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domingo, 11 de junho de 2023

Harry Potter: O Almanaque Mágico.


Editora oficial das obras de Harry Potter no Brasil, a Rocco vai publicar o primeiro almanaque mágico oficial da série.

Com lançamento mundial marcado para 10 de outubro, o compêndio ilustrado Harry Potter ― O almanaque mágico, conduz o leitor a um passeio pelo mundo bruxo. Com trechos e diálogos dos romances originais de J.K. Rowling, o livro inclui cenas, infográficos e particularidades do mundo bruxo, reunindo objetos encantados, plantas curiosas e animais fantásticos. Ao longo de sete capítulos, o público vai descobrir mais sobre os personagens da série, revisitar seus momentos favoritos da história, aprender sobre feitiços e magia, procurar segredos escondidos e explorar os limites de Hogwarts e além.

“Estamos animados para publicar o almanaque oficial da série Harry Potter. Um livro-presente para os fãs do mundo bruxo, sempre ávidos por novidades e curiosidades que enriqueçam seus conhecimentos sobre esse universo”, diz Ana Lima, editora executiva da Rocco, em comunicado. “Harry Potter ― O almanaque mágico é um verdadeiro tesouro, reunindo momentos inesquecíveis dos sete romances de J.K. Rowling, com seus personagens, locações, trechos e diálogos, todos ricamente ilustrados por um time inigualável de artistas.”

Com projeto gráfico colorido, capa dura, detalhes em acabamento metálico, fitilho e guarda ilustrada, o volume contém artes criadas por sete ilustradores que vêm de diferentes partes do mundo: Peter Goes, Louise Lockhart, Weitong Mai, Olia Muza, Pham Quang Phuc, Levi Pinfold e Tomislav Tomić. Cada um deles oferece sua própria visão criativa para o universo de J.K. Rowling.

A publicação de Harry Potter ― O almanaque mágico já foi confirmada, até o momento, em 35 línguas. O lançamento será acompanhado de uma grande campanha global, com publicidade, divulgação dinâmica nas redes sociais, produção de artes criativas e interativas em livrarias e também eventos para reunir fãs de todas as idades.

FontePublishnews.

sábado, 25 de dezembro de 2021

Jack e o Porquinho de Natal - J. K. Rowling


Para onde vão as coisas que perdemos? A resposta para esta pergunta é encontrada por Jack, um garoto de 7 anos que adentra esse mundo mágico em busca de seu porquinho de pelúcia preferido que se perdeu, o Poto. Mas apesar da magia, são mundanos os problemas da Terra das Coisas Perdidas.

Em seu novo romance infantil, Jack e o Porquinho de Natal, J.K. Rowling consegue (de novo!) comentar questões basilares da nossa sociedade real de forma leve, divertida e emocionante, através de alegorias e críticas – algumas implícitas e outras muito explícitas, sem perder a magia e a criatividade.

Quando chegamos à Terra das Coisas Perdidas, damos de cara com uma complexa estrutura que mais parece àquela da sociedade feudal, apesar das Coisas serem muito bem colocadas como fruto do século XXI. A força militar e a simbologia das Coisas que representam a “lei”, são explicitamente da nossa era: canetas, botas, e um martelo de juíz. Problemas reais colocados como estrutura desse mundo paralelo, como a ausência de consciência de classe, a segregação entre as classes média e pobre e o anseio autocrático de certos líderes se encaixa muito bem em 2021.


Rowling fala explicitamente sobre o “valor simbólico” das Coisas, e como essa noção do “valor” se reflete na autoconsciência da personificação das Coisas e suas classes. Em certo momento, um par de brincos de diamantes não se conforma de estar no mesmo lugar que coisas como um óculos de plástico e um brinquedo de pelúcia. O lugar onde esse par de brincos vai acabar é hilário, e aprofunda ainda mais a crítica à classe pobre que reverencia as classes mais ricas por causa da ideologia meritocrática: eles viram satisfeitos faxineiros dos aristocratas.

O Rei não é da Terra das Coisas Perdidas, mas sim da cidade mais bonita e respeitada daquele lugar, Alguém-Se-Importa, onde as Coisas cujos donos creem ser de alguma ínfima valia ficam. De resto, sobram as cidades das Coisas descartáveis e a das Coisas esquecidas, em que residem o poder opressivo do Rei e de sua força policial, que atuam em função de um ser mais elevado que usa as Coisas sem valor para a construção de seu próprio corpo, o Perdedor.

