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domingo, 19 de janeiro de 2025

Em Nome do Povo: Como o Casamento Entre Estado e Moeda te Deixa Mais Pobre - Bruno Perini


O homem cria ficções tão poderosas que chegam a se tornar reais. Dentre as maiores ficções já criadas está o dinheiro. Há pessoas que não acreditam em Deus, outras não acreditam no Estado, em nações, mas todas acreditam no dinheiro.

Neste livro você verá que misturar aquilo que existe de mais importante em uma economia – a moeda – com o Estado não foi uma das melhores ideias (exceto se você for um governante).

Por Estado, entenda que se quer dizer o aparato administrativo quase fixo de um país. Os governos vêm e vão, e podem mudar a cada poucos anos. Já o Estado... Bem, este fica e muda muito menos, quase sempre crescendo de tamanho.

A partir de uma breve história sobre o casamento entre Estado, política e dinheiro, Bruno Perini vai nos mostrar como e por que a direção inescapável do valor das moedas estatais é uma só: para baixo.

O autor, especialista em finanças, percorre um longo caminho que vai desde o tempo em que o escambo era o modo como o mercado funcionava, passando pela Grécia antiga, Roma e culminando no estágio atual, em que usamos um dinheiro cada vez mais digital, com lastro apenas na confiança depositada numa classe política que, consistentemente, viola essa relação fiduciária.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

A Era do Capitalismo de Vigilância - Shoshana Zuboff


Obra-prima em termos de pensamento original e pesquisa, A era do capitalismo de vigilância, de Shoshana Zuboff, apresenta ideias alarmantes sobre o fenômeno que ela nomeou capitalismo de vigilância. Os riscos não poderiam ser maiores: uma arquitetura global de modificação comportamental ameaça impactar a humanidade no século XXI de forma tão radical quanto o capitalismo industrial desfigurou o mundo natural no século XX.

Zuboff chama a atenção para as consequências das práticas de empresas de tecnologia sobre todos os setores da economia. Um grande volume de riqueza e poder vem sendo acumulado em sinistros “mercados futuros comportamentais”, nos quais os dados que deixamos nas redes são negociados sem o nosso consentimento e a produção de bens e serviços segue a lógica de novas “formas de modificação de comportamento”.

A ameaça não é mais um estado totalitário simbolizado pelo Grande Irmão da literatura de George Orwell, mas uma arquitetura digital presente em todos os lugares, agindo em prol dos interesses do capital de vigilância. Estamos diante da construção de uma forma de poder inédita, caracterizada por uma extrema concentração de conhecimento que não passa pela supervisão da democracia.

A análise perturbadora e embasada de Zuboff escancara as ameaças da sociedade do século XXI: vivemos em uma “colmeia” de conexão plena, que a todos seduz com a promessa de lucro máximo garantido, mesmo que à custa da democracia, da liberdade e do futuro da humanidade.

Enfrentando pouca resistência por parte da lei e da sociedade, o capitalismo de vigilância está em vias de dominar a ordem social e moldar o futuro digital ― se nós assim permitirmos.