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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Rosas Esquecidas - Martha Hall Kelly.


O ano é 1914, e o mundo já esteve prestes a entrar em guerra tantas vezes que alguns nova-iorquinos já tratam o assunto com um leve desdém. Eliza Ferriday, por exemplo, está muito mais interessada em viajar para São Petersburgo e conhecer os esplendores da Rússia com Sofya Streshnayva, sua amiga há anos ― que por acaso é também prima do czar.

Quando a Áustria declara guerra à Sérvia e a dinastia imperial russa começa a ruir, Eliza se vê obrigada a voltar para os Estados Unidos, enquanto Sofya e a família fogem para a casa de campo. Para ajudar nas tarefas domésticas, eles contratam Varinka, a filha de uma vidente local, sem fazer ideia de que, com isso, estão atraindo um grande perigo.

Já do outro lado do Atlântico, Eliza luta para manter em segurança as famílias russas que escaparam da Revolução. E quando as cartas de Sofya param de chegar, ela teme que algo terrível possa ter acontecido à amiga.

Pelas ruas turbulentas de São Petersburgo, casas de campo da aristocracia russa, avenidas de Paris e mansões de Nova York, as trajetórias de Eliza, Sofya e Varinka se cruzarão de maneiras profundas. Em mais uma narrativa emocionante, inspirada em uma história real, Martha Hall Kelly celebra os laços indestrutíveis da amizade entre mulheres, especialmente durante os momentos mais complexos da história mundial.

Sobre o autor


Martha ainda está se beliscando depois que seu romance de estreia LILAC GIRLS, sobre a socialite Caroline Ferriday e sua luta para ajudar um grupo de sobreviventes de campos de concentração, se tornou um best-seller instantâneo do NY Times em 2016 e vendeu mais de dois milhões de cópias. Uma vez que o livro ficou na lista do NYT por 54 semanas e foi publicado em cinquenta países, ela escreveu mais dois romances: LOST ROSES sobre a mãe de Caroline e SUNFLOWER SISTERS sobre sua bisavó, que também se tornaram best-sellers instantâneos do NY Times. Seu último romance, THE GOLDEN DOVES, que retorna à Segunda Guerra Mundial, foi lançado em 2023. Martha cresceu em Massachusetts e agora divide seu tempo entre Connecticut e Nova York.

domingo, 24 de novembro de 2024

Ainda estou aqui - Marcelo Rubens Paiva.



Eunice Paiva é uma mulher de muitas vidas. Casada com o deputado Rubens Paiva, esteve ao seu lado quando foi cassado e exilado, em 1964. Mãe de cinco filhos, passou a criá-los sozinha quando, em 1971, o marido foi preso por agentes da ditadura, a seguir torturado e morto. Em meio à dor, ela se reinventou. Voltou a estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas. Nunca chorou na frente das câmeras.

Ao falar de Eunice, e de sua última luta, desta vez contra o Alzheimer, Marcelo Rubens Paiva fala também da memória, da infância e do filho. E mergulha num momento obscuro da história recente brasileira para contar ― e tentar entender ― o que de fato ocorreu com Rubens Paiva, seu pai.

Verão de 1971. Eunice Paiva, recentemente liberada de um período de prisão e interrogatório de doze dias no DOI-Codi, no Rio de Janeiro, passa uma curta temporada com amigos em Búzios. Segundo Antonio Callado, ela respirava aliviada; o próprio ministro da Justiça havia lhe garantido que seu marido, Rubens Beyrodt Paiva, “já tinha sido interrogado, passava bem e dentro de uns dois dias estaria de volta a sua casa”. Rubens Paiva, no entanto, capturado por homens da Aeronáutica em 20 janeiro de 1971, foi t0rturado, morto e seu corpo nunca mais foi encontrado. “A cara de Eunice”, escreve Callado, “continuou molhada e salgada durante muito tempo, tal como naquela manhã de Búzios. A água é que não era mais do mar.”

Neste livro, Marcelo Rubens Paiva faz um retrato emocionante de Eunice, sua mãe, e pela primeira vez traça uma história dramática do que ocorreu — e do que pode ter ocorrido — com Rubens Paiva. “Meu pai, um dos homens mais simpáticos e risonhos que Callado conheceu, morria por decreto, graças à Lei dos Desaparecidos, vinte e cinco anos depois de ter morrido por t0rtura”, narra ele, neste livro magistral. Eunice “ergueu o atestado de óbito para a imprensa, como um troféu. Foi naquele momento que descobri: ali estava a verdadeira heroína da família; sobre ela que nós, escritores, deveríamos escrever”.