Eu não vou mencionar mais pontos da história que possam estragar a leitura de alguém que esteja lendo a resenha mas ainda não leu o livro, mas preciso avisar que o que você está prestes a ler não é um livro qualquer: é uma crítica ao militarismo, ao punitivismo, ao sistema carcerário, ao sistema judiciário, e à lógica social do capitalismo. Você enxerga isso na adulteza, com a bagagem que a vida traz, mas as crianças também vão conseguir absorver aprendizados importantíssimos para o desenvolvimento crítico e social, assim como nós, potterheads velhos, fizemos anos atrás com Harry Potter.

Do mesmo jeito que lá, a mensagem que fica aqui é uma de tolerância, autoconhecimento, resiliência, e o mais importante: amor. Mas não o amor tacanho que responde tudo e que parece sair de um livro ruim, mas sim o amor como método para transformar a realidade, para conviver com seus iguais, destruir ditaduras e lutar contra anseios autocráticos violentos em busca da Utopia. É sobre o amor sobre o qual Martin Luther King Jr. falou. É o amor que permite resgatar sua Felicidade e sua Esperança da Terra das Coisas Perdidas.

"O amor é a única força capaz de transformar um inimigo em um amigo. […] Aquele que é desprovido do poder do perdão é desprovido do poder do amor." - Martin Luther King Jr.

Obs: um potencial Harry Potter ao meu ver.

domingo, 11 de abril de 2021

O ICKABOG : O mais novo livro da escritora J. K. Rowling


J.K. Rowling estava afastada das redes sociais, mas voltou durante a pandemia do novo coronavírus para divulgar "O Ickabog", seu novo livro infantil. Como parte do projeto, Rowling convidou crianças de todo o mundo para ilustrar capítulos da trama, que até tem um certo charme, mas não tem a força para se tornar um novo universo fantástico.

Longe de ser para o público mais adolescente, O Ickabog é, de fato, um livro infantil, que mostra como um reino lida com a lenda do monstro do título, que seria uma grande ameaça à paz e alegria vividas pelos habitantes daquele lugar. A história é boba, mas tem seus atrativos. É muito interessante terminar de ler um capítulo e ver as ilustrações, que revelam como cada criança imaginou o que foi narrado, e no geral ver também as camadas que Rowling conseguiu acrescentar em uma trama aparentemente simples.

Ao falar sobre um rei orgulhoso, que tenta ser bondoso, mas deixa seu ego falar mais alto, a autora toca em pontos como corrupção, governos que se baseiam no medo, impostos, e até, veja só, como fake news podem transformar uma história inventada em uma completa verdade aos olhos do povo. Claro, tudo isso é mostrado com um véu de fantasia por cima, mas é o tipo de leitura que pode gerar dúvidas interessantes na cabeça das crianças (e que, provavelmente, os pais precisarão responder). Curiosamente, a autora também toca de forma rápida no assunto de identidade de gênero, sobre o qual causou polêmica no Twitter. Ao ser questionado se era macho ou fêmea, o Ickabog indica que tem um gênero neutro.

Apesar de todos esses pontos, O Ickabog tem um ritmo lento para um público mais adulto. Isso porque os temas citados acima são colocados na trama em doses homeopáticas: são quase 300 páginas de uma história que não tem pressa para seguir e se explicar. Tudo caminha lentamente neste mundo, o que faz do livro uma boa pedida para as crianças embarcarem aos poucos.

Rowling floreia sua escrita com descrições, mas elas são rasas. É como se a autora conhecesse o mundo sobre o qual está falando, mas nunca tivesse realmente entrado dentro dele.

Como dito acima, O Ickabog tem seu charme e pode se mostrar uma leitura divertida para ser absorvida aos poucos.

sábado, 10 de março de 2018

A Eterna Magia do Efeito Harry Potter 20 Anos Depois.

Olá pessoal, não é segredo que sou potterhead. Vi a homenagem que o google carinhosamente fez a essa saga e resolvi compartilhar de um jeitinho especial. Vejam!!

Rebecca McNally, diretora de edição de livros infantis da Bloomsbury, fala sobre o poder que a série ainda tem.

