que não puderam reagir diante de sistemas de saúde precários e governos negacionistas, incompetentes ou corruptos.

Não bastaram a tensão política e os protestos, a Covid-19 mais uma vez nos lembrou da dependência e miséria latino-americanas. Em O ano da cólera, a correspondente da Folha de S.Paulo Sylvia Colombo oferece ao leitor um panorama do que aconteceu em cinco países da América Latina antes e durante a pandemia, nos raivosos e doentes anos de 2019 e 2020. Protestos e tensões no Chile, na Bolívia, Venezuela, Argentina e no Uruguai foram tanto a manifestação de uma insatisfação coletiva quanto um presságio macabro de tempos de confinamento e mortes.

Sem deixar de fora as particularidades de cada país, a jornalista leva o leitor por um aprazível passeio pela história e seus personagens. De um lado, governantes, ditadores, militares, liberais, populistas, amados e odiados; do outro, o povo, e a certeza de que a América Latina segue pulsante e complexa.


sexta-feira, 23 de abril de 2021

Sobreviventes enlutados por suicídio: Cuidados e intervenções - Karina Okajima Fukumitsu


Segundo a Organização das Nações Unidas, a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no planeta. São quase 800 mil casos de morte autoinfligida por ano. Esses dados alarmantes têm chamado a atenção de profissionais de saúde, educadores e responsáveis pela elaboração de políticas públicas. Porém, além de prevenir esse tipo de ocorrência, é preciso cuidar daqueles que enfrentam o suicídio de um ente querido: os sobreviventes. Maior especialista brasileira no tema, Karina Okajima Fukumitsu reúne neste livro anos de pesquisa e de trabalho de campo com mães, pais, irmãos e amigos de pessoas que se suicidaram, desvendando o processo de choque, dor, agonia e tristeza pelo qual passam. Denominando posvenção o cuidado específico com esse público, a autora aborda os impactos do suicídio, detalha as dificuldades emocionais enfrentadas pelos sobreviventes, aponta caminhos para ressignificar a dor, apresenta propostas de prevenção e propõe políticas públicas para transformar a impotência individual em potência coletiva.

Sobre a Autora

Karina Okajima Fukumitsu é psicóloga, Gestalt-terapeuta e psicopedagoga. Doutora e pós-doutora em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), é mestre em Psicologia Clínica pela Michigan School of Professional Psychology (EUA). Coordena a Pós-Graduação em Suicidologia: Prevenção e Posvenção, Processos Autodestrutivos e Luto , da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) , e o Programa RAISE: Ressignificações e Acolhimento Integrativos do Sofrimento Existencial. É ainda cocoordenadora da Pós- Graduação Abordagem Clínica e Institucional em Gestalt-terapia da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) . E vários outros projetos do genero.

domingo, 18 de abril de 2021

Comentando Sobre o filme "O Protocolo de Auschwitz"

Senta que lá vem história!

O protocolo de Auschwitz, é um filme com cenas fortes, tenso e triste. Em pensar só conhecemos que uma pequena parte das histórias vividas naquele lugar horrendo. Mais de setenta anos passaram-se, e ainda surge relatos nunca antes visto. Se aquele lugar falasse o mundo choraria, não só os envolvidos e sobreviventes, mas todas as pessoas. Precisamos de histórias como essa para sempre nos lembra que o Holocausto aconteceu sim, foi real. Para um futuro próximo, ou não, impedirmos que as histórias volte a repetir. Precisamos lembrar das milhares de pessoas que pagaram essa conta.

Sinopse:

Baseada na história real de Freddy e Walter, o filme apresenta a árdua saga de dois jovens judeus eslovacos que são deportados para Auschwitz em 1942.

"Em 10 de abril de 1944, após um planejamento meticuloso e com a ajuda e a resiliência de seus internos, eles conseguiram escapar. Enquanto os presos, que eles haviam deixado para trás, corajosamente mantiveram sua posição contra os oficiais nazistas, os dois homens são movidos pela esperança de que suas evidências possam salvar vidas. Emaciados e feridos, eles voltam pelas montanhas para a Eslováquia. Com a ajuda de encontros casuais, eles finalmente conseguem cruzar a fronteira e encontrar a resistência e a Cruz Vermelha. Eles compilam um relatório detalhado sobre o genocídio sistemático no campo. No entanto, com a propaganda nazista e ligações internacionais ainda em vigor, seu relato parece ser muito angustiante para acreditar", diz os chefões da Cruz Vermelha.

