Ryland Grace é o único sobrevivente
de uma desesperada missão de emergência ― se ele falhar, toda a
humanidade e o planeta Terra serão destruídos.
Mas no momento
ele não sabe disso. Ryland não se lembra nem do próprio nome,
muito menos de sua missão ou de como cumpri-la. Tudo o que ele sabe
é que dormiu por muito, muito tempo. E que despertou a milhões de
quilômetros de casa, com apenas dois cadáveres como companhia.
Com
os colegas de tripulação mortos e as memórias confusas retornando
aos poucos, Ryland vai perceber a tarefa impossível que tem nas
mãos. Viajando pelo espaço em sua pequena nave, cabe a ele
descobrir a resposta para um enorme mistério científico ― e
derrotar a ameaça de extinção da nossa espécie.
O tempo está
acabando, e o humano mais próximo está a anos-luz de distância,
então Ryland terá que fazer tudo isso sozinho.
Ou será que
não?
Sobre o
livro Devoradores de Estrelas
“Só agora me dou conta:
não sei quem eu sou. Não sei o que faço. Não me lembro de
absolutamente nada.”
O protagonista vai aos poucos tendo
alguns flashbacks que ajudam a entender onde está e o que está
fazendo. Devoradores de Estrelas é todo escrito em primeira pessoa,
tipo de escrita que geralmente eu não gosto, mas que aqui foi feita
de maneira incrível. Não tinha lido nada do autor antes e só vi a
adaptação de seu livro mais famoso, Perdido em Marte, então estava
esperando uma ficção científica um pouco divertida, mas é
muuuuuuuuuuito além das expectativas.
A narrativa flui seguindo os
pensamentos do personagem. Cada comentário, piada, ou interrupção
de pensamento são escritas com muita naturalidade e dão um ótimo
humor, que ajuda muito uma situação que vemos ser cada vez mais
sinistra e tensa. A cada capítulo de Devoradores de Estrelas, vamos
descobrindo junto ao protagonista o que está acontecendo e por que
está ali, e o coração só vai apertando cada ver mais.
“O tempo é crucial
aqui. E, infelizmente, enquanto eu dormia, passaram-se pelo menos
treze anos na Terra.”
Desde o início, Weir apresenta uma
ficção científica com uma característica muito típica dos
clássicos, mas que vem sumindo um pouco hoje em dia (exceto em
filmes do Christopher Nolan, para total desprezo de nosso colega
redator, Tiago Soares): as explicações científicas. Devoradores de
Estrelas é cheio delas, mas o autor trabalha todas de forma que fica
sendo mais uma explicação prática e divertida do que uma aula
chata e entediante. Elas são super importantes também para entender
tudo o que está acontecendo ao redor do protagonista e no estranho
cenário onde ele se encontra.
“[…] estamos
testemunhando fenômenos bizarros em todo o mundo. A temporada de
ciclones está dois meses adiantada. Semana passada nevou no Vietnã.”
Sendo um livro bastante científico,
os momentos de tensão são gerados em torno da situação em que
nosso herói se encontra e dos experimentos que tem que fazer. Mas
não se engane, são tensos mesmos, de prender a respiração até
ver o resultado. Existem algumas poucas cenas de ação, que
adicionam mais tensão ainda, porém realmente tem um foco mais
voltado para esse lado laboratorial da ciência, além de todo o
drama e tensão causado pelos Devoradores de Estrelas em si.
O livro apresenta poucos
personagens. Na narrativa presente, temos nosso protagonista sozinho
por boa parte do tempo. Em seus flashbacks conhecemos as pessoas que
se envolveram em todo o plot e como elas colaboraram para que ele se
encontre onde está. Devoradores de Estrelas mostra uma grande
diversidade de pessoas, inclusive por ter partes que passam em vários
países diferentes.
Fonte: aodisseia.