Parte do trabalho dela é garantir que os livros da série Harry Potter criados pela editora alcancem novas gerações de leitores. Isso se manifesta em projetos como as recentes edições da série Harry Potter da Bloomsbury ilustradas por Jim Kay. "Uma coisa boa sobre o mundo dos livros infantis é que sempre há novos leitores de oito a nove anos que não descobriram a alegria de Harry Potter ainda", diz Rebecca.

"É muito poderoso ser uma escritora de livros infantis porque seus livros estão em mãos dessas crianças, muitas vezes, criando uma fuga para quando elas estiverem em um momento ruim", ela continua. "Viver emoções, perigo, alegrias, escuridão e amor no conforto da sua poltrona é a magia da leitura. E é tão poderosa em Harry Potter em todos os sete livros".

Como conhece as maneiras pelas quais Harry Potter conseguiu capturar a imaginação de crianças (e adultos) em todo o mundo, aqui, Rebecca explica o impacto do chamado "efeito Harry Potter" e o significado desse efeito para o cenário da publicação infantil. Juntamente com as respostas de Rebecca, você vai encontrar alguns dos rascunhos anotados de JK Rowling, esboços iniciais de personagens e planos detalhados para uma visão ainda maior da criação de uma das séries de livros mais bem sucedidas de todos os tempos.

O que significa o “efeito Harry Potter”?

O mais correto, provavelmente, é falar dos efeitos no plural. É difícil definir exatamente, mas existem alguns efeitos realmente concretos. Um deles se refere aos números do UK Bookscan [a operação que rastreia as vendas nos caixas de livrarias no Reino Unido]. Em 1998, havia cerca de 34 milhões de livros infantis vendidos, em 2016, eram 64 milhões, então, esse é um efeito muito palpável de Harry Potter. Obviamente, não é o único fator responsável por isso, mas acho que Harry Potter criou uma mudança de paradigma que tornou isso possível.

O outro efeito importante e maravilhoso é a magia de ler os livros e o efeito que eles têm sobre seus leitores. Para a primeira geração de leitores que cresceram com essa magia, a experiência era algo completamente novo. Ninguém sabia o que aconteceria naqueles livros, e eles ficavam esperando o próximo. De repente, a publicação de um livro era transformada em um acontecimento.

Agora, a literatura infantil como campo de atuação está cheia de talentos, e há uma nova geração de escritores chegando, que foram os fãs originais de Potter e cujo amor pelos livros e pela leitura foi moldado por essa experiência extraordinária.

De que forma, isso encorajou as crianças a continuar lendo?

Nos primeiros anos, o fenômeno de Harry Potter transformou os livros e a leitura em uma atividade compartilhada, e havia uma amplitude do poder de atração, o que trazia pessoas que não eram leitores habituais.

Curiosamente, ao mesmo tempo, no final dos anos 1990, no início dos anos 2000, houve muitas iniciativas realmente positivas em torno da leitura e alfabetização, o que realmente ajudou a promover o efeito. Em 1998, foi criado o ano nacional de leitura que teve apoio do governo e, depois, começaram a apoiar o Bookstart, que disponibiliza livros para crianças em idade pré-escolar gratuitamente.

A série Harry Potter, em si, é um farol para a magia da leitura que atraiu pessoas de todos os tipos de comunidades e ainda funciona!


Em que ponto Harry Potter deixou de ser apenas uma série de livros e se tornou um fenômeno cultural? Houve um ponto de transformação?
Se fosse para responder isso em termos de vendas brutas, foi a publicação do Prisioneiro de Azkaban. Depois disso, tudo começou a acelerar. Mais tarde, os filmes trouxeram novos públicos, então, os livros e filmes praticamente geravam público uns para os outros.

Acho que só agora podemos realmente dizer que Harry Potter é um fenômeno cultural persistente e importante. Faz 20 anos da publicação do primeiro livro, e há fenômenos que vão e voltam, mas Harry está claramente aqui para ficar.

O que diferencia Harry Potter de séries anteriores de sucesso como Os Cinco ou As Crônicas de Nárnia por exemplo?
Harry Potter quebrou muitas regras no mundo dos livros infantis. Nós costumávamos pensar que um livro para crianças nunca deveria ter mais de 60 mil palavras e que seus personagens deveriam permanecer com a mesma idade em toda a série.
A ficção de séries comerciais às vezes era bastante padronizada, embora bastante viciante. Você esperava que houvesse certos elementos e havia. Com Harry Potter, a trama levava você a lugares completamente novos.