Comentando sobre

O Clímax final (depois de todo os horrores), fica nos minutos finais quando vemos esses dois homens (muito bem interpretados por Noel Czuczor e Peter Ondrejicka) praticamente em um processo de convencer pessoas do que está acontecendo em Auschwitz -- edindo, inclusive, para simplesmente bombardear o local e cortar o mal pela raiz. É doloroso, uma coisa impensável, só quem passou anos e anos de torturas iria pensar - suponho.

São personagens buscando desesperadamente por uma saída para viver. Para sobreviver. Não tem como sentir aquela dor, perceber como muitas vidas poderiam ter sido poupadas com um grande líder mundial, ou alguém com poder, por trás.

E a cereja do bolo estão nos créditos, quase como numa cena pós-crédito, quando Bebjak coloca falas de políticos e líderes mundiais com falas que praticamente reproduzem o que era dito naquela época de Auschwitz ou que negam o Holocausto. É um momento forte, quando o filme expõe um ciclo histórico.

O Protocolo de Auschwitz, é um filme que basicamente existe por conta do seu final. Todo ele é pensado, criado e dirigido para aquele baque nos últimos vinte minutos, ganhando ainda mais projeção nos créditos. Como diz uma frase inicial do longa-metragem, "tão importante hoje em dia, precisamos saber mais sobre a nossa História, nosso passado, para não repetir os mesmos erros".



domingo, 11 de abril de 2021

O ICKABOG : O mais novo livro da escritora J. K. Rowling


J.K. Rowling estava afastada das redes sociais, mas voltou durante a pandemia do novo coronavírus para divulgar "O Ickabog", seu novo livro infantil. Como parte do projeto, Rowling convidou crianças de todo o mundo para ilustrar capítulos da trama, que até tem um certo charme, mas não tem a força para se tornar um novo universo fantástico.

Longe de ser para o público mais adolescente, O Ickabog é, de fato, um livro infantil, que mostra como um reino lida com a lenda do monstro do título, que seria uma grande ameaça à paz e alegria vividas pelos habitantes daquele lugar. A história é boba, mas tem seus atrativos. É muito interessante terminar de ler um capítulo e ver as ilustrações, que revelam como cada criança imaginou o que foi narrado, e no geral ver também as camadas que Rowling conseguiu acrescentar em uma trama aparentemente simples.

Ao falar sobre um rei orgulhoso, que tenta ser bondoso, mas deixa seu ego falar mais alto, a autora toca em pontos como corrupção, governos que se baseiam no medo, impostos, e até, veja só, como fake news podem transformar uma história inventada em uma completa verdade aos olhos do povo. Claro, tudo isso é mostrado com um véu de fantasia por cima, mas é o tipo de leitura que pode gerar dúvidas interessantes na cabeça das crianças (e que, provavelmente, os pais precisarão responder). Curiosamente, a autora também toca de forma rápida no assunto de identidade de gênero, sobre o qual causou polêmica no Twitter. Ao ser questionado se era macho ou fêmea, o Ickabog indica que tem um gênero neutro.

Apesar de todos esses pontos, O Ickabog tem um ritmo lento para um público mais adulto. Isso porque os temas citados acima são colocados na trama em doses homeopáticas: são quase 300 páginas de uma história que não tem pressa para seguir e se explicar. Tudo caminha lentamente neste mundo, o que faz do livro uma boa pedida para as crianças embarcarem aos poucos.

Rowling floreia sua escrita com descrições, mas elas são rasas. É como se a autora conhecesse o mundo sobre o qual está falando, mas nunca tivesse realmente entrado dentro dele.

Como dito acima, O Ickabog tem seu charme e pode se mostrar uma leitura divertida para ser absorvida aos poucos.

domingo, 4 de abril de 2021

O Garoto que Seguiu o Pai para Auschwitz - Jeremy Dronfield

A inspiradora luta de um pai e seu filho para se manter juntos e sobreviver ao Holocausto. Uma história real.

Em 1939, Gustav Kleinmann, um estofador judeu, e seu filho, Fritz, são capturados pelos nazistas em Viena e enviados a Buchenwald, na Alemanha. Esse é o início de uma história real, comovente, em que seus protagonistas serão vítimas dos maus-tratos mais cruéis, em busca da sobrevivência.

Quando Gustav recebe a notícia de que será transferido para Auschwitz, na Polônia, Fritz fará o possível para não se separar do pai. Frente ao horror cotidiano de que são testemunhas, só uma força os manterá vivos: o amor entre eles. Com base no diário secreto de Gustav e em uma meticulosa pesquisa documental, O garoto que seguiu o pai para Auschwitz é uma história de lealdade e luta.

"Uma história extraordinária." – The Times

Sobre o Autor

Jeremy Dronfield nasceu no País de Gales. Doutorado em Arqueologia, em Cambridge, é biógrafo, historiador e romancista. O seu primeiro romance, The Locust Farm, esteve na shortlist do Prémio John Creasey Memorial para primeiras obras de policial.


*Auschwitz não para de ser surpreendente quando pensamos que já publicamos todas as histórias possíveis eis que surge mais e mais. Terra onde só teve dor, sofrimento, injustiças... Surgem as mais imagináveis histórias.

domingo, 28 de março de 2021

Comentando Sobre o Livro "Quarto de Despejo" - Carolina Maria de Jesus


O diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus deu origem à este livro, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos.
A obra retrata muito bem a vida de quem enfrenta a mesma realidade atualmente. Nada mudou de fato para a grande massa.

Comentando sobre

O livro de Carolina Maria de Jesus narra de modo fiel o cotidiano passado na favela.

Em seu texto, vemos como a autora procura sobreviver como catadora de lixo na metrópole de São Paulo, tentando encontrar naquilo que alguns consideram como sobra o que a mantenha viva.

Os relatos foram escritos entre 15 de julho de 1955 e 1 de janeiro de 1960. As entradas no diário são marcadas com dia, mês e ano e narram aspectos da rotina de Carolina.

Muitas passagens sublinham, por exemplo, a dificuldade de ser mãe solteira nesse contexto de extrema pobreza. Lemos num trecho presente no dia 15 de julho de 1955:

"Aniversário de minha filha Vera Eunice. Eu pretendia comprar um par de sapatos para ela. Mas o custo dos generos alimenticios nos impede a realização dos nossos desejos. Atualmente somos escravos do custo de vida. Eu achei um par de sapatos no lixo, lavei e remendei para ela calçar."

Carolina Maria é mãe de três filhos e dá conta de tudo sozinha.
Para conseguir alimentar e criar a família ela se desdobra trabalhando como catadora de papelão, metal, e como lavadeira. Apesar de todo o esforço, muitas vezes sente que não dá conta.

Nesse contexto de frustração e extrema pobreza, é importante se sublinhar o papel da religiosidade. Diversas vezes, ao longo do livro, a fé aparece como um fator motivador e impulsionador da protagonista.

Carolina encontra na fé força, mas também muitas vezes explicação para situações cotidianas. O caso acima é bastante ilustrativo de como uma dor de cabeça é justificada por algo da ordem do espiritual.

Quarto de Despejo explora os meandros da vida dessa trabalhadora mulher e transmite a dura realidade de Carolina, o constante esforço contínuo para manter a família de pé sem passar maiores necessidades:

"Saí indisposta, com vontade de deitar. Mas, o pobre não repousa. Não tem o previlegio de gosar descanço. Eu estava nervosa interiormente, ia maldizendo a sorte. Catei dois sacos de papel. Depois retornei, catei uns ferros, uma latas, e lenha."

Por ser a única a prover o sustento da família, Carolina trabalha dia e noite para dar conta da criação dos filhos.

Os seus meninos, como ela costuma chamar, passam muito tempo sozinhos em casa e vira e mexe são alvo de críticas da vizinhança que dizem que as crianças "são mal inducadas".

Embora nunca se diga com todas as letras, a autora atribui a reação das vizinhas com os seus filhos pelo fato de ela não ser casada ("sou muito mais feliz que elas que tem marido" diz ela).

Além de trabalhar para conseguir comprar comida, a moradora da favela do Canindé também recebia doações e buscava restos de alimento nas feiras e até no lixo quando era preciso.

Pior do que a fome dela, a fome que mais doía era aquela que assistia nos filhos. E é assim, tentando escapar da fome, da violência, da miséria e da pobreza, que se constrói o relato de Carolina.

Acima de tudo, Quarto de Despejo é uma história de sofrimento e de resiliência, de como uma mulher lida com todas as dificuldades impostas pela vida e ainda consegue transformar em discurso a situação limite vivida.