Há elementos, em Harry Potter, que existem, naturalmente, em outros livros, mas combinar coisas que são muito comuns com uma explosão de imaginação realmente extraordinária, junto com a confiança de explorar temas extremamente sombrios e manter o tom de um livro de crianças. Foi simplesmente e incrivelmente novo e diferente. E ainda é até hoje.


Não era esperado que os livros fossem fazer sucesso, na época. Qual o motivo disso na sua opinião? Como era o cenário editorial na época?

Em 1997, quando o primeiro livro foi publicado, a maioria das grandes editoras costumava ter uma divisão infantil, mas ninguém tinha expectativas comerciais significativas. Há muitas lendas sobre as origens de Harry Potter, como a que diz que o livro foi recusado por doze editores e depois chegou à Bloomsbury. Mas não se pode dizer que a Bloomsbury não tinha ambições para ele.

Eu não estava lá na época, mas sei que houve uma expectativa palpável sobre o livro. Mas antes de ser adquirido, o livro teve que ser aprovado por uma reunião que foi presidida por nosso fundador e diretor executivo, Nigel Newton. Nigel pegou os três capítulos que recebeu em casa e os entregou à filha dele de oito anos que escreveu um bilhete para ele dizendo que queria ler o resto imediatamente. A história criava um amor e uma expectativa genuína e, embora seja verdade que a Bloomsbury não pagou muito por ele, ninguém pagava muito por livros infantis naquela época! E acho que o que as pessoas pensavam ser um primeiro livro infantil de sucesso, na época, não era nada perto do que realmente aconteceu.

Qual é o papel da série na inspiração de outras ficções para crianças e jovens?
Acho que há uma geração inteira de escritores agora que são escritores porque se apaixonaram pela leitura de Harry Potter. Mas isso não significa que há um vínculo direto entre o conteúdo de Harry Potter e trabalho dessa nova geração.

Claro que, depois de Harry Potter, houve uma série de franquias verdadeiramente bem-sucedidas, como Crepúsculo, Jogos Vorazes, que são fenômenos por mérito próprio. Os fenômenos para jovens são interessantes porque tendem a ser mais cíclicos. Por exemplo, Crepúsculo dominou as estatísticas de livros por três ou quatro anos e, depois, foi sucedido por Jogos Vorazes. Harry Potter é diferente desses exemplos pela posição duradoura. Mesmo no ano passado, que foi o 20º aniversário do livro, nossa edição regular de Harry Potter e a Pedra Filosofal foi o 10º livro infantil mais vendido.


Quais são os desafios quando uma série de livros tem tanto sucesso? Outros livros podem competir?
O fato é que, quando se trata de livros, não há realmente uma competição. No entanto, como editor ou como escritor, você gosta quando os livros ganham prêmios ou vendem bem. No longo prazo, o valor dos livros é realmente a experiência de lê-los.

Contudo, nada pode realmente competir com Harry Potter porque, para ser realmente honesta sobre isso, trata-se de um fenômeno que acontece uma vez por geração. Foi recentemente anunciado que a série já vendeu mais de 500 milhões de livros em todo o mundo, o que é uma quantidade extraordinária de livros.

Quando Harry Potter começou a ganhar ímpeto, houve pressão para encontrar a próxima grande série?
Naquele momento, definitivamente havia uma sensação de oportunidade. Acho que é isso que Potter criou na publicação infantil. Então, você pode ver isso como pressão ou também pode ver como algo que fez com que as pessoas vissem o potencial dos livros infantis de forma diferente.

As editoras ficaram entusiasmadas com o potencial de um livro alcançar um público tão amplo, e o impacto disso é visível até hoje. O mercado de livros infantis tem crescido consistentemente nos últimos cinco anos.

O que você diria sobre Harry Potter para convencer alguém que ainda não leu os livros a lê-los?
Para alguém que não leu os livros, eu diria que você tem que se permitir o tempo e espaço para ter a experiência real de ler a série toda. Permita-se perder-se nos livros.

Particularmente para os leitores adultos, às vezes, a amplitude e a ambição do texto de Jo realmente ficam claras no Prisioneiro de Azkaban. Acho que há um pico de fato. Você pode ver a construção dele em A Pedra Filosofa e A Câmara Secreta, mas, no terceiro livro, é o auge. Para mim, Azkaban é o favorito, mas não conte a ninguém!

FonteArts and Culture Google